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Saúde

Caroço no pescoço ou na axila: quando pode ser sinal de linfoma?

Caroços no pescoço, axila ou virilha são comuns em infecções, mas quando persistem podem exigir investigação


Imagem: Magnific

Os linfomas estão entre os tipos de câncer que atingem o sistema sanguíneo e linfático e podem se manifestar de diferentes formas. No Brasil, são estimados 12.560 novos casos de linfoma não Hodgkin por ano no triênio 2026-2028, sendo 6.580 em homens e 5.980 em mulheres. Para o linfoma de Hodgkin, a estimativa é de 3.070 novos casos por ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA).

Um dos sinais mais conhecidos dessas doenças é o surgimento de um caroço, ou gânglio aumentado, no pescoço, na axila ou na virilha. Mas isso não significa, necessariamente, câncer.

Os gânglios linfáticos, também chamados de linfonodos, fazem parte do sistema de defesa do organismo e podem aumentar de tamanho durante infecções e processos inflamatórios. O que merece atenção é quando o aumento persiste, cresce progressivamente ou aparece acompanhado de outros sintomas.

Segundo o hematologista Douglas Stocco, o linfoma é um tipo de câncer sanguíneo que se origina no sistema linfático, uma rede de vasos e gânglios que faz parte do nosso sistema de defesa imunológico.

A doença surge quando os linfócitos, encarregados de proteger o organismo contra infecções, sofrem mutações genéticas. Com isso, essas células perdem a função e passam a se multiplicar de forma desordenada, acumulando-se principalmente nos linfonodos, as populares ‘ínguas’, e em outros órgãos, como o baço e a medula óssea.

Douglas Stocco, hematologista

Existem dois grandes grupos de linfoma: o linfoma de Hodgkin e os linfomas não Hodgkin. Dentro deles, existem diferentes subtipos, que podem apresentar comportamentos e respostas ao tratamento bastante distintos.

Nem todo caroço é linfoma

Uma íngua pode aparecer durante uma gripe, dor de garganta, infecção dentária ou outro processo inflamatório. Nesses casos, o aumento do linfonodo é uma reação do sistema imunológico e tende a diminuir depois que a causa é controlada.

“nfecções são causas muito mais frequentes de aumento dos linfonodos. O que chama a nossa atenção é principalmente a persistência do aumento, o crescimento progressivo e a associação com outros sintomas”, explica Marcelo Aduan, hematologista e coordenador do serviço de Onco-hematologia e Transplante de Medula Óssea do Hospital Santa Rita.

Nos casos de linfoma, o gânglio aumentado costuma ser indolor. O sinal pode aparecer isoladamente ou em diferentes regiões do corpo.

“O sinal mais clássico é o aumento indolor de gânglios linfáticos, especialmente nas regiões do pescoço, axilas e virilha, que persistem por mais de três a quatro semanas sem diminuição de tamanho”, afirma Douglas.

Por isso, um caroço que permanece por semanas ou aumenta de tamanho deve ser avaliado por um médico. A aparência ou o tamanho do gânglio, isoladamente, não são suficientes para determinar se existe um câncer.

Quais sintomas devem chamar atenção?

Além dos gânglios aumentados, alguns sintomas podem aparecer em pessoas com linfoma. Entre eles estão:

Febre sem causa aparente ou persistente;

Perda de peso sem explicação;

Aumento do volume abdominal ou sensação de pressão na região.

Esses sintomas, no entanto, não são exclusivos do linfoma e podem aparecer em diversas outras condições.

Esses sinais são conhecidos como sintomas sistêmicos e podem aparecer em alguns pacientes com linfoma. Entretanto, eles também podem ocorrer em diversas outras doenças e, isoladamente, não significam que a pessoa tenha câncer. Um dos pontos mais importantes é observar a evolução.

Marcelo Aduan, hematologista e coordenador do serviço de Onco-hematologia e Transplante de Medula Óssea do Hospital Santa Rita

Por isso, o diagnóstico pode ser especialmente difícil no início porque os sintomas podem se parecer com os de problemas mais comuns.

Quais são os tratamentos?

O tratamento depende principalmente do subtipo do linfoma, do estágio da doença e das condições gerais do paciente. As opções podem incluir quimioterapia, imunoterapia, terapias-alvo, radioterapia e, em determinadas situações, transplante de medula óssea.

O hematologista e professor do Unesc, Mateus Alvarenga Malacarne, destaca a variedade de estratégias disponíveis atualmente.

“A escolha da estratégia depende do subtipo da doença e pode incluir quimioterapia, imunoterapia e medicamentos direcionados a alterações específicas da própria doença. Nos casos de recaída ou de resistência ao tratamento inicial, também estão disponíveis opções mais modernas, como as terapias celulares, a exemplo do CAR-T, e os anticorpos biespecíficos, que aproximam as células de defesa das células do linfoma e favorecem sua eliminação”, afirma.

Muitos linfomas apresentam altas taxas de resposta ao tratamento e, em diversas situações, podem ser curados. Por isso, identificar corretamente o subtipo é fundamental para escolher a estratégia adequada.

Diagnóstico precoce pode fazer diferença

Como não há rastreamento para a população saudável, reconhecer os sinais de alerta ganha importância. A avaliação precoce pode permitir a identificação da doença em uma fase em que o tratamento apresenta melhores possibilidades.

“Identificar a doença em estágios iniciais transforma radicalmente o prognóstico: aumenta significativamente as chances de cura, exige regimes de tratamento menos tóxicos e invasivos, reduz o tempo de internação e preserva a função dos órgãos do paciente”, afirma Douglas.

O hematologista reforça que observar a evolução dos sintomas e informar ao médico há quanto tempo eles estão presentes pode ajudar na investigação.

Para que o diagnóstico precoce aconteça, a informação é a ferramenta mais valiosa. É fundamental que a população reconheça os sinais de alerta e que o paciente consiga oferecer ao médico um relato detalhado sobre o tempo de evolução e a intensidade dos sintomas.

Douglas Stocco, hematologista

“Para que o diagnóstico precoce aconteça, a informação é a ferramenta mais valiosa. É fundamental que a população reconheça os sinais de alerta e que o paciente consiga oferecer ao médico um relato detalhado sobre o tempo de evolução e a intensidade dos sintomas”, completa.

Folha Vitória

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