Portal de Notícias Administrável desenvolvido por Hotfix

Cidades

“Tancredinho” restringe acesso em Jardim da Penha e moradores cobram diálogo

Associação afirma que obra alterou uso do espaço sem ouvir comunidade O post “Tancredinho” restringe acesso em Jardim da Penha e moradores cobram diálogo apareceu primeiro em


Leonardo Sá

Associação afirma que obra alterou uso do espaço sem ouvir comunidade

Depois de mais de um ano e meio de obras, atraso em relação ao cronograma original e investimento de R$ 2,886 milhões, a Prefeitura de Vitória promete devolver à comunidade, no próximo dia 31, a quadra coberta da Praça Regina Frigeri Furno, em Jardim da Penha, apelidada de “Tancredinho”. A devolução, entretanto, não será completa. Às vésperas da inauguração, moradores afirmam que seguem sem saber como poderão utilizar o equipamento e criticam a falta de diálogo da administração municipal sobre a gestão do espaço.

“O diálogo com a comunidade talvez resolvesse problemas como esse. A gente já explicou isso desde o início. É horrível, porque tira a cultura da comunidade de usar a quadra de maneira livre”, afirma o coordenador-geral da Amjap, Angelo Del Caro. Ele destaca que, antes mesmo do início da obra anunciada em 2024, a comunidade defendeu que essas definições deveriam ter sido construídas em conjunto com os moradores.

A construção foi alvo de críticas desde o início, por ter sido apresentada sem participação popular. À época, moradores questionavam a retirada da quadra aberta existente na praça, os impactos sobre feiras, atividades esportivas e a convivência no local. Dois anos depois, com a estrutura praticamente concluída, a associação afirma que muitas das preocupações permanecem e que outras surgiram com a proximidade da inauguração.

Segundo Angelo, o principal problema hoje é que a comunidade ainda não sabe como vai ser o funcionamento da quadra. “Quem vai abrir a quadra? Quem vai fechar? Quem vai ficar com a chave? Vai precisar marcar horário? Como vai funcionar esse acesso? Nada disso foi explicado para quem usa aquele espaço todos os dias”, questiona.

Na avaliação da associação, a principal mudança provocada pelo novo equipamento não é apenas arquitetônica, mas na forma como a praça será utilizada. Angelo observa que um espaço que antes podia ser ocupado espontaneamente pelos moradores vai passar a depender de regras de acesso e controle que ainda não foram apresentadas pela administração municipal.

Além da gestão da quadra, moradores também continuam criticando alterações físicas provocadas pela obra. A estrutura fechada modificou a paisagem da praça e trouxe impactos para quem frequenta diariamente o local, observa. “É um caixote no meio da praça”, resume. Ele considera que a cobertura reduziu a visibilidade entre os diferentes ambientes da praça e alterou uma característica considerada importante pelos frequentadores.

“Os pais ficavam sentados, às vezes no churrasquinho, olhando os filhos brincarem. Agora quem está de um lado não consegue mais enxergar quem está do outro. Isso era uma preocupação que muita gente apresentou desde as audiências públicas”, relembra. Outro ponto levantado é a circulação de ar. “Também afetou a ventilação da praça. São mudanças que foram apontadas pela comunidade antes da obra começar”, destacou.

A Amjap promoveu duas audiências públicas para ouvir moradores e reunir sugestões sobre o projeto antes do início da construção. “Mas os representantes da Prefeitura de Vitória não participaram desses encontros para discutir as demandas apresentadas pela comunidade”, critica o representante da organização.

Posteriormente, segundo ele, uma representante da Secretaria Municipal de Obras esteve no local apenas para apresentar o projeto já definido. Mais recentemente, a associação se reuniu com o secretário municipal de Esportes, que informou que a quadra será fechada diariamente às 22 horas. No entanto, ele considera que questões consideradas fundamentais permaneceram sem resposta: “Não foi explicado se vai ter agendamento, quem fica com a chave, quem administra a quadra. Se houve diálogo, ele acabou não servindo para incorporar aquilo que os moradores apresentaram.”

As mudanças provocadas pela obra também atingiram projetos esportivos e atividades desenvolvidas no espaço. Antes do início da construção, a praça recebia escolinha de futebol, atletismo, ginástica para idosos e outras iniciativas.Segundo Angelo, com o fechamento da quadra, a associação foi informada de que, caso não encontrasse outro local para essas atividades, alguns projetos poderiam ser transferidos para outros bairros. “A prefeitura nos procurou dizendo que, se a gente não arrumasse um espaço, os professores seriam levados para outra praça”, relata.

Para evitar a interrupção das atividades, a associação articulou uma parceria com o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) e com a Cidade da Inovação, onde os projetos passaram a funcionar temporariamente. “A associação conseguiu garantir a continuidade dessas atividades por meio dos parceiros. Se dependesse apenas da obra, elas poderiam ter acabado”, enfatiza.

Com a inauguração prevista para os próximos dias, a associação reconhece que o debate deixou de ser sobre a construção da quadra e passou a ser sobre sua operação. A proposta é reunir representantes dos projetos esportivos, coletivos que utilizam a praça, moradores e a Secretaria Municipal de Esportes para construir um modelo de gestão que garanta do equipamento.

Entre os pontos que a Amjap pretende discutir estão a definição de horários, regras de utilização, necessidade ou não de agendamento, responsáveis pela abertura e fechamento da quadra e formas de assegurar que o espaço continue acessível à comunidade. “A quadra está lá. Agora a realidade é essa. O que precisamos fazer é entender como ela vai funcionar e fazer essa ponte entre quem administra e quem utiliza o espaço, para que todo mundo seja ouvido”, reforça. Outra preocupação da associação envolve a segurança do equipamento. Segundo Angelo, moradores relataram que pessoas já acessaram a quadra antes mesmo da inauguração oficial.

A reportagem procurou a Prefeitura de Vitória para que informasse a data oficial de inauguração da quadra, entender como será a gestão do equipamento, quais serão as regras de acesso, se a utilização vai depender de agendamento, quem vai ficar responsável pela administração do espaço e se houve aditivos no contrato da obra. Até o fechamento desta edição, o município não havia se manifestado.

O post “Tancredinho” restringe acesso em Jardim da Penha e moradores cobram diálogo apareceu primeiro em Século Diário.

Século Diário

Assine o Portal!

Receba as principais notícias em primeira mão assim que elas forem postadas!

Assinar Grátis!

Assine o Portal!

Receba as principais notícias em primeira mão assim que elas forem postadas!

Assinar Grátis!