Os números do ZIPDO Education Report 2026 – Women In Leadership
Statistics, publicados em fevereiro deste ano, trazem um alerta que não
podemos mais ignorar: quase metade das mulheres que ocupam cargos de
decisão relata níveis críticos de esgotamento e cogita seriamente deixar suas
O levantamento revela um abismo emocional: enquanto 45% das líderes
planejam sair de seus postos, esse número cai para 28% entre os homens.
Esse dado acende um sinal vermelho sobre a nossa capacidade de manter
talentos femininos em posições de influência. Se antes o grande debate focava
em como as mulheres poderiam chegar ao topo, agora a urgência se desloca
para como elas podem permanecer nele.
O burnout feminino nas empresas não nasce apenas do volume de trabalho.
Ele vem de uma pressão invisível: a busca por uma entrega impecável, a
cobrança dobrada sobre o comportamento e aquela responsabilidade
silenciosa, e raramente reconhecida, de cuidar do bem-estar da equipe e da
convivência entre as pessoas. Muitas líderes acabam equilibrando metas
contratuais com uma carga emocional exaustiva que não aparece no crachá.
O resultado é um cansaço profundo que sinaliza algo na estrutura das
empresas, e não uma fragilidade individual. Quando quase 50% das nossas
lideranças femininas pensam em desistir, o mercado precisa entender que
acolher a diversidade exige ir além da foto da promoção. Sustentar mulheres
em cargos altos demanda cultura de verdade, apoio real à saúde mental e
critérios de valorização que façam sentido para a vida delas.
A nova fronteira da liderança não é apenas abrir a porta, mas garantir que o
ambiente lá dentro seja viável. Ignorar esse movimento é aceitar uma perda
silenciosa e muito cara: a saída de profissionais no auge de sua maturidade e
experiência. Perder essas mulheres significa abrir mão de história, de visão de
longo prazo e da sensibilidade para formar novas equipes. Diante de uma
intenção de saída tão alta, a pergunta que deixo para as empresas não é por
que elas querem ir embora, mas o que precisa mudar para que elas queiram
LIDE ES e o Desenvolvimento do Espírito Santo
Como conselheira do LIDE ES, vivencio de perto como essas pautas são
fundamentais para o desenvolvimento do Espírito Santo. No grupo, as pautas
econômicas que impulsionam os motores do nosso estado são debatidas entre
CEOs de grandes empresas, promovendo uma troca de experiências que
provoca reflexão e fundamenta tomadas de decisão estratégicas.
A Força das Mulheres no Mercado e o Dia Internacional da Mulher
Temas que são prioridade no meu dia a dia como mentora de carreiras, como a
saúde mental e a força das mulheres no mercado, ganham destaque e
profundidade em nossas conversas, especialmente neste mês em que
celebramos o Dia Internacional da Mulher. É fundamental dizer que, no LIDE
ES, essa liderança feminina é representada por executivas que são
verdadeiras referências e fontes de inspiração, como Roberta Kato, Flávia
Milaneze, Flávia da Veiga e Lara Brotas. Estar entre elas reforça a minha
convicção de que o fortalecimento das mulheres é o que define o futuro de uma
gestão feita por pessoas e para pessoas.
Ana Paula França, conselheira do LIDE ES; Administradora e Fundadora
do Acelera Mulheres
Folha Vitória