Unidade Frisa: possibilidade de ampliar atuação no maior mercado de carne do mundo. Foto: Divulgação/ Frisa
A China retirou a suspensão sobre a unidade da Frisa em Nanuque (MG) e voltou a habilitar o frigorífico para exportar carne bovina ao maior mercado consumidor do mundo. A retomada ocorreu nesta terça-feira (19), após reunião entre o governo brasileiro e a Administração-Geral das Alfândegas da China (GACC), em Pequim. Nesse sentido, o movimento recoloca a empresa fundada no Espírito Santo em uma rota estratégica de crescimento internacional.
A suspensão durava desde março de 2025 e atingia a unidade da Frisa em Nanuque (SIF 2051), além de outros dois frigoríficos brasileiros. São eles uma planta da JBS, em Mozarlândia (GO), e a Bon-Mart Frigorífico, de Presidente Prudente (SP). Do mesmo modo, a retomada das compras já consta na plataforma oficial da GACC, responsável pelas autorizações sanitárias para exportação ao país asiático. Hoje, 66 frigoríficos brasileiros estão habilitados a vender carne bovina para a China.
O peso da decisão vai além da retomada operacional. A Frisa é uma das empresas mais tradicionais da proteína animal brasileira e nasceu em Colatina, em 1968. Atualmente, possui três plantas industriais: no Espírito Santo, Minas Gerais e Bahia. Além disso, emprega mais de 3 mil pessoas e tem capacidade de abate próxima de 1.500 bovinos por dia. A empresa exporta para mais de 60 países, incluindo Estados Unidos, Oriente Médio, Europa e a própria China, um dos destinos mais estratégicos da carne bovina brasileira.
Frisa fatura alto de olho em exportações
A reabertura do mercado chinês acontece em um momento relevante para a companhia. Aproximadamente 60% do faturamento da Frisa vem das exportações. Em 2024, a empresa superou R$ 3 bilhões em receita e projetava alcançar R$ 4 bilhões em 2025, apoiada justamente no avanço das vendas internacionais. Bem como em investimentos de cerca de R$ 60 milhões para modernização e ampliação das operações, especialmente na unidade de Colatina.
Em nota, a Frisa afirmou que a retomada das compras pela China é resultado do trabalho conjunto entre as autoridades brasileiras, a Presidência do Frisa e o Governo Chinês. “A retomada das compras reforça a confiança do mercado internacional na qualidade dos nossos produtos, na segurança dos nossos processos e no compromisso permanente com os mais altos padrões exigidos mundialmente”, disse a empresa por meio de nota.
A Frisa disse ainda que segue comprometida “com excelência, responsabilidade e melhoria contínua em cada etapa da nossa produção”.
A reabilitação da unidade mineira tem efeito que ultrapassa os portões do frigorífico: ela ajuda a sustentar a presença de uma empresa de origem capixaba em um dos mercados mais disputados do planeta. Além disso, preserva uma engrenagem importante da cadeia de proteína animal ligada ao Espírito Santo.
Fonte: Folha Vitoria