anucie aqui * 728x90-1
Banner Prefeitura Vila Velha INTERNET
Banner Prefeitura de Cariacica
Prefeitura de Cariacica -  B OBRAS PELA CIDADE

Adenocarcinoma de pulmão: o que é o câncer do papa Leão XIV e como é a vida após a cirurgia

Tumor diagnosticado no pontífice é o tipo mais comum de neoplasia pulmonar e também pode atingir quem nunca fumou

Por Redação em 14/10/2026 às 13:00:05
Foto: Vatican News

Foto: Vatican News

O adenocarcinoma de pulmão, tumor maligno diagnosticado no papa Leão XIV, é o tipo mais comum de câncer no órgão e tem altas chances de cura se diagnosticado em estágio inicial. O pontífice passou por cirurgia nesta terça-feira (13), em Roma, e precisou ter o lobo inferior do pulmão direito retirado para a remoção completa do tumor.

A retirada cirúrgica de parte do pulmão não impede que a pessoa volte às atividades físicas rotineiras, mas a recuperação vai depender da capacidade pulmonar prévia do paciente e da reabilitação feita após a operação, segundo especialistas ouvidos pelo Pulsa.

“Em muitos casos, o paciente pode levar uma vida normal após a recuperação cirúrgica já que o restante do pulmão saudável compensa a perda de parte do órgão”, afirma Tiago Machuca, diretor nacional de Cirurgia Torácica, ECMO e Transplante Pulmonar da Rede D’Or.

Quando o tumor é identificado precocemente, sem que a doença tenha se disseminado para linfonodos ou outros órgãos, a operação costuma ser suficiente para curar o paciente. No caso do papa, o boletim divulgado após a cirurgia pelo Vaticano não informa o estágio da doença, mas, anteriormente, Leão XIV havia declarado que a lesão encontrada era pequena.

O Pulsa entrevistou três médicos especialistas em câncer de pulmão para entender o que é o adenocarcinoma, qual seu nível de agressividade, como costuma ser o tratamento e como é a vida de quem tem uma parte do pulmão retirado. Veja abaixo as respostas.

O que é o adenocarcinoma de pulmão?

Os tumores de pulmão são divididos em dois grandes grupos: os de pequenas células, que representam aproximadamente 15% dos casos e são mais agressivos, e os de não pequenas células, responsáveis por cerca de 85% dos casos, explica Gustavo Schvartsman, líder da oncologia torácica no Einstein Hospital Israelita e integrante do Comitê Científico do Instituto Vencer o Câncer.

O adenocarcinoma pertence ao segundo grupo, assim como o carcinoma de células escamosas e o de grandes células. Ele se origina em células do revestimento pulmonar e é o subtipo mais frequente, responsável por cerca de 40% dos cânceres de pulmão, segundo o especialista.

De acordo com Machuca, o adenocarcinoma pode ter comportamentos diferentes de acordo com suas características histológicas e moleculares. “É um espectro que pode ir desde lesões de evolução mais lenta a doenças agressivas”, afirma.

Isso é definido pela análise do tecido do tumor retirado na cirurgia. Ela pode dar informações importantes para escolher o tratamento, ao procurar alterações genéticas para as quais existam medicamentos específicos.

O adenocarcinoma pode ocorrer tanto em fumantes quanto em não fumantes, e é o subtipo de tumor de pulmão mais comum entre os não tabagistas. Segundo Schvartsman, outros fatores de risco para esse subtipo de câncer incluem exposição passiva ao cigarro, poluição do ar e exposição ao radônio (substância encontrada em rochas, pedras e outros materiais na natureza). “Há também casos associados a uma predisposição genética hereditária”, ressalta o médico.

Estágio determina as chances de cura

“O prognóstico do adenocarcinoma está intimamente ligado ao estágio da doença”, diz William Nassib William Jr., líder nacional da especialidade de tumores torácicos da Oncoclínicas. A classificação considera o tamanho e a extensão do tumor, o comprometimento de linfonodos, conhecidos popularmente como gânglios, e a presença de metástases.

Segundo os especialistas entrevistados, no estágio 1, o câncer é pequeno, de até 3 centímetros, e ainda está localizado, sem comprometimento dos linfonodos.

O estágio 2 é caracterizado por um tumor maior, geralmente a partor de 4 centímetros e/ou invasão de estruturas próximas ou linfonodos regionais.

