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Saúde

IA na fertilização in vitro: como a tecnologia já ajuda casais a engravidar

A inteligência artificial já ajuda a tornar a fertilização in vitro mais precisa e pode reduzir o número de tentativas até a gravidez


Imagem: Freepik

A advogada Suellen Prado Vecchi passou por quatro tentativas de fertilização in vitro e seis transferências de embriões até engravidar do primeiro filho, um processo que durou quase dez meses. Na segunda gravidez, foram apenas duas fertilizações e uma transferência, em quatro meses.

Histórias como essa têm se tornado mais comuns nas clínicas de fertilidade brasileiras. A IA já não é promessa de futuro: é ferramenta de uso real no dia a dia da medicina reprodutiva, presente em diferentes etapas do tratamento de FIV.

Em que momentos a IA é usada na FIV?

A inteligência artificial já participa de várias fases do tratamento, sempre como apoio à decisão médica, nunca substituindo o especialista. Ela é usada para:

Definir a dose hormonal ideal para a estimulação ovariana de cada paciente, reduzindo riscos como a hiperestimulação.

Avaliar a qualidade dos óvulos coletados, comparando suas imagens com bancos de dados de milhares de outros óvulos já acompanhados.

Analisar espermatozoides, apontando quais têm maior potencial de fertilização.

Selecionar embriões, observando, em vídeos contínuos gerados por incubadoras especiais, o ritmo de divisão celular e os padrões de desenvolvimento de cada embrião.

Indicar o melhor momento para a transferência do embrião ao útero.

O que a ciência já comprovou?

Um estudo brasileiro divulgado em novembro de 2025 no periódico F&S Science, ligado à Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, avaliou 14.602 imagens de óvulos coletadas em 2.156 ciclos de FIV realizados entre 2020 e 2024. O resultado: os óvulos que receberam as notas mais altas atribuídas pela inteligência artificial apresentaram maior probabilidade de fertilização e de evoluir para embriões aptos à transferência.

A explicação está na forma como a IA trabalha: ela analisa um volume de imagens muito maior do que o olho humano conseguiria processar, identifica padrões sutis e reduz parte da subjetividade que naturalmente existe na avaliação visual feita por uma pessoa, mesmo quando essa pessoa é um embriologista experiente.

Outro estudo, publicado em 2025 na revista Scientific Reports, do grupo Nature, validou uma plataforma de inteligência artificial desenvolvida no Brasil e treinada especificamente com dados de pacientes brasileiras para auxiliar na escolha de embriões. A iniciativa mostra que a tecnologia também está sendo adaptada à realidade da população atendida em nossas clínicas, e não apenas importada de outros países.

Quais os benefícios para quem está tentando engravidar?

Para o casal em tratamento, o ganho mais concreto é a possibilidade de menos ciclos até a gravidez. Quando a seleção de óvulos, espermatozoides e embriões é mais precisa, a chance de transferir um embrião com maior potencial de implantação aumenta, e isso pode significar alcançar o sucesso mais rapidamente, reduzindo o número de tentativas, o tempo de tratamento e o custo.

Há também um impacto emocional importante. Cada ciclo de FIV que não resulta em gravidez carrega frustração, ansiedade e desgaste para o casal. Reduzir o número de tentativas frustradas tem efeito direto sobre o bem-estar emocional de quem já está em uma jornada naturalmente desafiadora.

A tecnologia substitui o médico?

Não. Esse é um ponto que toda a comunidade médica reforça. A inteligência artificial oferece dados e classificações que ajudam o embriologista e o médico a tomar decisões mais informadas, mas a interpretação final ainda depende do olhar humano. Cada paciente tem variações de protocolo, condições clínicas e particularidades que um algoritmo, isoladamente, não consegue captar por completo.

Outro ponto de atenção da literatura científica: embora a IA já tenha demonstrado melhora na seleção de embriões, ainda não há evidência definitiva de que ela aumente, por si só, a taxa de nascidos vivos, que é o desfecho mais importante de qualquer tratamento de fertilidade. A tecnologia é uma aliada a mais no processo, não uma garantia de resultado.

Se você está em tratamento ou pensando em iniciar uma FIV, o mais importante continua sendo escolher uma equipe de confiança, que explique cada etapa do processo com clareza e acompanhe você de perto, com todo acolhimento. Mas lembre-se de perguntar se a clínica utiliza ferramentas de inteligência artificial para otimizar os resultados do seu tratamento.

Folha Vitória

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