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Morango do Egito pressiona mercado e preocupa produtores capixabas

Hoje, o Espírito Santo é o quarto maior produtor de morango do país, com cerca de mil propriedades envolvidas na atividade.

Por Redação em 18/03/2026 às 05:00:26
Produção de morango no Espírito Santo

Produção de morango no Espírito Santo

A entrada de morangos importados do Egito, com preços bem abaixo do custo de produção nacional, tem acendido um alerta no campo capixaba. O tema foi discutido nesta terça-feira (17), na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), em uma reunião que reuniu parlamentares, produtores, empresários e representantes do setor.

Na prática, o que está acontecendo é simples – e preocupante: o morango que chega de fora está mais barato do que o produzido aqui. Com isso, o produto capixaba perde competitividade, os preços caem e a renda de quem vive da cultura diminui.

Produtores relatam que o impacto já é sentido no dia a dia. Segundo o empresário do setor, Adair José Graciano, o mercado de morango congelado encolheu drasticamente. Em apenas um ano, a queda chega a 50%.

“Hoje não temos comércio, não temos venda. O preço oferecido está abaixo do custo de produção. Muitas famílias dependem exclusivamente dessa atividade para sobreviver”, afirma.

Ele destaca que o problema não atinge só quem está na lavoura. Toda a cadeia produtiva sente o efeito, desde fornecedores de mudas até empresas de insumos, que já registram queda nas vendas. “O morango capixaba é referência em qualidade e sabor, mas a concorrência com o importado é desleal”, completa.

Os números ajudam a explicar esse cenário. Em 2022, o Brasil importou pouco mais de 4 mil toneladas de morango egípcio. Já em 2025, esse volume saltou para cerca de 44 mil toneladas – sendo aproximadamente 40 mil vindas do Egito. Ou seja, hoje o país importa mais do que o próprio Espírito Santo produz.

E o preço pesa nessa conta. Enquanto o custo médio de produção na Região Serrana gira em torno de R$ 15 por quilo, o morango importado entra no Brasil custando cerca de R$ 8.

O secretário estadual de Agricultura, Enio Bergoli, explica que esse avanço tem relação direta com acordos comerciais que reduziram as tarifas de importação, hoje em torno de 4%. Além disso, o produto egípcio chega com tecnologia de congelamento individual, boa aparência e custo mais baixo, o que o torna bastante competitivo, principalmente para a indústria.

“Não se trata de desqualificar o produto importado. O Egito se especializou. Mas precisamos garantir condições justas para o produtor brasileiro”, pontua.

Hoje, o Espírito Santo é o quarto maior produtor de morango do país, com cerca de mil propriedades envolvidas na atividade. A produção anual gira em torno de 33 mil toneladas e movimenta aproximadamente R$ 400 milhões, com forte presença da agricultura familiar.

Nas Montanhas Capixabas, principal polo produtor, a preocupação é grande. Em Santa Maria de Jetibá, por exemplo, cerca de 800 famílias dependem diretamente da cultura. Segundo o secretário municipal de Agropecuária, Vanderlei Marquez, a situação pode se agravar rapidamente.

“Se continuar assim, regiões como São João do Garrafão podem enfrentar uma crise econômica séria”, alerta.

Em Domingos Martins, segundo maior produtor do estado, o cenário é parecido. A indústria, principal compradora do morango congelado, tem optado pelo produto importado mais barato, reduzindo ainda mais o espaço para o produto local.

Diante desse cenário, o presidente da Comissão de Agricultura da Ales, deputado Adilson Espíndula, reforçou que o momento exige atenção e mobilização.

“O Espírito Santo tem uma agricultura forte, e o morango é mais do que uma atividade econômica, é uma tradição familiar. Não somos contra o comércio internacional, mas precisamos garantir relações justas”, afirmou.

Ao final da reunião, foram definidos alguns encaminhamentos para tentar amenizar os impactos. Entre eles estão o apoio do governo estadual aos produtores, especialmente os que têm financiamentos em andamento; a elaboração de um documento para o governo federal; a mobilização da bancada capixaba em Brasília; além da defesa de medidas como revisão de acordos comerciais, criação de cotas e possível aumento de tarifas de importação.

Também está prevista a ampliação da assistência técnica, como forma de ajudar a reduzir os custos de produção e aumentar a competitividade do morango capixaba.

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Fonte: Folha Vitoria

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