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Na SIM Prime, MC Noventa relembra trajetória no rap e mudança de vida

O rapper capixaba MC Noventa foi o primeiro entrevistado do Camarim 27, novo quadro da Rádio SIM Prime dedicado a artistas do Espírito Santo. Na estreia, o artista conversou sobre sua traj


O rapper capixaba MC Noventa foi o primeiro entrevistado do Camarim 27, novo quadro da Rádio SIM Prime dedicado a artistas do Espírito Santo. Na estreia, o artista conversou sobre sua trajetória no Hip Hop, as batalhas de rima, a carreira musical, projetos sociais e a transformação que a cultura provocou em sua vida desde que começou a rimar, em 2013.

Ao relembrar o início da trajetória, Noventa contou que conheceu as batalhas de rima enquanto andava de skate no Tancredão. Na época, ainda não sabia exatamente o que estava vendo e se aproximou por curiosidade. “Eu nem sabia que era rima, nem sabia que era Rap. E eu perguntei: ‘mano, como é que eu faço aí também?”, contou.

A partir dali, o Hip Hop passou a ocupar um espaço cada vez maior na vida do artista. Segundo Noventa, a cultura também mudou sua relação com os estudos e com as pessoas com quem convivia. “O Rap me fez olhar pra escola”, afirmou. Ele contou ainda que passou a se afastar de companhias envolvidas com o tráfico e a conviver mais com pessoas ligadas ao Rap, que, segundo ele, tinham “uma outra visão de vida”.

Para ele, a importância do Hip Hop vai muito além da fama ou do reconhecimento conquistado nas batalhas. “O Hip Hop leva as pessoas a estudar, a se empoderar, ir para a faculdade. Ele leva as pessoas a buscar conhecimento, buscar um trabalho digno, uma vida digna”, disse. Noventa resumiu o impacto da cultura em sua própria trajetória: “O Hip Hop me levou a estudar, me levou a querer ter um relacionamento melhor com minha família”.

Embora tenha conquistado reconhecimento também com suas músicas, Noventa afirmou que mantém uma relação especial com as batalhas de rima. Ele contou que começou a rimar quando o cenário ainda era pequeno no Espírito Santo e que nunca entrou nesse universo pensando em fama ou dinheiro.

Eu sou completamente apaixonado por batalha de rima. Tanto que eu tô aí rimando há 15 anos e pessoas que começaram esse ano não têm o mesmo brilho no olho do que eu, porque eu amo essa parada

Sobre a carreira musical, Noventa explicou que suas músicas surgiram de maneira natural, a partir de experiências pessoais e da identificação do público com suas histórias. Ao mesmo tempo, disse não se identificar com a lógica comercial do mercado da música.

“Eu gosto de fazer música, mas o mercado musical não é uma coisa que me apetece”, afirmou. Por isso, o artista disse que prefere manter seu próprio ritmo para produzir, lançar músicas e fazer shows. “Faço música no meu ritmo, posto música no meu ritmo, faço show no meu ritmo, tudo do meu jeito.”

Um dos trabalhos lembrados durante a entrevista foi a participação em Poesia Acústica 6. Noventa explicou que sua ligação com o projeto aconteceu por meio do amigo Dudu, que o procurou quando tinha apenas 16 anos e havia sido convidado para participar da produção. Noventa acabou escrevendo a composição que foi interpretada pelo amigo. “Então eu tô participando dessa maneira: eu sou o compositor e ele interpreta essa composição”, explicou.

Do acolhimento à missão de acolher

A experiência que teve quando começou no Rap também influenciou o trabalho que desenvolve atualmente com jovens. Noventa contou que foi acolhido por um integrante do movimento chamado Da Rua, que o incentivava a estudar e o ajudava a circular por outros espaços.

Eu fui inserido num lugar de acolhimento e de direcionamento pros jovens. Eu fui um jovem direcionado por uma coisa que não era um projeto social, e sim um cara que amava Rap e ajudava outras pessoas

Hoje, segundo o artista, ele procura reproduzir esse acolhimento por meio de oficinas, grupos de estudo e atividades em diferentes espaços. “Se assim eu fui acolhido, então assim eu acolho”, afirmou. Noventa contou que as ações também chegam a presídios e escolas, com o objetivo de compartilhar aquilo que o Rap proporcionou a ele.

Quero colaborar pra que aquilo que o Rap me ofertou não morra em mim

O que o Noventa de 2013 diria ao artista de hoje?

No encerramento da entrevista, o rapper foi convidado a imaginar o que o jovem que começou nas batalhas em 2013 diria para a pessoa que ele se tornou hoje. A resposta veio acompanhada de uma lembrança sobre a falta de perspectiva que tinha naquela época.

“Quando eu comecei, eu não tinha perspectiva de vida. Eu não acreditava de jeito nenhum”, afirmou. Noventa contou que, naquele período, sequer imaginava chegar aos 28 anos e não tinha planos para o futuro.

Hoje, olhando para a própria trajetória, ele acredita que aquele jovem ficaria surpreso ao descobrir a vida que construiu. “Você é casado, você é feliz, você serve a Jesus, você tem bons amigos, você tem boa família”, disse, imaginando a reação do MC Noventa de 2013.

Seria um negócio tipo assim: mentira, não sou eu. É um multiverso, nada a ver

O Camarim 27 estreia com a proposta de receber, toda sexta-feira, artistas capixabas de diferentes áreas para falar sobre carreira, histórias e conexões com o Espírito Santo. Noventa abriu a primeira edição do quadro, que volta ao ar na próxima sexta-feira. A condução é do radialista Beto Júnior.

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