Um relatório da Polícia Federal (PF) indica a suspeita de que o ministro Dias Toffoli seja o “beneficiário final” ou “proprietário de fato” do fundo de investimento Arleen, que recebeu repasse de R$ 35 milhões de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
O documento da PF foi revelado pela revista piauí nesta sexta-feira, 10, e confirmado pelo Estadão.
Segundo o relatório, o repasse de R$ 35 milhões, revelado ainda em fevereiro pelo Estadão, teria ido parar nas Ilhas Virgens Britânicas, paraíso fiscal do Caribe, por meio de uma transação com a holding Egide I. O ministro já negou ter amizade com o banqueiro ou ter recebido valores dele.
Procurado pelo Estadão, o gabinete de Toffoli afirmou que o relatório já foi arquivado, com decisão de trânsito em julgado e reforçou que “jamais manteve ou teve direta ou indiretamente recursos no exterior”, acrescentando que “jamais realizou qualquer operação direta ou indiretamente nas Ilhas Virgens Britânicas”.
Segundo o relatório, o fundo Arleen era sócio do resort Tayayá, no interior do Paraná, ligado à família de Toffoli e pertencia a Vorcaro, mas mudou de proprietário, sendo assumido por um empresário amigo do ministro do STF. Meses depois, transferiu seus ativos para o paraíse fiscal no Caribe.
“Foram identificados diversos elementos de informação que, analisados de forma conjunta, apontam no sentido de que o ministro José Antonio Dias Toffoli possa ter figurado como beneficiário final ou proprietário de fato do FIP Arleen, bem como de seus ativos”, afirma o relatório revelado pela revista.
Como mostrado pelo Estadão, o ministro é sócio da empresa Maridt, que tinha participação societária em dois resorts da rede Tayayá. A empresa vendeu parte de sua participação a fundos de investimento que tinham Fabiano Zettel, o cunhado de Vorcaro, como acionista.
Ao Estadão, o gabinete do ministro afirmou que a empresa Maridt vendeu parte de cotas de sua participação no grupo Tayaya ao Fundo Arllen em 2021, não realizando posteriormente nenhuma outra negociação com o referido fundo.
“Os valores jamais totalizaram 35 milhões. Toda a movimentação financeira e atos de venda das cotas encontram-se declarados à Receita Federal e Junta Comercial”, escreveu.
Folha Vitória