banner viana
anucie aqui * 728x90-1
vila velha
assembleia legislativa
vila velha apae

Feminicídio de comandante da Guarda em Vitória expõe violência em relações abusivas e dificuldade das mulheres em pedir ajuda

A morte da comandante da Guarda Municipal deVitória,Dayse Barbosa Mattos, assassinada pelo namorado, o policial rodoviário federalDiego Oliveira de Souza,chamou a atenção por mos

Por Redação em 26/03/2026 às 05:00:45
MAIS SOBRE O CASO:

MAIS SOBRE O CASO:

A morte da comandante da Guarda Municipal deVitória,Dayse Barbosa Mattos, assassinada pelo namorado, o policial rodoviário federalDiego Oliveira de Souza,chamou a atenção por mostrar quenenhuma mulher está imune à violência de gênero, independentemente da função que ocupa. O caso também expõe um padrão recorrente nos feminicídios, que é ocontrole exercido pelo agressor.

“O caso foi tão emblemático porque mostra que não é sobre quem é a vítima, porque a Dayse era uma mulher forte, uma autoridade.A violência de gênero é sobre quem é o homem

”, disse a delegada Raffaella Almeida Aguiar, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM).

A comandante foi morta nesta segunda-feira (23), com cinco tiros na cabeça dentro de casa, no bairro Santo Antônio, em Vitória. Segundo a família, o policial rodoviáriousou uma escada para invadir o imóvel. Depois do crime, foi até a cozinha e tirou a própria vida.

O PRF, que tirou a própria vida após matar Dayse, pode ter cometido o crime pornão aceitar o fim do relacionamento. Segundo a delegada, as investigações apontam que a guarda tentava romper com o PRF, um homem considerado “possessivo e extremamente controlador.”

No Espírito Santo,35 feminicídios foram registrados em 2025, segundo o Observatório de Segurança Pública da Sesp.Em 2026, já são cinco vítimas, incluindo o caso de Dayse, o primeiro em Vitória apósmais de 650 dias sem registros desse tipo de crimena capital.

“POSSESSIVO”:Policial rodoviário matou chefe da Guarda de Vitória após ela pedir fim do namoro, diz polícia

ASSASSINATO:Chefe da Guarda morta por namorado PRF lutava contra o feminicídio: ‘Ela não conseguiu salvar a própria vida’, diz secretário

NA MADRUGADA:‘Já flagrei ele tentando enforcar a Dayse’, diz pai de guarda morta pelo namorado PRF

A secretária estadual das Mulheres, Jacqueline Moraes, falou sobre afalsa sensação de proteção associada à posição de poder da vítima.

“É um lugar de impotência. Não adianta a gente falar da autodefesa da mulher. A Dayse estava no comando, tinha uma arma, mas a covardia do seu algoz é de um limite, que pega uma mulher dormindo, entra na casa dela e faz”, desabafou.

Sociedade deve olhar para os homens

Para a delegada Raffaella, a sociedade precisa entender que a violência de gênero está ligada a umsentimento de posse.

“É sobre a mulher não querer mais aquele relacionamento e sobre ele falar: ‘Você é minha, e agora você vai pagar até mesmo com a sua vida, porque, a partir do momento que eu enxergo que você é meu objeto, você é um instrumento da minha dominação'”, declarou.

De acordo com a investigação, o policial rodoviário não aceitava o fim do relacionamento. O pai da comandante, queestava em casa no momento dos disparos, confirmou que a filha queria terminar com Diego.

Segundo a delegada, após a morte de Dayse, surgiram relatos que indicam comportamentos típicos de relações abusivas, como ciúme excessivo, possessividade e controle, sinais que, muitas vezes, antecedem episódios mais graves de violência.

“A violência não começa no momento que houve aquele primeiro disparo que ceifou a vida dela. A violência começa naquele primeiro controle, naquela hora que ele vai falar: ‘essa roupa não é adequada’, ‘você não vai conversar com fulano’. Então, perceber essa violência e procurar ajuda não é um ato de fraqueza, mas sim de coragem”, disse.

Veja sinais de alerta em relações abusivas:

Controle disfarçado de cuidado, com tentativas de decidir roupas, rotina ou amizades;

Ciúme excessivo e comportamento possessivo;

Tentativas de afastar a mulher de amigos e familiares;

Necessidade de domínio e tratamento da parceira como propriedade;

Dificuldade em aceitar o fim do relacionamento;

Alternância entre afeto e atitudes de controle ou intimidação;

Minimização de comportamentos abusivos, com justificativas como “é cuidado”;

Escalada gradual da violência, que pode evoluir para agressões físicas.

A delegada Raffaella também destacou que a ausência de registros formais não significa que a violência não existia. No caso de Dayse, não havia boletim de ocorrência anterior.

Para a gerente de Proteção à Mulher da Sesp, delegada Michele Meira, o caso evidencia um desafio adicional, que é a dificuldade de mulheres, inclusive as que atuam no enfrentamento à violência, em buscar ajuda.

“Eu acho que a gente precisa também reconhecer o quanto é desafiador para uma mulher que trabalha no enfrentamento da violência contra a mulher ter a atitude de buscar ajuda. Por muitas vezes, essas mulheres se sentem envergonhadas, se sentem com medo do que a repercussão que isso pode dar para sua carreira, para o seu trabalho. E muitas vezes elas não acabam não buscando ajuda”, afirmou.

A comandante da Guarda Municipal de Vila Velha, Landa Marques, que ocupa desde janeiro de 2025 o mesmo cargo ocupado por Dayse, também desabafou sobre o impacto do caso.

“A gente sai derrotada daqui hoje. Saber que a gente trabalha tanto, esse é o meu sentimento. A gente precisa parar de fazer politicagem com a causa das mulheres, parar de querer só engajamento e fazer algo de verdade, eu tô exausta hoje. Amanhã é outro dia”, lamentou.

Canais de denúncia gratuitos para mulheres vítimas de violência:

Disque 180 – Central de Atendimento à Mulher. Registra e encaminha denúncias aos órgãos competentes;

Disque 190 – Número para situações de emergências, ou seja, para casos de flagrante delito.

Peça ajuda e denuncie:Delegacias da mulher do ES: veja a lista e saiba quais funcionam 24 horas

A comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, cresceu na região da Grande Santo Antônio. Formada em Pedagogia, trocou a sala de aula pela corporação após passar em concurso um em 2012 e foi admitida em novembro de 2013.

Em janeiro de 2023, foi nomeada subsecretária e comandante da corporação, tornando-se aprimeira mulher a ocupar o cargo. Ela também tinha pós-graduação em Segurança Pública Municipal.

A guarda faria aniversário no próximo dia 3 de abril. Ela deixa uma filha de oito anos, fruto de um relacionamento anterior, com um sargento da Polícia Militar. A menina estava com a família paterna e não presenicou o crime.

Segundo o pai de Dayse, Carlos Roberto Teixeira, a filha e o policial rodoviário federal se relacionavam há cerca de quatro anos e os relatos de violência e agressões eram comuns. “Já tirei ele de cima dela. Uma vez,flagrei ele tentando enforcar a Dayse”, contou Carlos Roberto Teixeira.

Fonte: Portal Expresso Capixaba

Comunicar erro
anucie aqui * 728x90-2

Comentários

728x90-3
×