No estágio 3, a doença tem uma extensão maior na região torácica, o que pode incluir outros grupos de linfonodos no tórax.

Já no estágio 4, o câncer já se disseminou para outras partes do corpo, com metástases em órgãos distantes como ossos ou cérebro ou no outro pulmão.

William Jr. explica que para os tumores em estágio 1 que recebem o tratamento adequado, “as chances de cura são muito altas, podendo passar dos 90%”. Nesses casos, o tratamento pode ser apenas cirúrgico.

Nos estágios mais avançados, o tratamento pode incluir quimioterapia, imunoterapia e terapias-alvo, medicamentos que miram uma alteração da célula tumoral para evitar que ela siga se replicando.

As chances de cura são menores quando a doença está mais avançada, mas mesmo quando a cura não é possível, tratamentos mais modernos ampliaram em anos a sobrevida de pacientes, destaca Machuca.

O que significa retirar um lobo do pulmão?

A cirurgia para tratar o câncer de pulmão pela qual o papa passou nesta terça é chamada de lobectomia. Os pulmões são divididos em lobos: três do lado direito e dois do esquerdo. Nesse procedimento, retira-se por completo o lobo que contém o tumor, buscando uma margem de segurança ao redor da lesão para evitar que células tumorais microscópicas ainda permaneçam no corpo.

Em situações selecionadas, é possível remover uma porção menor, chamada de segmento, em uma segmentectomia. A escolha da equipe médica depende do tamanho e da localização do câncer, de suas características e da reserva respiratória do paciente, explica Schvartsman.

“Mesmo nos casos de tumores pequenos, pode não ser possível retirar só um segmento porque depende muito da posição da lesão”, explica o médico. Retirar um lobo inteiro, portanto, não significa que o tumor seja mais agressivo.

Antes da operação, a equipe avalia se a pessoa tem condições pulmonares e cardíacas para tolerar o procedimento. Esse cuidado é especialmente importante em pacientes que fumaram por muito tempo, com enfisema ou outras doenças que já comprometem a respiração.

Na maioria dos casos, como foi com o papa, a operação é feita por técnicas minimamente invasivas, por meio de pequenas incisões no tórax. “No passado, a cirurgia era aberta, com uma grande incisão e uma recuperação cirúrgica mais lenta. Hoje, esse tipo de abordagem quase não é realizada”, explica Schvartsman.

A cirurgia minimamente invasiva pode ser feita com o cirurgião operando as pinças diretamente no tórax do paciente ou por meio de uma plataforma robótica. Para a maioria dos pacientes que são operados com essas técnicas, dizem os médicos, a internação dura de dois a três dias. Para o papa, o Vaticano informou uma previsão de aproximadamente uma semana.

Como fica a respiração e a rotina após a cirurgia?

Embora a parte do pulmão retirada não se regenere, o restante do órgão pode compensar a função perdida pela remoção de um lobo. De acordo com Machuca, o tecido que permanece costuma se expandir, e as estruturas do tórax como o diafragma e o mediastino passam por adaptações para ocupar o espaço deixado pela cirurgia.

Isso permite compensar parte da perda de função, mas o resultado varia de pessoa para pessoa. “Para pacientes que têm boa função do pulmão, a retirada de um lobo do pulmão praticamente não altera o dia a dia”, afirma William Jr.

Schvartsman faz avaliação semelhante: “Para quem tem boa reserva respiratória, o pulmão que sobra consegue dar conta com bastante tranquilidade”. O esforço físico, porém, precisa aumentar aos poucos, conforme a evolução do paciente.

A fisioterapia e a reabilitação ajudam nesse processo. Em duas semanas, os pacientes costumam ser liberados para atividades mais leves e para trabalhar. A liberação para viagens de avião também costuma ocorrer após duas semanas. Já para que o paciente recupere o desempenho pulmonar próximo ao que era, são necessárias de quatro a seis semanas, contanto que ele siga um programa de reabilitação e não tenha doenças pulmonares prévias.

Pacientes que já tinham a função pulmonar comprometida antes da cirurgia podem apresentar falta de ar e dificuldades durante esforço físico após a retirada de parte do pulmão.

Fonte: Folha Vitória

Comunicar erro
anucie aqui * 728x90-2
Banner Prefeitura Cariacica  A CARIACICA TE CHAMA

Comentários

728x90-3
Banner vila vela refins