Imagem mostra o carro verde de Wallace Lovato (destaque) e o veículo cinza usado pelos criminosos. Foto: Videomonitoramento
Bruno Valadares de Almeida, Arthur Neves de Barros, Arthur Laudevino Candeas Luppi, Bruno Nunes da Silva e Eferson Ferreira Alves, acusados de envolvimento no assassinato do empresário Wallace Borges Lovato, em junho do ano passado, em Vila Velha, vão sentar no banco dos réus no dia 30 de novembro.
O júri popular vai acontecer no Fórum de Vila Velha, com início marcado para as 13h. Há previsão de continuação do julgamento para o dia seguinte, 1º de dezembro, a partir de 9h.
Os réus responderão por homicídio qualificado e adulteração de sinal de identificação de veículo automotor.
Bruno Valadares de Almeida, apontado como mandante do crime, responderá também pelo crime de constituição e integração de milícia ou organização armada privada. Ele era diretor financeiro da Globalsys, empresa fundada por Wallace, e havia sido demitido após a descoberta de desvios financeiros.
Segundo as investigações,Almeida teria movimentado cerca de R$ 9 milhões da empresa para contas pessoais. Odinheiro foi usado para ostentar uma vida de luxo, com propriedades, terrenos, carros e joias.
Ao descobrir os desvios, Wallace contratou uma auditoria externa. Com receio de ser descoberto, Bruno teria então planejado e contratado a execução do empresário.
Na época, a família do empresário recebeu a notícia do júri popular com esperança. Por meio de nota, os advogados dos familiares informaram que é impossível ignorar a gravidade do crime, o que colaborou com a decisão.
“Trata-se de um homicídio triplamente qualificado, com circunstâncias já apuradas pela Polícia Civil e confirmadas em depoimentos. A família acredita que a Justiça será feita e que os responsáveis serão condenados”, disse a defesa da família de Wallace.
Relembre a morte do empresário Wallace Lovato
Ocrime aconteceu na tarde de 9 de junho de 2025, uma segunda-feira, na Praia da Costa. A polícia logo foi acionada e, ao chegar no local, identificou um dos veículos possivelmente usado pelos criminosospor meio de imagens de câmeras de segurança da região.
A Polícia Rodoviária Federal foi acionada para identificar o carro e localizá-lo. Na mesma noite, investigadores descobriram que a placa do veículo que aparecia nas imagens era falsa.
O carro dos suspeitos foi localizado no dia seguinte,abandonado próximo à alça da Terceira Ponte. Por meio do chassi, a polícia descobriu que o veículo veio de Minas Gerais com outra placa.
Os investigadores entraram em contato com a Polícia Civil mineira e descobriram que a placa identificada na chegada ao Espírito Santo também era falsa.
Em vistoria, a Polícia Científica coletou digitais no veículo encontrado próximo à Terceira Ponte. Em paralelo, os investigadores analisaram as imagens de câmeras de segurança em que o carro aparecia.
A polícia descobriu que oveículo chegou ao Espírito Santo sem insulfilme. Em 3 de junho, seis dias antes do crime, o carro passou na Rodovia Darly Santos com os vidros claros e, pouco depois, foi visto na Segunda Ponte, trafegando em direção a Vitória, com o vidro escurecido.
A partir de então, os investigadores buscaram locais onde o insulfilme pudesse ter sido colocado no veículo.
Com apoio de imagens cedidas pela Prefeitura de Vitória, os investigadores viram pela primeira vez um dos possíveis participantes no crime: um homem. Como ele estava com a cabeça baixa, não foi possível usar as ferramentas de reconhecimento facial para identificá-lo.
No dia 14, a polícia descobriu o local onde o insulfilme foi instalado e identificou o rapaz:Arthur Laudevino Candeias Luppi. Ele teve opedido de prisão expedido. Os investigadores descobriram que ele fugiu para Minas Gerais. Uma megaoperação foi montada e Arthur acabou preso.
Em depoimento, ele confessou que dirigia o crime e indicouBruno Nunes da Silvacomo intermediário do assassinato,Arthur Neves de Barroscomo o atirador eEfersonFerreira Alvescomo um dos participantes. Eferson, no entanto, desistiu do crime.
Os mandados de prisão foram expedidos.Arthur Neves foi preso na Paraíba.EfersonFerreira Alves e Bruno Nunes da Silva não foram localizados durante as buscas.
Cinco dias depois, em 19 de junho,Efersonse entregou à polícia. Bruno segue foragido até o momento da publicação desta reportagem.
Em depoimento, Efersonconfessou o envolvimento e confirmou as informações já passadas por Arthur Laudevino. Segundo o depoimento do rapaz, Bruno Nunes seria o único com contato direto com o mandante do crime, que fazia pagamentos mensais de R$ 10 mil em espécie.
Em 27 de junho, informações falsas circularam sobre a prisão de Bruno Nunes. Na segunda-feira seguinte, 30 de junho, umadvogado procurou a polícia e disse que um cliente fazia pagamentos mensais ao suspeito a mando da vítima. Contudo, a polícia não encontrou indícios no celular de Wallace que confirmavam a informação.
Diante disso, a polícia pediu a prisão temporária do diretor da empresa de Wallace, Bruno Valadares de Almeida.Ele foi preso em casa. No local, a polícia encontrou ouro e carros de luxo. Em depoimento, ele negou o envolvimento e afirmou que quem mandava ele enviar o dinheiro a Bruno Nunes era a vítima.
Fonte: Folha Vitória