Foto: Reprodução/TV Vitória
Raphael Alves deixou o Centro de Detenção Provisória (CDP) de São Mateus, no Norte do Espírito Santo, por volta das 20h30 desta quarta-feira (21), após quase 20 dias preso. Ele foi detido em flagrante e autuado por feminicídio depois que a esposa, Laydiane Lacerda da Silva, de 33 anos e grávida de 18 semanas, foi encontrada morta dentro da casa onde o casal morava, no distrito de Cristal do Norte, em Pedro Canário.
Após deixar a unidade prisional, Raphael relatou como encontrou a companheira e afirmou que tentou acordá-la antes de perceber que ela estava morta.
Quando eu cheguei em casa, a porta estava aberta. Quando eu entrei dentro de casa, dentro do meu quarto, a minha esposa estava lá em cima da cama, nua lá, tudo furado assim de faca. (…) Tentei acordar ela, eu não aguentei.
Segundo Raphael, ao encontrar a mulher, ele telefonou para familiares, incluindo a própria mãe, o pai de Laydiane e o cunhado. Ele afirmou que permaneceu no local à espera da chegada das equipes policiais.
O homem também negou ter cometido o crime e disse que repetiu a mesma versão aos policiais durante a abordagem e os deslocamentos até as unidades policiais.
Falei com as polícias que não fui eu. Aí eles me levaram, mas não bateu não. Me levaram para Pedro Canário, algemado.
De acordo com Raphael, após ser levado a Pedro Canário, ele foi encaminhado à Polícia Civil, em São Mateus, onde acabou preso. Posteriormente, foi conduzido ao presídio.
Justiça revogou prisão de Raphael Alves
A prisão preventiva de Raphael foi revogada por decisão do juiz Leandro Cunha Bernardes da Silveira, da 2ª Vara de Conceição da Barra. A decisão considerou informações relacionadas à prisão de Adriel de Jesus Sena, ocorrida em 16 de outubro.
Adriel é suspeito de invadir uma residência no mesmo distrito, estuprar uma mulher e tentar matá-la com golpes de faca. Durante essa ocorrência, ele teria afirmado aos policiais militares que também matou Laydiane.
O magistrado, no entanto, ressaltou que a declaração precisa ser analisada com cautela, uma vez que o suspeito negou posteriormente, durante audiência de custódia, ter cometido o homicídio da grávida.
No dia em que Laydiane foi encontrada morta, em 3 de outubro, policiais militares localizaram vestígios de sangue no banheiro da residência, além de uma calça com manchas de sangue e um canivete preso a um coldre na peça de roupa.
Desde o início, Raphael sustentou que encontrou a esposa morta ao retornar do trabalho.
Conforme o relato atribuído a Adriel, ele teria entrado na residência com a intenção de roubar, mas violentou sexualmente Laydiane e a matou com golpes de faca no pescoço. Na ocasião, a Polícia Civil informou que a possível participação dele no homicídio seria investigada.
Marido recebeu alvará de soltura na cela
Raphael também contou como recebeu a notícia de que deixaria a prisão. Segundo ele, o alvará de soltura foi entregue na quarta-feira, depois do jantar, enquanto estava deitado na cela.
Na quarta-feira, depois da hora da janta, eu fiquei lá deitado lá na cela e as polícias me chamaram e me deram alvará de soltura. Fiquei feliz.
Com a revogação da prisão, Raphael deverá cumprir medidas cautelares determinadas pela Justiça, entre elas o comparecimento mensal em juízo e a proibição de deixar a comarca sem autorização judicial.
A decisão não representa absolvição. As circunstâncias da morte de Laydiane e a possível participação de Adriel no crime continuam sendo objeto de investigação.
*Com informações da repórter Luciana Leicht, da TV Vitória/Record.
Fonte: Folha Vitória