A montadora chinesa GWM quer ampliar ainda neste ano a oferta do Ora 5 no Brasil com uma opção de motorização híbrida e motor flex, a gasolina e etanol. A informação é de executivos da montadora que atuam no Espírito Santo, para a implantação da fábrica da marca chinesa em Aracruz. O movimento ocorre poucas semanas depois de o SUV elétrico estrear no país com um resultado que chamou atenção até dentro da própria empresa. Foram mais de 2 mil unidades comercializadas em apenas 24 horas.
Segundo os executivos, a marca está preocupada em se adaptar à realidade de consumo do público brasileiro. A empresa destacou o desejo de compreender a cultura local, aproximar-se da sociedade e consolidar uma identidade regional.
O sucesso ajuda a explicar por que a GWM avalia acelerar a chegada de novas motorizações. O Ora 5 desembarcou no Brasil apenas como elétrico, por R$ 159 mil no lançamento. No exterior, porém, o mesmo modelo integra uma estratégia multienergia e conta com versões elétricas, híbridas e a combustão. A variante híbrida já aparece na ofensiva global da marca e promete consumo próximo de 22 quilômetros por litro. Além de autonomia combinada superior a 1.100 quilômetros, segundo a própria montadora.
GWM pensa em projeto industrial capixaba
Há algo maior por trás desse produto. A GWM não trata o Ora 5 apenas como mais um modelo importado. O SUV aparece como forte candidato a integrar a produção da futura fábrica de Aracruz. Por isso, cada unidade vendida agora ajuda a testar a força comercial de um veículo que poderá ganhar conteúdo nacional e participação direta do Espírito Santo em sua cadeia produtiva.
Os executivos repetiram que a empresa não veio ao Brasil para uma corrida curta. A expressão usada foi a de uma estratégia de longo prazo. Isso significa formar trabalhadores, desenvolver fornecedores, estruturar assistência técnica, criar canais de distribuição e construir confiança antes de ampliar os volumes.
A cautela com a introdução da versão híbrida segue essa lógica. Não basta vender muito. Do mesmo modo é preciso garantir peças, manutenção e capacidade de atendimento.
Para o Espírito Santo, essa escolha aumenta o alcance econômico do projeto. Uma plataforma capaz de receber diferentes motorizações amplia o mercado potencial da fábrica, reduz a dependência de uma única tecnologia e permite que a GWM responda com mais velocidade às preferências do consumidor. O híbrido tem vantagem nesse ponto. Ele atende quem deseja reduzir o consumo, mas ainda mantém dúvidas sobre autonomia, recarga e infraestrutura para um carro totalmente elétrico.
O Ora 5 pode se tornar, portanto, a primeira grande ponte entre o sucesso comercial da GWM e a industrialização da marca no Estado. As mais de 2 mil vendas em 24 horas mostram que existe demanda. A chegada da opção híbrida pode multiplicar esse público.
Folha Vitoria