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Alta da construção civil no ES faz crescer demanda na cadeia de aço

Aço representa, historicamente, 20% do custo de uma obra. Já a construção civil movimenta R$ 9 bilhões por ano no Espírito Santo

Por Redação em 21/03/2026 às 05:00:29
Imagem: TV Vitória/Trilho Estúdio de Conteúdo

Imagem: TV Vitória/Trilho Estúdio de Conteúdo

No primeiro semestre de 2025, a Grande Vitória tinha mais de 17.177 unidades em construção no setor privado, 15,40% a mais do que o Censo Imobiliário feito pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-ES) apontou no ano anterior.

Já no setor público capixaba, de acordo com o painel de controle do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo (TCES), o valor total aplicado em obras e serviços, com assinatura entre março de 2022 e fevereiro de 2026, é de R$ 19,68 bi.

Por que isso importa: o ciclo de crescimento do setor de construção civil impacta diretamente a economia do Estado e aquece o mercado de materiais estruturais. Um dos mercados mais afetados é o do aço, que representa, historicamente, 20% do custo de obra.

Por que o mercado capixaba de construção está aquecido?

De acordo com o economista Wallace Millis, alguns fatores contribuem para a construção civil permanecer em alta no espírito Santo:

Ainda segundo o economista, a construção civil movimenta aproximadamente R$ 9 bilhões por ano no Espírito Santo, o que representa algo em torno de 4% do Produto Interno Bruto (PIB), além de gerar 75 mil empregos formais em atividades diversas.

“É um setor com um encadeamento produtivo muito interessante, que tem um efeito notável na multiplicação de emprego e renda, porque movimenta também toda a indústria de cimentos, os materiais, como aço, por exemplo, e também exige um esforço de movimentação logística e de presença de varejo forte”, explica Wallace Millis.

Brendo Bremenkamp, diretor executivo da Casa do Serralheiro, já está acostumando à alta demanda da construção, mas diz ter percebido um aumento recente na procura por materiais de base.

Vemos orçamentos chegando o tempo todo e clientes vendendo unidades antes mesmo do início das obras. Existe aquecimento em todos os níveis, da pequena à grande obra.”

Brendo Bremenkamp, diretor executivo da Casa do Serralheiro

A empresa capixaba está há mais de 15 anos no mercado e fornece materiais de aço, estruturas metálicas e ferragens para serralheiros e pequenas indústrias, atendendo mais de 10 mil clientes por mês.

O fato do setor de aço ter sentido o aquecimento do mercado de construção não é inesperado. De acordo com o economista Wallace Millis, “a variação de preços do aço provoca um impacto na dinâmica de mercado, porque é um insumo muito estratégico, sobretudo na parte estrutural.”

Já o serralheiro Leônidas Facchini aponta que o mercado capixaba de aço é altamente promissor, já que o estado é rico em metal.

As indústrias capixabas são algumas das melhores do Brasil, justamente por causa desse acesso, das facilidades de implementação e a possibilidade que o Espírito Santo tem com o porto e o resto do Sudeste.”

Leônidas Facchini, serralheiro

Valorização do aço e impacto na construção civil

Apesar do histórico positivo quanto ao valor do custo, o setor brasileiro de aço enfrentou uma queda nos últimos anos. De acordo com Brendo Bremenkamp, isso se deve à competição com o produto oferecido pela China.

“O aço representa hoje entre 11% e 12% do custo da obra, já que o preço está artificialmente baixo por causa do aço chinês, vendido abaixo do custo”, aponta o diretor executivo da Casa do Serralheiro.

Entretanto, essa dinâmica está em processo de mudança, já que o Brasil aplicou medidas de antidumping contra produtos chineses, como o aço laminado. Isso significa que os importados ganharam uma sobretaxa pelos próximos cinco anos, visando equilibrar a concorrência e proteger o mercado interno de danos materiais.

“Com o antidumping, o aço pode subir até 100% nos próximos meses. Isso vai aumentar o custo da construção civil e impactar o consumidor. Apesar disso, ainda temos espaço para crescer bastante dentro de um cenário saudável”, aponta Brendo.

O futuro da construção civil

Apesar de um possível aumento nos materiais e outras variações do mercado, a expectativa é de que o setor da construção civil permaneça aquecido. Isso impacta positivamente a economia local e nacional.

A construção civil tem um componente acentuadamente cíclico. Entretanto, a tendência é de um setor com mais capacidade empresarial para enfrentar as oscilações de mercado e um ajuste das estratégias de acordo com as possibilidades de cenário futuro.”

Leônidas Facchini, serralheiro

O avanço da construção civil no Espírito Santo tem impacto direto no mercado de aço, um dos principais insumos das obras e altamente sensível às variações de demanda e preço.

Esse cenário pode se intensificar com as medidas de antidumping contra produtos chineses, que tendem a elevar os preços no mercado interno.

A possível valorização do aço deve pressionar os custos da construção civil, com reflexos diretos para empresas e consumidores, mas a expectativa é de que as mudanças ocorram de forma saudável para ambos os lados.

Confira a reportagem completa:

Fonte: Folha Vitoria

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