Além dos brasileiros, a combinação de arroz e feijão também é vista com bons olhos pela Organização das Nações Unidas (ONU). Isso porque, em 2025, a Food and Agriculture Organization (FAO) reconheceu o prato como um dos mais saudáveis do mundo.
Essa é uma boa notícia para a maior parte da população do Brasil já que, segundo a pesquisa mais recente da Embrapa, um brasileiro consome, em média, 34kg de arroz e 13,5 kg de feijão por ano.
Por que isso importa: embora os hábitos alimentares estejam em constante mudança, a dupla permanece relevante tanto pela qualidade nutricional quanto pelo custo-benefício. Além disso, representa uma parte essencial da economia local.
Um estudo da Universidade de Harvard, que ajudou a colocar o arroz e o feijão nas graças da ONU, aponta que a dupla representa uma refeição completa, oferecendo:
Para a nutricionista Julia Siquara, o sucesso do arroz com feijão está diretamente ligado ao equilíbrio nutricional oferecido pela combinação.
Reúne diferentes nutrientes essenciais em uma única refeição: carboidratos, proteínas, fibras, vitaminas e minerais. É como montar um time completo, em que cada alimento contribui com uma função importante para o organismo.
Julia Siquara, nutricionista do Hospital Santa Rita
Segundo a especialista, o arroz fornece os carboidratos necessários para garantir energia ao corpo, enquanto o feijão oferece proteínas, fibras, ferro, magnésio, potássio e vitaminas do complexo B, fundamentais para diversas funções do organismo.
Tradição que resiste às mudanças
Mesmo diante da popularização de novos hábitos alimentares e do aumento do consumo de refeições prontas e ultraprocessadas, o arroz e o feijão seguem ocupando espaço importante na rotina alimentar do país.
Para Pedro Orione, diretor da Sepé, de propriedade da Cotrisel, a combinação continua sendo a referência do prato do brasileiro. A empresa, referência no setor alimentício, conta com mais de 60 anos de história e tem o arroz e o feijão como o centro de tudo.
O arroz e o feijão continuam sendo o prato do brasileiro. Pode haver alguma mudança de hábito, mas essa combinação continua oferecendo aquilo que as pessoas precisam no dia a dia: energia, praticidade e versatilidade
Pedro Orione, diretor da Sepé
Segundo ele, o consumo permanece especialmente forte entre as famílias de renda mais baixa e entre trabalhadores que dependem de refeições mais completas e acessíveis para enfrentar a rotina.
Em números: segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018: Análise do Consumo Alimentar Pessoal no Brasil, o arroz e o feijão são frequentes em 81,2% das residências de baixo rendimento. Nas de alto rendimento, o número é de 67,1%.
A percepção da FAO sobre a dupla de alimentos é similar, segundo o represente regional da organização, Raúl Benítez. “Essa mistura é a base da dieta tradicional de muitos lugares da América Latina e Caribe, como o feijão com milho, ou o feijão com arroz que muitos de nós crescemos comendo”, relatou em entrevista, concedida em 2025.
Uma cadeia que movimenta a economia
Além de alimentar milhões de brasileiros diariamente, arroz e feijão também movimentam uma extensa cadeia produtiva, responsável pela geração de empregos e renda em diferentes regiões do país.
No caso da Sepé, embora a produção do arroz aconteça na região Sul do país — como cerca de 80% da produção nacional —, a maior parte dos seus consumidores está em território capixaba.
“Temos uma participação de 40% mercado e é um estado em que temos uma forte participação de marca”, explica Pedro Orione. “Isso também impacta a economia local, gerando empregos e renda para muitas pessoas envolvidas no processo.”
Essa forte presença no mercado local se deve à famílias como a da servidora pública Marcela Oliveira, que não abre mão da boa e velha combinação de arroz e feijão.
Comemos com ovo, comemos com legume e verdura, mas sempre tem que ter o arroz e feijão.
Marcela Oliveira, servidora pública
Em meio às transformações do comportamento alimentar, especialistas reforçam que o arroz com feijão permanece atual justamente por reunir características cada vez mais valorizadas pelos consumidores: equilíbrio nutricional, acessibilidade, versatilidade e tradição.
Mais do que um hábito cultural, a combinação representa um exemplo de alimentação baseada em evidências científicas e acessível para grande parte da população. O clássico prato brasileiro segue mostrando que, muitas vezes, o básico continua sendo uma das melhores escolhas para a saúde.
Fonte: Folha Vitória