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A obesidade é frequentemente associada a doenças como diabetes e problemas cardiovasculares, mas muitas pessoas não sabem que ela também afeta diretamente os rins.
Na prática clínica, observo um número crescente de pacientes com excesso de peso que apresentam alterações precoces na função renal, muitas vezes sem qualquer sintoma. Esse impacto ocorre porque os rins precisam trabalhar mais para filtrar o sangue em um organismo com maior demanda metabólica, o que, ao longo do tempo, pode levar a lesões progressivas.
O excesso de peso provoca alterações importantes no funcionamento dos rins. Entre elas, o aumento da pressão dentro das estruturas responsáveis pela filtração, inflamação crônica e alterações hormonais que favorecem a retenção de sódio e líquidos.
Esse conjunto de fatores pode levar ao surgimento de proteína na urina, elevação da pressão arterial e perda gradual da função renal. Mesmo na ausência de diabetes ou hipertensão, a obesidade por si só já representa um fator de risco independente para o desenvolvimento de doença renal crônica.
Outro ponto importante é que a obesidade também acelera a progressão de doenças renais já existentes. Pacientes com excesso de peso apresentam maior risco de evolução para estágios mais avançados da doença, com impacto direto na qualidade de vida e aumento do risco cardiovascular. Isso ocorre porque coração e rins funcionam de forma integrada, e qualquer sobrecarga em um desses órgãos afeta diretamente o outro.
A boa notícia é que intervenções precoces fazem grande diferença. A perda de peso, mesmo em níveis moderados, reduz a sobrecarga renal, melhora o controle da pressão arterial e diminui a inflamação sistêmica. Além das mudanças no estilo de vida, novas medicações têm revolucionado a forma como protegemos os rins.
Os inibidores de SGLT2, inicialmente desenvolvidos para o tratamento do diabetes, demonstraram reduzir significativamente a progressão da doença renal crônica e proteger o sistema cardiovascular. Mais recentemente, os agonistas do GLP-1, amplamente utilizados no tratamento da obesidade, também mostraram benefícios importantes na preservação da função renal.
Esses avanços mudaram a forma como encaramos a obesidade, que deixou de ser apenas uma questão estética e passou a ser reconhecida como uma condição médica tratável, com impacto direto na saúde dos rins e do coração. O diagnóstico precoce, associado a mudanças no estilo de vida e ao uso adequado dessas novas terapias, permite reduzir significativamente o risco de progressão da doença renal.
Cuidar do peso é cuidar dos rins e do coração ao mesmo tempo. Identificar o problema cedo e agir de forma adequada é uma das estratégias mais eficazes para preservar a saúde e evitar complicações futuras.
Fonte: Folha Vitória