A instalação da fábrica da GWM (Great Wall Motors) no Espírito Santo promete ir muito além da geração direta de empregos e tributos. Um estudo divulgado em primeira mão pela coluna Data Business, de Orlando Caliman, revela que, para cada R$ 100 de aumento na demanda final por automóveis, via exportações e vendas, por exemplo, o Produto Interno Bruto cresce aproximadamente R$ 151. O número mostra o potencial multiplicador da indústria automotiva sobre toda a cadeia econômica.
A análise é de autoria de Celso Bissoli, pesquisador e professor do Departamento de Economia da Ufes O trabalho utiliza a matriz insumo-produto, ferramenta que permite identificar quais atividades econômicas são acionadas pela indústria automotiva, tanto nos chamados encadeamentos para trás quanto para frente na cadeia produtiva. Os dados mostram que a indústria automotiva ativa praticamente todos os setores da economia brasileira.
Para cada R$ 100 de demanda final gerada pelo setor automotivo, os efeitos para trás – ou seja, a demanda por insumos e fornecedores – somam R$ 87. Já os efeitos para frente, que englobam os serviços ativados a partir da produção, como transporte de automóveis, atacado e varejo, alcançam R$ 69.
Na prática, isso significa que a chegada da GWM ao estado não movimenta apenas a linha de montagem. Cerca de 40% da demanda do setor é direcionada à fabricação de peças e acessórios. Outros 8,6% vão para produtos de aço e 7,5% para borracha e material plástico. Serviços de transporte, além de atividades profissionais, técnicas e científicas, entre outros segmentos, também entram na conta.
Embora os cálculos considerem impactos em escala nacional, o estudo aponta que parte significativa desses efeitos tende, gradualmente, a ser absorvida e reciclada na economia estadual e local. A variável decisiva, segundo a análise, é a capacidade do estado de estruturar e qualificar cadeias de suprimentos de bens e serviços.
Em outras palavras: quanto mais fornecedores locais o Espírito Santo conseguir desenvolver, maior será o impacto da GWM na economia capixaba. A fábrica, nesse cenário, representa não apenas um investimento industrial, mas uma oportunidade de adensamento da cadeia produtiva do estado.
Fonte: Folha Vitoria