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“Pulmão de pipoca”: entenda a doença irreversível que especialistas associam ao uso de vape

Conheça os sintomas, riscos e causas do “pulmão de pipoca”, doença pulmonar irreversível que especialistas relacionam ao uso de cigarros eletrônicos

Por Redação em 20/06/2026 às 05:00:09
Imagem: Freepik

Imagem: Freepik

O aumento do uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes e jovens adultos tem acendido um alerta entre médicos e autoridades de saúde. Entre os principais motivos está a bronquiolite obliterante, doença rara e irreversível que ficou conhecida popularmente como “pulmão de pipoca”.

A condição afeta diretamente os bronquíolos, pequenas estruturas responsáveis por transportar o ar até os pulmões, comprometendo a respiração e reduzindo a capacidade pulmonar ao longo do tempo. Embora não seja uma doença nova, ela voltou ao centro das discussões devido à associação com substâncias presentes em alguns líquidos utilizados nos vapes.

O QUE É O PULMÃO DE PIPOCA?

O pulmão de pipoca é o nome popular dado à bronquiolite obliterante, uma doença caracterizada pela inflamação e cicatrização dos bronquíolos.

Com a progressão do quadro, essas pequenas vias aéreas ficam estreitadas ou até bloqueadas, dificultando a passagem do ar e comprometendo a oxigenação do organismo.

O apelido surgiu no início dos anos 2000, após trabalhadores de fábricas de pipoca para micro-ondas nos Estados Unidos desenvolverem a doença devido à exposição frequente ao diacetil, substância utilizada para produzir aroma artificial de manteiga.

Mais tarde, especialistas identificaram que esse mesmo composto também pode estar presente em alguns líquidos usados em cigarros eletrônicos.

QUAL A RELAÇÃO ENTRE O VAPE E A DOENÇA?

Especialistas alertam que os cigarros eletrônicos podem conter milhares de substâncias químicas potencialmente prejudiciais à saúde.

Além da nicotina, muitos dispositivos liberam compostos como formaldeído, acroleína, propilenoglicol e metais pesados, incluindo chumbo, níquel e zinco.

O diacetil é um dos ingredientes que mais preocupa pesquisadores devido à sua relação com danos permanentes aos bronquíolos.

Segundo médicos, a inalação frequente dessas substâncias pode desencadear processos inflamatórios capazes de comprometer a estrutura pulmonar ao longo do tempo.

QUAIS SÃO OS SINTOMAS DO PULMÃO DE PIPOCA?

Os sinais da doença costumam surgir de forma gradual e podem ser confundidos com problemas respiratórios comuns.

Entre os principais sintomas estão:

Sensação de aperto no tórax;

Dificuldade para realizar atividades físicas.

Em alguns casos, também podem surgir dores de cabeça, tonturas, dificuldade de concentração e sensação constante de fadiga.

A BRONQUIOLITE OBLITERANTE TEM CURA?

Não. A bronquiolite obliterante é considerada uma condição irreversível porque provoca cicatrizes permanentes nas pequenas vias respiratórias.

Quando o diagnóstico acontece, os danos causados aos bronquíolos já não podem ser revertidos. Por isso, o tratamento é voltado para o controle dos sintomas, redução das inflamações e tentativa de desacelerar a progressão da doença.

Quanto mais cedo o problema for identificado, maiores são as chances de preservar a função pulmonar ainda existente.

VAPE ENTRE ADOLESCENTES PREOCUPA

O principal motivo é o crescimento acelerado do uso de cigarros eletrônicos entre os mais jovens.

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada pelo IBGE, mostram que o percentual de estudantes entre 13 e 17 anos que já experimentaram vape saltou de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024.

O avanço acontece apesar da proibição da comercialização, importação e propaganda desses dispositivos no Brasil.

Especialistas alertam que muitos adolescentes e jovens ainda acreditam que o vape é menos prejudicial do que o cigarro convencional, percepção que não encontra respaldo nas evidências científicas mais recentes.

DANOS PODEM APARECER MAIS RÁPIDO DO QUE MUITOS IMAGINAM

Uma das principais preocupações dos médicos é a velocidade com que os problemas podem surgir.

De acordo com a pneumologista Elnara Márcia Negri, do Hospital Sírio-Libanês, os cigarros eletrônicos podem provocar lesões pulmonares em um período muito menor do que o observado entre fumantes de cigarros tradicionais.

O vape é muito prejudicial, e suas lesões se instalam nos pulmões mais rapidamente que o cigarro convencional. Apenas alguns meses de uso podem levar a lesões que o cigarro levaria vários anos para causar

Elnara Márcia Negri, médica pneumologista ao Estadão.

Além dos riscos respiratórios, estudos também associam os cigarros eletrônicos ao aumento da dependência de nicotina, problemas cardiovasculares e impactos na saúde mental.

QUANDO PROCURAR AJUDA MÉDICA?

Pessoas que utilizam vape e apresentam sintomas respiratórios persistentes devem procurar avaliação médica o quanto antes.

Tosse frequente, falta de ar, chiado no peito e redução da capacidade física podem indicar alterações pulmonares que merecem investigação.

Especialistas reforçam que a informação continua sendo a principal ferramenta para prevenir complicações. Embora os cigarros eletrônicos sejam frequentemente associados a aromas agradáveis e aparência moderna, os riscos à saúde podem ser sérios e, em alguns casos, permanentes.

Fonte: Folha Vitória

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