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Morte de Netinho alerta para sintomas de linfoma; veja sinais da doença

Hematologista explica que aumento persistente e indolor dos gânglios, febre e perda de peso sem causa exigem avaliação médica

Por Redação em 14/10/2026 às 05:00:08
Cantor netinho/Reprodução Redes Sociais

Cantor netinho/Reprodução Redes Sociais

A morte do cantor Netinho, aos 60 anos, nesta terça-feira (13), em Salvador, na Bahia, após complicações de um linfoma não Hodgkin, chama a atenção para uma doença que pode apresentar comportamentos muito diferentes e nem sempre provoca sintomas específicos no início.

O artista enfrentava um linfoma não Hodgkin do tipo B, que evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos, segundo informações divulgadas por sua assessoria.

Embora alguns tipos desse câncer sejam agressivos, existem casos que evoluem lentamente e podem nem precisar de tratamento imediato. A identificação do subtipo da doença é fundamental para definir a conduta médica e avaliar as possibilidades de cura e controle.

De acordo com Mariana Chalup, médica hematologista e especialista em Transplante de Medula Óssea e Terapia Celular da Rede Mater Dei de Saúde, o linfoma não Hodgkin reúne um grupo de cânceres hematológicos com características distintas.

“É importante a gente imaginar que é, na verdade, um cenário muito diferente quando a gente fala linfoma não Hodgkin. Pode ser cenários muito diferentes de acordo com cada paciente, com cada avaliação”, explica.

A médica ressalta que a confirmação do diagnóstico e a identificação do tipo específico dependem de exames, incluindo a biópsia do tecido ou órgão acometido.

O que é o linfoma não Hodgkin?

O linfoma não Hodgkin é um tipo de câncer que se origina nos linfócitos, células de defesa do organismo. Essas células estão presentes principalmente nos gânglios linfáticos, também chamados de linfonodos, mas podem ser encontradas em diferentes partes do corpo.

Segundo Chalup, a doença pode se desenvolver a partir de linfócitos B ou T. Além dos gânglios, órgãos como pele, pulmões, trato gastrointestinal, medula óssea e baço também podem ser atingidos, dependendo do subtipo.

A especialista explica que há linfomas agressivos, que podem evoluir rapidamente, e outros considerados indolentes, caracterizados pelo crescimento lento.

“Existem alguns linfomas não Hodgkin que são muito agressivos e existem alguns linfomas não Hodgkin que a gente chama de indolentes, que são de crescimento muito lento e que muitas vezes a gente nem precisa tratar”, afirma.

Por isso, o diagnóstico não significa necessariamente que o paciente precisará iniciar o tratamento imediatamente. A decisão depende das características da doença e da avaliação individual.

Quais são os sintomas do linfoma?

Um dos principais sinais de alerta é o aumento progressivo dos gânglios linfáticos, popularmente conhecidos como ínguas. Eles podem aparecer no pescoço, nas axilas e na virilha, entre outras regiões do corpo.

Segundo a hematologista, é importante observar quando esses nódulos aumentam de tamanho e não regridem com o passar do tempo, especialmente quando não há uma infecção que explique o quadro.

“Geralmente é uma íngua que não dói e que costuma ser muito endurecida”, explica.

Outros sintomas podem variar conforme a região atingida pelo linfoma. Quando há comprometimento dos gânglios no abdômen, por exemplo, pode ocorrer dor abdominal. Já o acometimento do tórax pode provocar tosse e dificuldade para respirar.

A doença também pode estar associada a manifestações gerais, como:

Febre no fim do dia sem causa identificada;

Perda de peso sem dieta ou mudança intencional na alimentação;

Nódulos na pele, quando há comprometimento desse órgão;

Anemia, nos casos em que a medula óssea é afetada.

A médica destaca, porém, que esses sintomas não são exclusivos do linfoma e podem ocorrer em diversas outras doenças. Por isso, a persistência e a evolução dos sinais são aspectos importantes para orientar a investigação.

Como diferenciar uma íngua comum de um sinal de alerta?

O aumento dos gânglios linfáticos é uma reação relativamente comum durante infecções. Em casos de amigdalite, inflamações no ouvido ou problemas dentários, por exemplo, podem surgir ínguas doloridas que diminuem à medida que a infecção melhora.

Algumas infecções virais, como as provocadas pelo citomegalovírus e pelo vírus da mononucleose, também podem causar aumento dos linfonodos.

