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Injúria racial: Justiça manda soltar sociólogo preso em Vitória

Servidor público afirma ter sido alvo de ofensas racistas; suspeito foi autuado em flagrante e encaminhado ao sistema prisional

Por Redação em 13/07/2026 às 15:34:04
Foto: Redes sociais/ Reprodução

Foto: Redes sociais/ Reprodução

O sociólogo Roberto Barcelos Ferrante, de 47 anos, vai responder em liberdade à investigação por injúria racial e ameaça. A decisão foi tomada pela Justiça do Espírito Santo durante audiência de custódia realizada nesta segunda-feira (13), após a prisão em flagrante do investigado por, segundo a Polícia Civil, proferir ofensas racistas e ameaçar um servidor público na Rua da Lama, em Jardim da Penha, Vitória, na madrugada de domingo (12).

A vítima, um servidor público de 40 anos, afirma que passou a ser alvo de ofensas racistas depois de pedir que o suspeito interrompesse comentários ofensivos direcionados a pessoas LGBTQIAPN+ que estavam no local.

Segundo a Polícia Civil, Roberto foi conduzido à Delegacia Regional de Vitória, onde foi autuado em flagrante pelos dois crimes. Após passar por audiência de custódia, ele obteve liberdade provisória, sem pagamento de fiança.

A confusão aconteceu entre meia-noite e 1h, em frente à conveniência de um posto de combustíveis. De acordo com o servidor público, o suspeito fazia comentários considerados preconceituosos contra pessoas que estavam na fila. Ao pedir que ele parasse, passou a ser o alvo das ofensas.

A gente estava esperando na fila e ele implicando com pessoas que estavam atrás de mim. Eu falei para ele parar e ele disse que era piada. Eu disse: ‘piada é quando todo mundo ri, não tem ninguém rindo, então pode parar’. Ele começou a tocar no meu ombro, eu pedi para ele parar. Foi quando ele disse: ‘não pode tocar no macaco’. Nesse momento, eu puxei meu telefone, comecei a gravar e pedi para ele repetir e foi quando ele disse aquelas coisas.

Vídeo registra ofensas e ameaças

Nas imagens gravadas pela vítima, Roberto faz declarações consideradas racistas durante a discussão. “Você é negro, preto e burro. Onde é que tem racismo aí? Onde tem racismo aí é a sua raça, seu m*rda“, diz o suspeito.

No vídeo, também é possível observar que ele aparenta estar alterado. Em outro momento, ameaça a vítima e profere novas ofensas: “Vou te nocautear, negão. Você tá falando com um branco da raça.”

Segundo o servidor público, após as ofensas, a situação ficou ainda mais violenta.

Eu comecei a me afastar, mas ele veio para cima de mim e tentou me dar um tapa. Eu reagi, e então ele pegou uma garrafa e a arremessou contra mim. Depois, fez a mesma coisa com uma cadeira. As pessoas começaram a segurá-lo e me levaram para perto de uma barraca de cachorro-quente. Foi nesse momento que ele puxou uma faca e começou a correr atrás de mim.

A Guarda Civil Municipal de Vitória foi acionada e encaminhou os envolvidos à Delegacia Regional de Vitória. Conforme o boletim de ocorrência, uma faca foi apreendida no local.

Sociólogo havia sido preso

Além da prisão em flagrante por injúria racial, a Secretaria de Justiça (Sejus) informou que Roberto já havia sido preso em dezembro de 2023 e solto em janeiro de 2024 pelo crime de dano, ou seja, por destruir e deteriorar coisas de outra pessoa.

Investigado interpretou Jesus na Paixão de Cristo

Em Vitória, Roberto Barcelos Ferrante ficou conhecido por interpretar Jesus Cristo nas encenações da Paixão de Cristo realizadas na capital durante 18 anos, entre 2007 e 2024.

Durante a apuração, a reportagem da TV Vitória/Record também teve acesso a documentos relacionados ao investigado.

Em uma decisão judicial de 2023, consta uma manifestação do Ministério Público informando que Roberto teria ameaçado um comerciante de Jardim da Penha em abril de 2022. Segundo o documento, ele se envolveu em uma briga e, em seguida, apontou um objeto semelhante a uma arma de fogo em direção à vítima.

A reportagem também teve acesso a dois boletins de ocorrência registrados pelo síndico do condomínio onde Roberto mora. Em um deles, referente a um episódio ocorrido em dezembro de 2025, ele é acusado de ameaçar um desafeto com uma faca. O outro descreve um caso registrado em janeiro deste ano, no qual Roberto teria utilizado um taco de beisebol para ameaçar outra pessoa. Ambos os registros foram encaminhados à Polícia Civil.

Ufes diz que investigado não possui vínculo

Por meio de nota, a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) informou que Roberto Barcelos Ferrante não possui vínculo empregatício com a instituição. A universidade esclareceu ainda que ele cursou graduação em Ciências Sociais entre 2003 e 2009.

A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Roberto Barcelos Ferrante até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação.

Com informações do repórter Rodrigo Schereder, da TV Vitória/Record.

Fonte: Folha Vitória

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