Imagem: Divulgação Canva
Em um cenário de transformações demográficas, avanço tecnológico e ampliação da demanda por cuidados, a saúde tem reforçado seu papel estratégico no desenvolvimento econômico e social do Espírito Santo. Dados do último relatório do Caged, publicado em 2026, apontam que o setor mantém trajetória consistente de crescimento, acompanhando a expansão da capacidade assistencial e o fortalecimento das redes de atendimento no Estado.
Para isso, tivemos a análise de Karina Tonini, professora do Departamento de Saúde Coletiva da Ufes e pesquisadora da Saúde do Connect Fecomércio-ES, que fala com exclusividade para a Coluna sobre a análise do relatório para a saúde.
Ela explica que o movimento observado reflete mudanças estruturais que vêm redesenhando o setor. “O desempenho superior da saúde em relação ao conjunto dos serviços foi observado de forma recorrente ao longo de 2025 e permanece nos primeiros meses de 2026. Esse movimento pode ser explicado, principalmente, pela ampliação da capacidade assistencial e pelo aumento contínuo da demanda por cuidados em saúde, especialmente em segmentos de maior intensidade operacional, como hospitais, serviços especializados e apoio diagnóstico”, afirma a professora Karina Tonini.
Segundo a pesquisadora, trata-se de um processo sustentado por fatores de longo prazo. Entre eles estão o envelhecimento populacional, a maior busca por cuidados preventivos, a incorporação de novas tecnologias e a expansão dos serviços tanto no setor privado quanto no Sistema Único de Saúde. “O Espírito Santo também vem registrando investimentos relevantes em infraestrutura, abertura de novos serviços e fortalecimento das redes assistenciais, o que impulsiona diretamente a expansão do setor”, destaca.
Expansão da rede acompanha novas demandas da população
A consolidação desse ambiente de crescimento acompanha uma mudança importante no perfil da demanda em saúde. O aumento da longevidade, a necessidade de atendimento especializado e o fortalecimento de práticas preventivas vêm exigindo estruturas mais robustas, equipes qualificadas e maior capacidade de resposta por parte das instituições.
Outro aspecto destacado por Karina é a própria natureza da atividade. “A saúde possui menor capacidade de automação total quando comparada a outras áreas da economia, mantendo elevada necessidade de profissionais qualificados.” Para ela, esse fator reforça o caráter estratégico do segmento e sua capacidade de acompanhar transformações sociais e demográficas de forma contínua.
Força feminina segue como marca do setor
O levantamento também evidencia a forte presença feminina na dinâmica de crescimento da saúde. Segundo Karina Tonini, trata-se de uma característica histórica. “As mulheres representam a maior parte da força de trabalho em atividades relacionadas ao cuidado, assistência, acolhimento e serviços de saúde de maneira geral. Esse fenômeno não acontece apenas no Espírito Santo, mas em praticamente todo o Brasil”, salienta.
Participação Feminina no Contexto Capixaba
No contexto capixaba, a pesquisadora observa que a participação feminina permanece central para a sustentação e expansão das atividades. Ao mesmo tempo, o cenário traz reflexões importantes sobre liderança, valorização profissional e equidade de oportunidades dentro das organizações de saúde.
Tecnologia, qualificação e cuidado humanizado
Outro movimento observado é a ampliação da demanda por funções técnicas, operacionais e de apoio assistencial. Para Karina, essa tendência acompanha a modernização dos serviços e a incorporação de novas tecnologias. “Existe, de fato, uma expansão das funções técnicas, operacionais e de apoio assistencial, impulsionada pela ampliação dos serviços, pela digitalização dos processos e pela incorporação de novas tecnologias em saúde”.
O Cuidado Centrado no Paciente e Competências Relacionais
Ela ressalta, no entanto, que a transformação não se resume à dimensão tecnológica. “O movimento mais relevante é a consolidação de um modelo baseado no cuidado centrado no paciente”.
Na prática, isso significa que o setor passa a demandar profissionais capazes de atuar em ambientes tecnologicamente mais complexos, mas também preparados para desenvolver competências relacionais. “Hoje, o setor busca trabalhadores capazes de exercer escuta qualificada, atuar em equipe, estabelecer vínculos de confiança e oferecer um atendimento mais humanizado”, explica.
Sustentabilidade depende de investimentos contínuos
Embora o cenário siga positivo, Karina avalia que a continuidade desse ritmo de expansão dependerá da manutenção dos investimentos públicos e privados. A abertura de novos serviços, ampliação de leitos, modernização tecnológica e fortalecimento das redes assistenciais seguem como fatores decisivos para acompanhar o crescimento da demanda por cuidados.
A Importância dos Investimentos para a Expansão
“Existe uma tendência de continuidade da expansão, sobretudo pela demanda reprimida e pela necessidade crescente de serviços especializados. Entretanto, parte do crescimento recente decorre justamente da abertura e consolidação de novos serviços. Caso não haja continuidade dos investimentos públicos e privados, o setor pode entrar em um processo de acomodação”, pondera.
Na análise da pesquisadora, a saúde permanece como um dos setores mais estratégicos e resilientes da economia capixaba. Mais do que indicadores conjunturais, os dados revelam um movimento de transformação que combina ampliação da capacidade assistencial, inovação tecnológica e fortalecimento da rede de cuidado no Espírito Santo.
Fonte: Folha Vitória