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Crédito consignado: o que avaliar antes de contratar

Saiba quando o crédito consignado vale a pena e quais cuidados tomar antes de contratar

Por Redação em 03/07/2026 às 05:00:38

Segundo levantamento do Instituto Datafolha, cerca de 32% dos trabalhadores com carteira assinada ou aposentados já possuem um crédito consignado. Entre os servidores públicos, a adesão é ainda maior: 48% utilizam essa modalidade de empréstimo, de acordo com o mesmo levantamento.

A modalidade de empréstimo, se tornou uma das principais alternativas para quem busca juros mais baixos e é uma das mais contratadas no país.

Por que isso importa: entender quando esse tipo de crédito faz sentido e quais fatores devem ser avaliados antes da contratação ajuda o consumidor a evitar o comprometimento excessivo da renda e o risco de endividamento.

Crédito consignado é uma boa alternativa?

A ampla adesão entre servidores públicos, aposentados e trabalhadores com carteira assinada está diretamente ligada ao funcionamento do consignado. Já que a modalidade oferece taxas de juros muito menores e aprovação facilitada.

Brasileiros entre 45 e 59 anos são os principais contratantes, segundo o Datafolha.

Apesar das vantagens do crédito consignado, a decisão de contratar deve ser planejada. Para o planejador financeiro certificado (CFP) Érico Colodeti Filho, é preciso avaliar alguns pontos antes da decisão final.

Como o pagamento é descontado diretamente na folha, o trabalhador recebe um salário menor todos os meses. Isso reduz a liquidez financeira e diminui a flexibilidade para lidar com imprevistos.

Planejador financeiro certificado (CFP) Érico Colodeti Filho

O que analisar antes de contratar?

Antes de assinar o contrato, o primeiro passo é avaliar se o empréstimo é realmente necessário.

Para o gerente de Crédito Comercial Pessoa Física do Banestes, Marco Antônio Tavares Loureiro, a decisão deve ser tomada com calma. O Banco do Estado do Espírito Santo, que detém a maior rede bancária capixaba, oferece uma das taxas de juros mais competitivas do país.

“O consumidor precisa refletir se realmente precisa daquele dinheiro naquele momento. Evitar decisões por impulso é o principal cuidado antes de assumir qualquer dívida”, explica Marco Antônio Loureiro.

Não olhe apenas para os juros

Embora a taxa de juros seja um dos principais critérios de comparação, ela não deve ser o único. Marco Antônio destaca que o consumidor deve observar o chamado Custo Efetivo Total (CET), indicador que reúne todos os encargos da operação.

Além dos juros, entram na conta despesas como:

IOF (Imposto sobre Operações Financeiras);

tarifa de abertura de crédito, quando houver;

demais custos cobrados pela instituição financeira.

“O consumidor não deve olhar apenas a taxa de juros. É fundamental analisar o Custo Efetivo Total da operação, que considera impostos, seguros e todas as despesas envolvidas no empréstimo.”, explica.

Quanto da renda pode ficar comprometida?

Mesmo que a legislação permita determinado limite para contratação, educadores financeiros recomendam cautela.

Segundo Érico Colodeti, o ideal é que a soma de todos os empréstimos da família não comprometa mais de 30% da renda mensal.

Antes de contratar, ele orienta que o consumidor faça um levantamento completo do orçamento, incluindo despesas fixas e variáveis. “As despesas variáveis costumam ser as mais esquecidas. Quando elas não entram no planejamento, o orçamento parece sobrar, mas o problema aparece no fim do mês.”

Em números: inadimplência no crédito consignado para trabalhadores do setor privado foi de 7,9% em maio (Dados do Banco Central).

Quando o consignado vale a pena?

Na avaliação de Marco Antônio Loureiro, o crédito consignado pode ser uma boa alternativa quando substitui dívidas mais caras.

Foi exatamente essa estratégia adotada pelo professor Rogério Marques Smassaro. Na primeira vez, ele utilizou o empréstimo para comprar um carro pagando à vista. Depois, contratou novamente para quitar dívidas do cartão de crédito.

“Nos dois casos, os juros eram bem menores. Preferi transformar uma dívida cara em uma prestação fixa e programada”, explicou o professor e servidor público.

Quando o recurso será utilizado para uma reforma ou para adquirir um bem que será aproveitado por muitos anos, a contratação tende a fazer mais sentido. Se o empréstimo for para adquirir algo de uso passageiro, vale refletir se faz sentido assumir uma dívida que poderá durar anos.

Marco Antônio Tavares Loureiro, gerente de Crédito Comercial Pessoa Física do Banestes

O consignado tende a ser mais vantajoso quando é utilizado para quitar dívidas mais caras, como as do cartão de crédito, ou para investimentos de longo prazo, como reformas e aquisição de bens duráveis.

Antes de contratar, o ideal é avaliar o impacto das parcelas na renda mensal e evitar assumir um compromisso financeiro que comprometa a estabilidade das finanças pessoais.

Fonte: Folha Vitoria

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