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Chupeta: saiba qual causa menos impacto no desenvolvimento da boca

Entenda como o tipo e o tempo de uso da chupeta influenciam a saúde bucal infantil e saiba como reduzir riscos

Por Redação em 04/04/2026 às 05:00:10
Imagem de pvproductions no Freepik

Imagem de pvproductions no Freepik

A chupeta faz parte da infância de muitas famílias. Para alguns pais, ela é uma aliada importante para acalmar o bebê, ajudar no sono ou reduzir a ansiedade nos primeiros anos de vida. No entanto, quando falamos em saúde bucal e desenvolvimento da face, o tipo de chupeta utilizado e o tempo de uso podem fazer diferença.

Antes de qualquer coisa, é importante deixar claro: cada família faz suas escolhas dentro da sua realidade, cultura e rotina. O objetivo da orientação odontológica não é julgar ou culpar os pais, mas oferecer informação para que as decisões sejam feitas de forma consciente e segura.

Quais alterações a chupeta causa

A ciência já demonstrou que a sucção não nutritiva — como chupar chupeta ou dedo — pode interferir no crescimento da boca quando persiste por muito tempo. Estudos publicados em revistas científicas como o American Journal of Orthodontics and Dentofacial Orthopedics e o Journal of Pediatric Dentistry mostram associação entre o uso prolongado de chupeta e alterações na posição dos dentes e no formato das arcadas, além de poder contribuir para o fim do aleitamento materno.

Entre as alterações mais comuns estão:

Mordida aberta anterior – quando os dentes da frente não encostam ao fechar a boca.

Mordida cruzada posterior – quando os dentes superiores ficam “por dentro” dos inferiores.

Estreitamento do céu da boca (palato).

Projeção dos dentes superiores para frente.

Essas alterações acontecem porque a chupeta ocupa espaço dentro da boca e exerce pressão constante sobre dentes, gengivas e ossos em desenvolvimento.

Mas um detalhe pouco comentado fora do meio odontológico é que nem todas as chupetas têm o mesmo impacto.

O formato da chupeta faz diferença

Existem basicamente três tipos principais de bico de chupeta:

Chupeta convencional (redonda ou tipo “cereja”)

É o modelo tradicional, com bico arredondado e volumoso. Esse formato ocupa mais espaço dentro da boca e pode pressionar o céu da boca e os dentes anteriores com maior intensidade quando usado por muito tempo.

Chupeta ortodôntica

Possui o bico achatado na parte inferior e mais fino na região que encosta no céu da boca. A ideia desse design é permitir uma posição mais fisiológica da língua e reduzir a pressão sobre as estruturas da boca.

Diversos estudos mostram que esse formato tende a causar menos alterações quando comparado às chupetas tradicionais, especialmente quando o uso é moderado.

Chupetas chamadas de “retro” ou retrô

Nos últimos anos, voltaram à moda modelos inspirados em chupetas antigas, com bicos maiores e arredondados, muitas vezes feitos de látex natural.

Apesar da estética charmosa e vintage, do ponto de vista odontológico esses modelos costumam ser mais desfavoráveis. O bico geralmente é mais volumoso, ocupa mais espaço na cavidade oral e exerce maior pressão nas arcadas dentárias.

Por isso, muitos odontopediatras e ortodontistas orientam cautela com esse tipo de chupeta, principalmente se o uso for frequente ou prolongado.

Então qual é a melhor chupeta?

Do ponto de vista científico, se a criança for usar chupeta, algumas orientações ajudam a reduzir riscos:

Preferir modelos ortodônticos, com bico mais fino e achatado.

Escolher chupetas proporcionais à idade da criança.

Evitar bicos muito grandes ou muito rígidos.

Não estimular o uso constante durante o dia.

Evitar mergulhar a chupeta em açúcar ou mel.

Planejar a retirada progressiva idealmente até os 2 ou 3 anos de idade.

A literatura científica mostra que quanto menor o tempo de uso, menores são as chances de alterações permanentes. Muitas vezes, quando a chupeta é abandonada cedo, o próprio crescimento da face corrige pequenas mudanças espontaneamente.

O acompanhamento odontológico na infância é fundamental para avaliar o crescimento da face e orientar os pais de forma individualizada.

Cada criança tem um padrão de crescimento diferente, e fatores como respiração bucal, genética, posição da língua e hábitos orais também influenciam o desenvolvimento da arcada dentária.

Por isso, o objetivo da orientação profissional não é simplesmente dizer “use” ou “não use” chupeta, mas avaliar cada caso com cuidado e acompanhar o desenvolvimento da criança ao longo do tempo.

A criação de um filho envolve milhares de decisões. Muitas vezes, a chupeta ajuda os pais em momentos de cansaço, cólica ou dificuldade para dormir — e isso também precisa ser respeitado.

O mais importante é que as famílias tenham acesso à informação de qualidade para escolher com tranquilidade.

Se a chupeta fizer parte da rotina do seu bebê, prefira modelos ortodônticos, observe o tempo de uso e converse com o odontopediatra ou ortodontista durante as consultas de acompanhamento.

Pequenas escolhas hoje podem contribuir para um desenvolvimento mais saudável da boca e do sorriso no futuro — sempre com informação, equilíbrio e respeito às decisões de cada família.

Se você quer saber mais sobre o assunto, navegue nas nossas colunas! Publicamos há um tempo atrás, dicas sobre como ajudar seu filho a parar de chupar chupeta!

Fonte: Folha Vitória

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