O câncer deve impactar praticamente toda a população mundial nas próximas décadas. Segundo o novo relatório Global Status Report on Cancer 2026, divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 92% das pessoas serão afetadas direta ou indiretamente pela doença ao longo da vida, considerando não apenas quem recebe o diagnóstico, mas também familiares e cuidadores.
O documento também projeta um crescimento expressivo no número de casos. Atualmente, o mundo registra cerca de 20,6 milhões de novos diagnósticos por ano, mas esse total pode chegar a 35 milhões anuais até 2050, impulsionado principalmente pelo envelhecimento da população, crescimento demográfico e manutenção de fatores de risco evitáveis.
Segundo a oncologista clínica Juliana Alvarenga, esse avanço é resultado de uma combinação de mudanças demográficas e comportamentais.
Atualmente, a expectativa de vida da população no Brasil supera os 70 anos. Com o envelhecimento, há também um aumento natural do risco de desenvolvimento de mutações celulares. Mas não podemos ignorar fatores como sedentarismo, excesso de peso, alimentação inadequada, tabagismo e consumo de álcool, que também contribuem para esse crescimento.
Juliana Alvarenga, oncologista clínica
A especialista explica que o envelhecimento da população faz com que mais pessoas atinjam idades em que o câncer se torna mais frequente. Ao mesmo tempo, hábitos de vida pouco saudáveis continuam favorecendo o surgimento da doença.
Uma em cada cinco pessoas terá câncer
O relatório da OMS estima que uma em cada cinco pessoas desenvolverá câncer ao longo da vida. Quando o impacto sobre familiares e pessoas responsáveis pelos cuidados é incluído nessa conta, o alcance da doença passa a envolver cerca de 92% da população mundial.
Apesar dos avanços obtidos nos últimos anos, a organização alerta que as desigualdades entre os países ainda determinam quem consegue sobreviver à doença. Em muitas regiões, o acesso ao diagnóstico precoce, à radioterapia, aos medicamentos e aos cuidados paliativos continua limitado.
Além disso, a OMS destaca que apenas 12 países estão no caminho para cumprir a meta global de reduzir as mortes prematuras por câncer até 2030, reforçando a necessidade de ampliar investimentos em prevenção, diagnóstico e tratamento.
Tecnologia ainda é um desafio
Para Juliana Alvarenga, um dos maiores obstáculos é fazer com que os avanços tecnológicos cheguem a toda a população.
O chamamento da OMS para que os países desenvolvam ações é muito válido, mas esse é um desafio complexo. O investimento em tecnologia e o incentivo à pesquisa podem acelerar o desenvolvimento de soluções nacionais. Instituições como o Inca, o Butantan e universidades brasileiras já demonstram capacidade de produzir tecnologias inovadoras que, no futuro, podem ser incorporadas ao SUS.
Juliana Alvarenga, oncologista
Segundo a médica, ampliar o acesso ao diagnóstico precoce e aos tratamentos mais modernos será fundamental para reduzir o impacto da doença nas próximas décadas.
Hábitos saudáveis ajudam a reduzir o risco
Embora nem todos os casos possam ser evitados, a especialista reforça que uma parcela significativa dos cânceres está relacionada a fatores modificáveis.
Entre as principais medidas de prevenção estão:
evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas;
manter alimentação equilibrada;
praticar atividade física regularmente;
controlar o peso corporal;
manter a vacinação em dia quando indicada;
realizar exames de rastreamento conforme orientação médica.
Para a oncologista, a combinação entre prevenção, diagnóstico precoce e ampliação do acesso ao tratamento será decisiva para enfrentar o aumento esperado nos casos de câncer nos próximos anos.
Fonte: Folha Vitória