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Economia

Transição energética: os desafios do Espírito Santo e do Brasil na busca por competitividade

As mudanças climáticas, diante de um cenário extremamente desafiador, deixaram de ser apenas uma pauta ambiental e passaram a ocupar também o centro dos debates econômicos, energéticos


Para compreender esse processo, é importante lembrar que, em 2016, entrou em vigor o

As mudanças climáticas, diante de um cenário extremamente desafiador, deixaram de ser apenas uma pauta ambiental e passaram a ocupar também o centro dos debates econômicos, energéticos, sociais e geopolíticos. Esse novo contexto exige dos países não apenas posicionamentos diplomáticos, mas, sobretudo, ações concretas capazes de conciliar desenvolvimento, segurança energética e responsabilidade climática.

Acordo de Paris, por meio do qual 195 países assumiram o compromisso de reduzir as emissões de gases de efeito estufa. O Brasil está entre os signatários e, por isso, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima assumiu a meta de reduzir as emissões em 59% a 67% até 2035. Trata-se de um enorme desafio para um país que, durante décadas, sustentou parte relevante de sua indústria e de sua base energética com combustíveis fósseis.

Nesse sentido, o maior obstáculo da transição energética está justamente na transição de uma matriz baseada em fontes fósseis para outra estruturada em fontes mais limpas e renováveis. O desafio não se resume apenas à substituição tecnológica, mas também à necessidade de descarbonizar a economia em um momento em que a demanda por energia cresce aceleradamente. Ou seja, é preciso produzir mais energia, ao mesmo tempo em que se reduzem as emissões.

Segundo o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2035, a matriz energética brasileira é uma das mais renováveis do mundo. Esse dado coloca o país em posição estratégica, especialmente diante do aumento da demanda global por energia e da pressão internacional por soluções de baixo carbono. Nesse cenário, o Brasil pode aproveitar inúmeras oportunidades para se consolidar como uma potência global da descarbonização, desde que saiba transformar sua vantagem natural em liderança econômica, tecnológica e institucional.

De acordo com o Ministério de Minas e Energia, a comparação entre a oferta interna de energia do Brasil e a média mundial evidencia esse cenário favorável: enquanto o Brasil utiliza 48,4% de energia renovável, o mundo utiliza apenas 14,9%. Esse resultado reflete a força de fontes como a hidráulica, a solar e a eólica, que colocam o país em posição de destaque no debate energético internacional.

No âmbito estadual, o Espírito Santo também se destaca como referência. O Estado tem buscado protagonismo na agenda climática, especialmente no que diz respeito à descarbonização. Em 2010, promulgou uma Política Estadual de Mudanças Climáticas e, desde então, desenvolveu diversas iniciativas voltadas à sustentabilidade, à atração de investimentos internacionais e ao fortalecimento de uma imagem institucional sólida e transparente. Entre essas iniciativas, destacam-se programas como o Reflorestar, o Regar, a criação de um Programa Capixaba de Mudanças Climáticas e a estruturação de um fundo de descarbonização de 1 bilhão de reais.

Entretanto, a transição energética não impõe desafios apenas ao poder público. Para as empresas, o processo também exige adaptação, sobretudo para que essa mudança seja economicamente viável. As maiores dificuldades estão nas regulações, especialmente no que se refere às responsabilidades, às obrigações e aos mecanismos de precificação. Além disso, a cadeia de produção, a cadeia de valor e a sustentabilidade dos negócios tornam-se elementos decisivos para a manutenção da reputação institucional e da competitividade no mercado.

Dessa forma, fica evidente que a transição energética ainda tem um longo caminho pela frente. Não será possível ignorar os impactos do crescimento global sobre as emissões de gases de efeito estufa, nem retroceder diante das transformações já em curso. Sendo o Brasil frequentemente visto como um dos grandes pilares ambientais do planeta, e o Espírito Santo uma importante artéria de pesquisa, desenvolvimento e atração de investimentos em fontes renováveis, cabe à sociedade, ao governo, às empresas e ao terceiro setor encontrar o equilíbrio necessário para que essa transição alcance seu ponto de convergência. Mais do que uma mudança técnica, trata-se de construir uma transição socialmente justa, economicamente viável e sustentável para os próximos cem anos.

Folha Vitoria

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