Uma adolescente de 14 anos foi torturada, estuprada e exposta em uma transmissão ao vivo pelo namorado, de 15 anos, em Vila Velha. As cenas foram compartilhadas em um grupo do Root, um aplicativo de mensagens. O adolescente confessou as agressões, que foram motivadas por uma suspeita de traição, e foi apreendido.
Em uma entrevista coletiva realizada nesta segunda-feira (26), a Polícia Civil destacou que os dois se conheceram em uma plataforma na internet e integravam um grupo chamado “Panela”, onde adolescentes compartilhavam conteúdos criminosos.
O delegado Brenno Andrade, titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), explicou que o espaço funcionava como um chat com troca de mensagens sobre diferentes tipos de violência e uma hierarquia entre os participantes.
Era um chat específico de troca de mensagens em que eram mostrados os diversos tipos de violência. Com uma hierarquia posta e outras pessoas.
Brenno Andrade, titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC)
O relacionamento, inicialmente virtual, passou a ser presencial quando os adolescentes se conheceram e começaram a namorar.
Conforme a investigação, o jovem foi até a casa da vítima após acreditar que ela o traía, entrou no imóvel e cometeu as agressões, que foram transmitidas para o grupo.
Cerca de 300 adolescentes assistiram à violência, segundo a Polícia Civil. Andrade relatou que a vítima enviou uma mensagem afirmando estar machucada e que o irmão dela teria visto os ferimentos.
Polícia recebeu relatório sobre a transmissão
A investigação teve início após as autoridades receberem informações sobre a transmissão da agressão. O trabalho contou com o apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.
O delegado informou que a polícia recebeu um relatório sobre a transmissão e instaurou inquérito para identificar o local onde o crime ocorreu. A investigação apontou que os adolescentes moravam em Vila Velha.
Recebemos um relatório extremamete grave dando conta que a jovem teria sido cortada ao vivo em uma transmssão, violentada sexualmente, espancada, tivesse sofrido vários tipos de agressões. Com isso, a polícia instaurou o inquérito policial para identificar o local de fato e a partir disso obtivemos êxito em identificar que eles moravam em Vila Velha.
Brenno Andrade, titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC)
Segundo Andrade, o adolescente confessou os fatos e afirmou que teria agido após uma suposta agressão. Ele também teria dito que voltaria à casa da vítima para matá-la.
“Ele confessou a autoria dos fatos, falou que era por conta de uma suposta agressão. Ele pulou o muro e a agrediu. Após o fato, ele também falou que voltaria para matá-la”. narrou Andrade.
Diante do caso, o adolescente foi encaminhado para um centro de internação. A Polícia Civil apreendeu equipamentos eletrônicos encontrados na casa dele, que passarão por perícia.
Polícia alerta para que pais acompanhem filhos nas redes
O delegado alertou que o grupo é voltado à disseminação de conteúdos misóginos e racistas, além de práticas de bullying e abuso sexual infantil.
Andrade também chamou a atenção para a importância de os pais acompanharem a atividade dos filhos na internet.
É um grupo totalmente e unicamente estruturado para a misoginia, racismo, bullying, abuso sexual infantil. A gente sempre fala para os pais do contexto e análise e cuidados e responsabilização que eles correm, pois os pais têm a responsabilização
Brenno Andrade, titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC)
Folha Vitória