Caminhar até um espaço de convivência, participar de uma atividade ou sentar-se com mais conforto pode representar uma conquista para idosos com limitações funcionais. É com esse foco que o projeto PaliAtiva, do curso de Fisioterapia da Emescam, oferece cuidados paliativos no Centro de Acolhida Monsenhor Alonso, no bairro Santa Clara, em Vitória.
A iniciativa, que acontece às quartas-feiras, das 14h às 17h, reúne estudantes do terceiro ao décimo período, sob supervisão docente, em atendimentos individuais e coletivos. O projeto surgiu a partir da experiência da professora e coordenadora Luisa Pedrada com cuidados paliativos e da percepção de que esse tipo de assistência poderia chegar além do ambiente hospitalar.
O nome oficial da ação é “Reabilitação e Assistência a Pacientes Geriátricos Institucionalizados: Uma abordagem em Cuidados Paliativos”. Na fase inicial, cerca de 14 idosos participam das atividades, que são desenvolvidas em parceria com a instituição de longa permanência para idosos.
Os participantes apresentam condições como demências, alterações de mobilidade, dificuldades de equilíbrio e risco de quedas, além de outras situações relacionadas ao envelhecimento que afetam a funcionalidade. Por isso, os estudantes adaptam os exercícios às condições clínicas, aos limites, ao ritmo e aos desejos de cada idoso.
Os atendimentos incluem atividades de mobilidade, equilíbrio, coordenação motora e funcionalidade, além de estímulos cognitivos. A proposta não se limita à recuperação de movimentos: busca preservar a funcionalidade possível, a autonomia, o conforto e a qualidade de vida.
“Nos cuidados paliativos, precisamos entender que nem sempre o objetivo será recuperar completamente uma função. Às vezes, o objetivo é conseguir sentar-se com mais conforto, caminhar até um espaço de convivência, participar de uma atividade ou simplesmente ter menos dor e mais bem-estar”, explica Luisa.
O projeto promove ainda ações de convivência e socialização para oferecer experiências fora da rotina da instituição. Entre as atividades já realizadas estão circuitos funcionais, ações de integração, discussões sobre luto, um piquenique e um passeio de aquaviário.
Para Luisa, os resultados do projeto também aparecem em pequenas conquistas na rotina dos idosos.
Um idoso que antes não participava de uma atividade e passa a se envolver, uma pessoa que consegue realizar um movimento com mais segurança, alguém que volta a interagir com os colegas ou simplesmente demonstra mais interesse em estar presente naquele momento. São situações que mostram que o cuidado vai muito além do exercício.
A participação no PaliAtiva não é remunerada, mas os alunos recebem um certificado que pode ser usado na formação acadêmica e no cumprimento de horas complementares. Durante as atividades, eles desenvolvem raciocínio clínico, habilidades técnicas, comunicação e trabalho em equipe.
A Emescam também mantém outra frente de atuação com idosos institucionalizados por meio do estágio obrigatório do curso de Fisioterapia. Paralelamente aos atendimentos, o PaliAtiva produz trabalhos científicos, com apresentações e publicações em eventos, além de pesquisas em andamento.
A coordenadora destaca que a experiência também contribui para uma formação mais humanizada dos futuros profissionais.
O aluno aprende que a fisioterapia não é apenas sobre movimento. É também sobre presença, vínculo, cuidado e respeito à vida
O PaliAtiva está em processo de expansão para também atender mulheres acolhidas no Centro de Acolhida Monsenhor Alonso. A nova etapa depende de alinhamentos entre a instituição e a organização das atividades acadêmicas.
A coordenadora informou que a intenção é consolidar o projeto como uma ação contínua de extensão. Segundo Luisa, os acolhimentos na instituição normalmente ocorrem por encaminhamentos do Centro de Referência de Atendimento ao Idoso (CRAI) e do Ministério Público.
*Texto sob a supervisão da editora Erika Santos
Folha Vitória