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Câncer de mama: os impactos hormonais que vão além do tratamento

Quimioterapia e terapias hormonais podem antecipar a menopausa e provocar alterações no metabolismo

Por Redação em 23/10/2026 às 09:00:16
Imagem: Magnific

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O diagnóstico de câncer de mama traz desafios que vão além do combate à doença. Entre eles estão as alterações hormonais provocadas tanto pelo próprio tratamento quanto pelas terapias utilizadas para impedir o crescimento das células tumorais. Ondas de calor, insônia, redução da libido, ganho de peso e perda de massa óssea são algumas das manifestações que merecem atenção.

Alguns tumores apresentam receptores hormonais positivos, ou seja, utilizam o estrogênio e a progesterona como estímulo para crescer. Nesses casos, o tratamento pode incluir medicamentos que reduzem a produção desses hormônios ou bloqueiam sua ação. Já a quimioterapia pode comprometer o funcionamento dos ovários e antecipar a menopausa, temporária ou permanentemente.

A queda do estrogênio provoca sintomas como ondas de calor, sudorese noturna, ressecamento vaginal, desconforto nas relações sexuais e alterações do sono. Também pode favorecer mudanças na composição corporal, com aumento da gordura abdominal e redução da massa muscular.

Outro ponto importante é a saúde óssea. O estrogênio exerce papel fundamental na proteção dos ossos e sua redução pode acelerar a perda de densidade mineral óssea, aumentando o risco de osteopenia e osteoporose. Por isso, dependendo do tratamento e do histórico da paciente, exames como a densitometria óssea podem ser necessários.

Como lidar com essas alterações?

O primeiro passo é não considerar os sintomas uma consequência inevitável que precisa ser suportada. O acompanhamento endocrinológico, integrado à equipe oncológica, permite identificar alterações metabólicas e hormonais e estabelecer estratégias individualizadas.

A alimentação equilibrada, com ingestão adequada de proteínas, fibras, vitaminas e minerais, contribui para preservar a massa muscular e a saúde óssea. A atividade física, especialmente os exercícios de fortalecimento muscular, também auxilia na manutenção dos músculos, no controle metabólico e na disposição, respeitando sempre as condições clínicas de cada paciente.

Existem ainda alternativas não hormonais para aliviar sintomas da menopausa, que podem ser indicadas conforme cada caso. É fundamental evitar a automedicação e o uso de suplementos sem orientação profissional, pois algumas substâncias podem interferir no tratamento oncológico.

O cuidado continua após o tratamento

O fim das terapias mais intensivas não significa necessariamente o encerramento das alterações hormonais. Algumas mulheres recuperam a função ovariana, enquanto outras permanecem em menopausa induzida ou apresentam sintomas persistentes.

A reposição hormonal sistêmica geralmente não é recomendada para mulheres com histórico de câncer de mama, especialmente nos casos de tumores sensíveis a hormônios. Entretanto, existem alternativas terapêuticas que podem ser avaliadas individualmente, sempre em conjunto com o oncologista.

Mais do que acompanhar a evolução da doença, é necessário olhar para a saúde integral da mulher. O cuidado endocrinológico ajuda a monitorar a saúde óssea, cardiovascular e metabólica, além de contribuir para o controle dos sintomas.

Enfrentar o câncer de mama exige uma rede de cuidados que acompanhe a paciente durante e depois do tratamento. Preservar a qualidade de vida, a autonomia e a saúde a longo prazo também deve fazer parte dessa jornada.

Fonte: Folha Vitória

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