A estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, morreu após cair do 23º andar, do condomínio La Piazza, na Aldeota, em Fortaleza. Ela foi encontrada no pátio do prédio na noite de 13 de setembro. No entanto, no domingo (20), as investigações ganharam novas informações.
Isabelle morava no condomínio com o namorado, João Munhoz Neto, de 33 anos, e familiares dele. A Polícia Civil tenta localizar João, mas não declara que ele é suspeito da morte da jovem.
A perícia identificou lesões compatíveis com impacto contra o solo, e o laudo cadavérico apontou politraumatismo como causa da morte. Os exames toxicológicos realizados até agora não encontraram substâncias de interesse toxicológico. Ainda assim, a dinâmica da queda continua sendo apurada pela polícia.
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE) informou que somente a conclusão dos trabalhos periciais poderá estabelecer como Isabelle caiu.
A Polícia Civil analisa imagens de segurança, depoimentos, vestígios e dados de aparelhos eletrônicos apreendidos durante as diligências.
Câmeras mostram cronologia da noite
Imagens obtidas pelo Diário do Nordeste indicam que, às 18h32, João foi à portaria do condomínio. Pouco depois, ele e a mãe deixaram o prédio de carro.
Às 19h12, Isabelle apareceu sozinha em um elevador, segurando o celular e seguindo para o rooftop, no 23º andar. A queda ocorreu por volta das 20h40, segundo o horário informado pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE).
O namorado retornou ao condomínio às 22h48, cerca de duas horas após o horário registrado para a morte. As imagens integram o material analisado pela Polícia Civil, mas a presença ou ausência de uma pessoa no prédio, isoladamente, não esclarece como a estudante morreu.
Namorado é procurado; aparelhos foram apreendidos
A SSPDS-CE confirmou que João Munhoz Neto é procurado pela Polícia Civil, sem detalhar o motivo. O órgão também não declarou oficialmente que ele seja suspeito da morte de Isabelle.
Durante uma diligência, a mãe dele foi localizada na Praia do Cumbuco, em Caucaia. Os investigadores cumpriram um mandado de busca e apreensão e recolheram um celular e um tablet, que passarão por perícia.
O celular de Isabelle também foi recuperado e já passou por perícia. Segundo a SSPDS-CE, o conteúdo do aparelho está em análise e pode ajudar a reconstruir os momentos antes da morte, com informações como mensagens, ligações e localização.
Família relata preocupação com relacionamento
A família de Isabelle cobra esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte. A mãe da estudante, a professora universitária Isorlanda Caracristi, afirmou que não sabe o que aconteceu com a filha e relatou que percebia comportamento controlador no relacionamento.
Em entrevista ao Diário do Nordeste, a advogada Patrícia Viana, que acompanha a família, afirmou que amigos e pessoas próximas apresentaram relatos após a morte da jovem. Segundo ela, essas informações estão sendo encaminhadas à Polícia Civil.
Isorlanda também contou que recebeu da filha a mensagem “Mãe, eu te amo” na noite de 13 de setembro. Ela respondeu que também a amava e pediu que Isabelle tomasse um relaxante muscular, após a jovem reclamar de dores no pescoço.
No dia seguinte, sem conseguir falar com a filha, a mãe foi ao condomínio procurá-la. Segundo o relato, a síndica informou que Isabelle havia morrido na noite anterior e que o corpo já estava no Instituto Médico Legal (IML).
A família estranhou não ter sido comunicada pelo namorado da estudante ou pela mãe dele. Em vídeo publicado nas redes sociais, Isorlanda afirmou ainda que descobriu ter sido bloqueada por João nas redes sociais e no WhatsApp.
Perícia voltou ao condomínio
A Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) realizou novas diligências no condomínio no domingo (20). Os peritos coletaram vestígios para análise de DNA e fizeram novos exames nas áreas comuns e no apartamento.
Um drone também registrou novas imagens do local. A SSPDS-CE informou que quatro pessoas já prestaram depoimento e outras quatro oitivas estão previstas.
A investigação ainda precisa esclarecer como Isabelle caiu, o que ocorreu no apartamento antes da morte e se havia outra pessoa no imóvel naquele momento. Também será necessário verificar os relatos apresentados pela família e o conteúdo dos aparelhos eletrônicos recolhidos pela Polícia Civil.
*Com informações do portal Terra.
Folha Vitória