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Polícia

Mensagens revelam relação entre advogada e ex-chefe da Guarda para ajudar criminosos

Investigação resultou na prisão de três advogados e três agentes da Guarda Municipal de Vila Velha; entenda as acusações


Foto: Reprodução/Tv Vitória

Um inquérito sigiloso do Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) revela, com riqueza de detalhes, como uma facção criminosa se estruturou e operava na região da Grande Terra Vermelha, em Vila Velha, com apoio de agentes públicos e advogados.

A equipe da TV Vitória/Record teve acesso exclusivo ao documento, que reúne 248 páginas e apresenta provas sobre a atuação do grupo criminoso, incluindo interceptações telefônicas, troca de mensagens e registros de articulações internas.

A investigação resultou na Operação Telic, realizada nesta quinta-feira (26), com a prisão de três guardas municipais e três advogados suspeitos de integrar o esquema.

Estão sendo investigados o ex-comandante daGuarda Municipal,Iuri Souza Silva, e os guardas municipaisAntônio Nélio JubinieRenato Messias; além dos advogadosBárbara Bastos, esposa de Iuri,Wesley GuedeseDriele Ferreira. Antônio Nélio atuava no setor de inteligência da Guarda.

Segundo o MPES, o grupo é suspeito de repassar informações estratégicas para o Primeiro Comando de Vitória (PCV), facção que atua na região e que, conforme a investigação, recebia ordens de dentro de unidades prisionais, com o apoio direto de advogados e familiares.

O líder da organização, de acordo com o inquérito, é Cleuton Gomes Ferreira, conhecido como “Frajola”, apontado como responsável por comandar o tráfico em Terra Vermelha mesmo estando preso.

Qual a estrutura do esquema?

As investigações começaram em 2024, quando o Ministério Público já monitorava a atuação da facção. Com o avanço das apurações, especialmente por meio de interceptações telefônicas, os promotores chegaram ao núcleo formado por guardas municipais e advogados.

Além disso, o inquérito aponta que Iuri Souza Silva e Bárbara Bastos eram os principais articuladores do esquema. Ela atuava como advogada de Frajola, já Iuri ajudava dando informações privilegiadas sobre prisões, apreensões e operações da policia.

A parceria criminosa, segundo o MP, teria começado ainda em 2023, no início do relacionamento entre os dois, quando Iuri ocupava o comando da Guarda Municipal.

Troca de conversas entre investigados e facção

Durante o documento, são presentes diversas trocas de mensagens que indicam a atuação direta dos investigados em benefício da facção criminosa.

No dia 11 de julho de 2023, Bárbara enviou uma mensagem para Iuri perguntando se estava acontecendo alguma operação em Terra Vermelha. A preocupação do Frajola, chefe preso, era com um traficante que havia sido detido com muita droga.

O pai me ligou. Disse que era para ir no Cleiton agora urgente”.

Já no dia 4 em abril de 2023, Iuri recebeu esse bilhete e a foto de um traficante. Em nova troca de mensagens, o comandante da Guarda pergunta para a namorada se ela conhecia a pessoa da foto. Bárbara responde que sim.

O guarda afirma que acabou de abordar o enteado do traficante e, em seguida, ela destaca que tinha acabado de conversar com ele por telefone.

As conversas mostram que Bárbara tinha conhecimento das atividades ilícitas e demonstrava preocupação com possíveis consequências, como perda de cargo e prisão. Já Iuri não mostrava arrependimento.

Em outra conversa, Bárbara diz: “Iuri, eu não quero ver você estragando sua carreira por mim, se você está aqui pode perder sua bonificação de chefia e seu nome pode ir ao chão.”

Com o avanço do esquema, outros guardas passaram a integrar a organização. O grupo interno era conhecido como “Geral da Bravo”, em referência ao setor da Guarda Municipal.

Em uma das conversas, Iuri manda uma foto para Bárbara de “catuques”, bilhetes repassados de traficantes presos para integrantes de organização criminosa. Bárbara afirma que ela e o comandante poderiam ganhar R$ 50 mil pelos bilhetes.

Além disso, o inquérito aponta que havia contato direto com o líder da facção dentro do sistema prisional.

Planos criminosos e vazamento de informações

As investigações também revelam que o grupo teria ultrapassado o repasse de informações, chegando a articular ações contra rivais do tráfico.

Segundo o MP, Bárbara Bastos teria intermediado informações sobre localização de alvos, enquanto Iuri utilizava sua posição para consultar dados sigilosos e organizar ações.

Há ainda indícios de planejamento de homicídio, com troca de informações entre os investigados e integrantes da facção.

Rede paralela de informantes

Outro ponto destacado no inquérito é a existência de uma rede paralela de informantes, utilizada por Iuri para obter dados sobre tráfico de armas e drogas. Essas informações, segundo o MP, eram usadas para simular operações, com posterior devolução de materiais à facção.

As mensagens também revelam proximidade entre agentes públicos e suspeitos de tráfico. De acordo com o Ministério Público, o nível de intimidade e colaboração evidencia o comprometimento de agentes públicos com a organização criminosa.

Em uma das conversas, um homem pede que Iuri leve drogas para ele, porém o guarda afirma que não estava de serviço.

O caso segue sob investigação, e novas fases da operação não estão descartadas. A reportagem tentou contato com os advogados dos suspeitos. O espaço segue aberto.

*Com informações do repórter André Falcão da TV Vitória/ Record

Folha Vitória

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