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Psyllium virou febre para emagrecer, mas efeito real da fibra surpreende

Psyllium ganhou fama como aliado do emagrecimento, mas seus principais efeitos estão no intestino e no colesterol. Veja benefícios, riscos e cuidados

Por Redação em 21/07/2026 às 21:00:09

Uma colher do pó misturada à água forma rapidamente um líquido espesso. Nas redes sociais, a receita costuma aparecer acompanhada da promessa de diminuir a fome, regular o intestino e acelerar o emagrecimento.

O ingrediente é o psyllium, fibra extraída das cascas das sementes de plantas do gênero Plantago. O produto ganhou espaço nas prateleiras e nas buscas de quem procura uma solução simples para perder peso.

O efeito mais bem demonstrado pela ciência, porém, não é a queima de gordura. O psyllium pode ajudar no funcionamento intestinal e no controle do colesterol, mas não deve ser tratado como um produto para emagrecer.

PSYLLIUM EMAGRECE DE VERDADE?

O psyllium absorve água e forma uma espécie de gel no sistema digestivo. Esse processo retarda a digestão e pode prolongar a sensação de saciedade depois das refeições.

Sentir menos fome, entretanto, não significa perder peso automaticamente. Uma meta-análise que reuniu diferentes estudos clínicos não identificou redução significativa no peso corporal, no índice de massa corporal ou na circunferência abdominal entre os participantes que consumiram a fibra.

Existem pesquisas com resultados diferentes, especialmente entre pessoas com sobrepeso ou obesidade. As diferenças entre doses, duração dos estudos, alimentação e perfil dos participantes impedem que o psyllium seja apresentado como uma estratégia garantida para emagrecer.

A fibra também não acelera o metabolismo nem dissolve gordura corporal. Caso ajude alguém a comer menos, o efeito ocorre pela saciedade e precisa estar associado ao restante da alimentação. Não se trata de uma ação emagrecedora direta.

O PRINCIPAL EFEITO ACONTECE NO INTESTINO

Ao entrar em contato com líquido, o psyllium aumenta de volume. No intestino, esse gel ajuda a reter água e torna as fezes mais volumosas e fáceis de eliminar.

Uma revisão de estudos clínicos com adultos que tinham constipação mostrou que a suplementação com fibras melhorou a frequência e a consistência das evacuações. O psyllium esteve entre os tipos que apresentaram resultados positivos.

Isso não significa que toda prisão de ventre possa ser resolvida com fibra. Constipação persistente, dor abdominal, sangramento, vômitos e perda de peso sem explicação precisam ser investigados.

O aumento repentino do consumo também pode causar o efeito contrário ao esperado. Sem água suficiente, o conteúdo intestinal pode ficar mais difícil de eliminar. A pessoa ainda pode apresentar gases, distensão abdominal, cólicas ou alteração na frequência das evacuações.

A FIBRA TAMBÉM PODE AJUDAR NO COLESTEROL

Outro efeito estudado está relacionado ao colesterol LDL. Por ser uma fibra solúvel e viscosa, o psyllium pode interferir na reabsorção de ácidos biliares durante a digestão. O organismo utiliza colesterol para produzir novos ácidos, o que ajuda a reduzir a quantidade circulante.

Uma meta-análise de ensaios clínicos encontrou melhora em marcadores como LDL, colesterol não HDL e apolipoproteína B. Os resultados foram observados com consumo regular associado à alimentação.

A existência desse benefício não autoriza a substituição de medicamentos prescritos. Quem já faz tratamento para colesterol elevado, diabetes ou doenças cardiovasculares deve conversar com um profissional antes de acrescentar a fibra à rotina.

Produtos vendidos como psyllium também podem ter composições diferentes. Algumas versões contêm açúcar, adoçantes, aromas ou outros ingredientes. Ler o rótulo é necessário, principalmente para pessoas com diabetes ou dietas com restrição de sódio e açúcar.

A ÁGUA É O DETALHE QUE NÃO PODE SER IGNORADO

Consumir o pó seco ou misturado com pouco líquido pode ser perigoso. Como aumenta de tamanho rapidamente, o psyllium pode dificultar a deglutição e, em situações graves, provocar obstrução.

A orientação do MedlinePlus para produtos em pó ou grânulos é misturá-los a pelo menos 240 mililitros de líquido, o equivalente a um copo cheio. A preparação deve ser consumida logo depois de feita, antes que fique espessa demais.

Alguns cuidados são indispensáveis:

Nunca engolir o pó seco;

Respeitar a porção indicada no rótulo;

Misturar em quantidade suficiente de água;

Beber o preparo logo após a mistura;

Manter uma ingestão adequada de líquidos ao longo do dia;

Não aumentar a quantidade por conta própria para tentar emagrecer mais rápido.

A dose pode mudar conforme a apresentação e o objetivo do uso. Por isso, não existe uma única medida caseira adequada para todas as pessoas.

QUAL É O MELHOR HORÁRIO PARA TOMAR?

Não há um horário universalmente considerado melhor. Quem utiliza o psyllium para o intestino pode receber uma orientação diferente de quem o consome como complemento de fibras na alimentação.

Tomar antes das refeições costuma ser divulgado como estratégia para aumentar a saciedade. Mesmo que a pessoa perceba menos fome, isso não comprova que haverá redução de peso.

Outro cuidado envolve os medicamentos. O gel formado pela fibra pode modificar ou atrasar a absorção de alguns remédios. O MedlinePlus cita interações com determinados medicamentos, como digoxina, salicilatos e nitrofurantoína, e orienta que eles não sejam tomados no mesmo horário.

Quem utiliza medicamentos contínuos deve confirmar com médico ou farmacêutico quanto tempo precisa separar o remédio do psyllium. O intervalo pode variar de acordo com o princípio ativo.

QUEM PRECISA TER MAIS CUIDADO

Pessoas com dificuldade para engolir ou histórico de obstrução intestinal não devem começar a usar psyllium sem avaliação profissional. A cautela também vale para quem apresenta sangramento retal, dor abdominal sem causa conhecida ou doenças intestinais.

Pacientes com diabetes, doenças cardíacas, pressão alta ou problemas renais precisam verificar se o produto é adequado e se pode interferir no tratamento.

Gestantes, mulheres que amamentam, crianças e idosos com dificuldade de deglutição também devem receber orientação individualizada.

O uso deve ser interrompido e o atendimento médico procurado diante de dificuldade para respirar ou engolir, dor abdominal intensa, náuseas persistentes, vômitos, coceira ou erupções na pele. Esses sinais podem indicar uma reação importante ou uma complicação que não deve ser tratada apenas aumentando a quantidade de água.

Fonte: Folha Vitória

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