Aprendizado na China para ensinar quem fora operar as máquinas da nova indústria de automóveis do Estado. A formação dos trabalhadores que vão atuar na fábrica da GWM em Aracruz já entrou na fase de planejamento entre a montadora, a Federação das Indústrias do Estado (Findes), a NOVA ES e o Governo do Estado. A unidade, lançada em Barra do Riacho, deve começar a operar em 2029 e poderá gerar mais de 9 mil empregos quando atingir capacidade plena em dois turnos, segundo a empresa.
O presidente da Findes, Paulo Baraona, afirmou que a entidade já se movimenta para estruturar a qualificação da mão de obra. A parceria com a NOVA ES já prevê essa atuação. “Isso já faz parte, inclusive, do acordo que nós assinamos com a Nova. Para a gente estar junto nessa condição de criar as possibilidades e as necessidades que a GWM precisa”, disse.
Baraona afirmou que a Findes já mantém contato com executivos da GWM e prepara reuniões técnicas para definir os próximos passos. Segundo ele, professores que vão preparar os alunos no Espírito Santo devem passar por uma formação específica na China. “Já foi falado, inclusive, de alguns professores nossos irem à China”, afirmou. O dirigente também disse que vai buscar apoio do SESI Nacional para reforçar a estrutura de formação no Estado.
Formação com perfil sofisticado
A demanda terá perfil técnico mais sofisticado do que o de uma linha de produção tradicional. O diretor de assuntos institucionais da GWM Brasil, Ricardo Bastos, afirmou que a fábrica vai exigir profissionais com conhecimento em eletrônica, programação e controle de qualidade.
Operar hoje a máquina não é mais aquele esforço físico que era no passado. Hoje você precisa trabalhar muito a eletrônica também.
Ricardo Bastos, diretor de assuntos institucionais da GWM Brasil
O chefe de produção mundial da GWM, Xiangjun Meng, também citou o treinamento como uma das etapas centrais do projeto. Segundo ele, a empresa ainda precisa avançar em aprovações, construção da unidade, recrutamento e capacitação. “Temos muitas coisas a fazer no futuro, como o trabalho de aprovação, a construção em si, além do recrutamento e treinamento de trabalhadores. Toda uma série de tarefas nos espera”, afirmou.
Baraona reconheceu que o prazo até 2029 exige organização, porque a fábrica vai demandar competências novas para a base industrial capixaba. Do mesmo modo, ele lembrou que o Senai no Espírito Santo já registra cerca de 70 mil matrículas por ano. No entanto, ressaltou que a indústria automotiva de alta tecnologia traz exigências próprias.
Estamos falando de empregos muito específicos, com especificidades que nós não temos aqui. E que vamos ter que conhecer ainda. Porque estamos falando de uma indústria de alta tecnologia.
Paulo Baraona, presidente da Findes
O governador Ricardo Ferraço afirmou que o Estado mobiliza Governo, Sistema S, Senai, Universidade Federal, escolas técnicas e Ifes para preparar capixabas para as vagas.
“Uma indústria como essa vai exigir muita água, muita energia, muito gás e uma coisa muito importante: mão de obra qualificada”, afirmou. Assim, a formação dos trabalhadores passa a representar uma das etapas decisivas para transformar o anúncio da GWM em operação industrial, emprego e renda em Aracruz. E no Espírito Santo.
Folha Vitoria