A principal diferença está na evolução do quadro. Quando o gânglio aumenta durante uma infecção e depois diminui, isso pode fazer parte da resposta normal do organismo. Já um nódulo que permanece aumentado ou continua crescendo, sem uma causa infecciosa identificada, precisa ser investigado.

“Um gânglio que aumenta e que não está diminuindo, ao contrário, está aumentando sem que haja alguma infecção ali associada, é um gânglio que a gente precisa avaliar”, alerta a especialista.

A orientação é procurar um clínico geral ou hematologista quando os sintomas persistirem ou apresentarem piora ao longo das semanas. Não é necessário concluir que há câncer diante de uma íngua ou de um episódio isolado de cansaço, mas também não se deve ignorar sinais persistentes.

Existe prevenção para o linfoma não Hodgkin?

Segundo a especialista, a maioria dos linfomas não tem uma causa específica identificada, o que dificulta estabelecer medidas capazes de impedir o aparecimento da doença.

“Infelizmente, a maioria dos linfomas não tem uma causa identificada, então não é possível a gente fazer uma prevenção”, afirma.

Apesar disso, hábitos saudáveis continuam sendo importantes para a saúde em geral. Manter uma alimentação equilibrada, não fumar, praticar atividades físicas e realizar avaliações médicas periódicas são medidas que ajudam a preservar as condições de saúde.

A hematologista pondera que esses cuidados não garantem que uma pessoa não desenvolverá a doença, mas podem contribuir para que ela chegue a um eventual tratamento em melhores condições físicas.

Linfoma não Hodgkin tem cura?

As possibilidades de cura e controle variam de acordo com o subtipo, a extensão da doença e as condições clínicas do paciente.

De acordo com Chalup, mesmo alguns linfomas agressivos apresentam boas taxas de resposta ao tratamento. Em termos gerais, a especialista afirma que as taxas de cura de muitos desses cânceres podem superar 60%, embora existam diferenças importantes entre os subtipos.

“São doenças que estão ou curáveis ou controláveis, principalmente no cenário atual que a gente vive com muitos tratamentos”, explica.

A médica ressalta que não é possível estabelecer um prognóstico individual sem conhecer as características específicas do tumor. Por isso, os resultados de um paciente não devem ser automaticamente aplicados a outro, mesmo quando ambos apresentam o mesmo grupo de doença.

Como é feito o tratamento?

O tratamento depende do subtipo do linfoma não Hodgkin e pode envolver diferentes estratégias. Entre as opções estão a quimioterapia, frequentemente combinada à imunoterapia, e a radioterapia em situações específicas.

Em casos de recaída, quando a doença retorna após uma resposta inicial, alguns pacientes podem ter indicação de transplante de medula óssea. A especialista também destaca o desenvolvimento de tratamentos mais recentes, como os anticorpos biespecíficos e a terapia com células CAR-T.

A CAR-T é uma modalidade de terapia celular que utiliza células de defesa do próprio paciente, modificadas em laboratório para reconhecer e combater as células cancerígenas.

“Hoje esse arsenal que a gente tem tem permitido essas possibilidades de cura, controle e qualidade de vida para esses pacientes também”, afirma Chalup.

A indicação de cada abordagem depende da avaliação médica, do tipo de linfoma, da resposta aos tratamentos anteriores e das condições clínicas do paciente.

Doença pode atingir diferentes faixas etárias

Embora alguns subtipos sejam mais frequentes em pessoas acima dos 50 ou 60 anos, o linfoma não Hodgkin pode aparecer em outras faixas etárias, inclusive na infância.

Entre os exemplos citados pela hematologista estão o linfoma do manto e o linfoma folicular, geralmente diagnosticados em pessoas mais velhas, e o linfoma difuso de grandes células B, um dos subtipos mais comuns, que também pode atingir adultos mais jovens.

A idade, portanto, é apenas um dos aspectos considerados na avaliação. O comportamento da doença e as possibilidades de tratamento dependem principalmente do subtipo identificado e das características de cada paciente.

Diante de sintomas persistentes, a recomendação é buscar avaliação médica para investigar a causa. Embora não seja possível prevenir todos os casos de linfoma, o diagnóstico adequado permite definir a estratégia de tratamento mais indicada para cada situação.

Fonte: Folha Vitória

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