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A produtividade como alicerce da construção brasileira

A construção civil brasileira vive um paradoxo. Enquanto o país enfrenta um déficit habitacional de quase seis milhões de moradias e uma infraestrutura que exige investimentos crescente

Por Redação em 03/09/2026 às 13:00:28

A construção civil brasileira vive um paradoxo. Enquanto o país enfrenta um déficit habitacional de quase seis milhões de moradias e uma infraestrutura que exige investimentos crescentes, o setor produz menos do que há três décadas. O problema não está na falta de demanda, mas na forma como ainda se constrói.

Produtividade em queda e informalidade elevada

O relatório Construção no Brasil: Agenda para Modernização do Setor, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), evidencia esse cenário. Entre 1995 e 2024, a produtividade da construção caiu 20,4%. Em 2024, cada trabalhador gerou, em média, R$ 41,3 mil por ano, menos da metade da produtividade da indústria de transformação. A produtividade brasileira representa apenas 7% da registrada nos EUA e a informalidade permanece elevada: apenas um em cada quatro trabalhadores possui vínculo formal. Como abordado por Hernando Soto em O Mistério do Capital, a informalidade trava produtividade, transforando o esforço em “capital morto”, uma vez que a informalidade não tem aceso a crédito e não consegue ganhar escala.

O diagnóstico é claro. Segundo a CNI, a baixa produtividade decorre da elevada informalidade, da baixa qualificação da mão de obra, da lenta adoção de tecnologias digitais e da limitada utilização de métodos modernos de gestão. Durante décadas, a abundância de trabalhadores mascarou ineficiências. Retrabalho, desperdícios e improvisações tornaram-se parte da rotina, quando deveriam ser exceções.

Industrialização e tecnologia como solução

Superar esse modelo exige uma mudança de paradigma. A industrialização da construção, com o uso de estruturas metálicas, concreto pré-fabricado e outros sistemas industrializados, reduz prazos, desperdícios e custos. Mas a verdadeira transformação começa antes da obra.

Ferramentas como o BIM permitem integrar projetos, antecipar incompatibilidades e planejar a execução com maior previsibilidade. A construtibilidade complementa esse processo ao aproximar projeto e execução, concebendo empreendimento mais simples de construir, com melhor logística, padronização e produtividade. Quando a execução é considerada desde a concepção do projeto, o improviso deixa de ser regra e o planejamento passa a gerar eficiência.

A construção civil brasileira precisa abandonar a lógica artesanal e adotar uma visão industrial baseada em planejamento, tecnologia e integração. Modernizar o setor não é apenas uma oportunidade para aumentar a produtividade; é condição para reduzir custos, ampliar a competitividade e entregar a infraestrutura e as moradias que o país precisa. O futuro da construção começa muito antes do primeiro concreto lançado: nasce na forma como cada obra é concebida.

Fonte: Folha Vitoria

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