Em meio à ascensão global do streetwear na última década, um episódio marcou a trajetória da marca capixaba High. O fundador, Diogo Roccon, relembra como, em 2016, uma viagem a Los Angeles acabou colocando suas peças no radar internacional.
No Brasil, a marca já esgotava seusdrops(lançamentos de coleções) em segundos. A partir daquele momento, porém, passou a ganhar projeção ainda maior.
Roccon costumava viajar com frequência para Los Angeles e passava temporadas imerso na cena local, especialmente na região da Fairfax Avenue, conhecida por concentrar lojas e referências do streetwear mundial.
Ele relata que chegou a acampar na área para absorver ao máximo a cultura urbana, que, à época, ainda era fortemente ligada à rua e distante do universo das grandes marcas de luxo.
“Nessa época streetwear não era Louis Vuitton ou moda de designers. Era feita por jovens que estavam na rua”, disse Diogo.
Em uma dessas viagens, ele levou uma mala com peças da High e conseguiu espaço em consignação na loja Brooklyn Projects, tradicional ponto de encontro da cena de skate e moda urbana na cidade. O ambiente, que contava inclusive com uma mini rampa, atraía nomes relevantes da cultura jovem americana.
Foi nesse contexto queJustin Bieber, então já um dos maiores nomes da música pop, visitou a loja, teve contato com as peças e adquiriu uma camiseta da marca. “Eles fechavam a loja para ele comprar e andar de skate”.
A peça escolhida por Bieber trazia o logo da High com tipografia inspirada na marca americanaGAP.
Meses depois, o artista foi fotografado usando o item ao sair para a academia — imagem que circulou em sites de celebridades e ampliou a visibilidade da High no Brasil e no exterior.
“Há 10 anos, JB mudava a minha história e a do streetwear brasileiro”, afirma Diogo. “Nada foi me dado. Coloquei a mochila nas costas e fui atrás do meu sonho.”
Folha Vitoria