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Retrato da mulher que trabalha no ES: mais estudo, menos salário e maioria em serviços

Apesar das barreiras no mercado de trabalho, as mulheres apresentam nível educacional mais elevado que os homens. Foto: Agência BrasilLevantamento mostra que 84% das mulheres no mercado de

Por Redação em 06/03/2026 às 06:05:12
A presença feminina é ainda mais marcante nas áreas ligadas à chamada economia do cuidado:

A presença feminina é ainda mais marcante nas áreas ligadas à chamada economia do cuidado:

No Espírito Santo, o retrato da mulher no mercado de trabalho combina alta escolaridade, forte presença no setor de serviços e desigualdade salarial.

Levantamento do Connect Fecomércio-ES mostra que 84,1% das mulheres ocupadas estão concentradas nos setores de serviços e comércio, evidenciando a centralidade do setor terciário para o emprego feminino no Estado.

No mercado de trabalho, há 756.166 profissionais contratadas nestes dois segmentos, sendo 597.010 em serviços e 159.156 no comércio, segundo o relatório Retrato das Mulheres no Mercado de Trabalho no Espírito Santo, elaborado pelo Connect Fecomércio-ES.

Apenas o setor de serviços absorve 66,4% das mulheres ocupadas, enquanto o comércio responde por 17,7%.

Os dados mostram que a empregabilidade feminina no Espírito Santo está fortemente ancorada no setor terciário, o que revela tanto a relevância econômica dessas atividades quanto um padrão estrutural de segmentação de gênero.”

André Spalenza, coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES

Economia do cuidado lidera presença feminina

O setor de serviços é o único no Estado em que as mulheres são maioria entre os trabalhadores, representando 57,6% do total.

A presença feminina é ainda mais marcante nas áreas ligadas à chamada economia do cuidado:

Saúde e serviços sociais: 73,5%

Serviços domésticos: 95,8%

Essas três áreas representam:

50,5% das mulheres do setor de serviços.

33,5% de todas as ocupações femininas do Estado.

Baixa presença em setores industriais

Em contraste, setores tradicionalmente masculinos concentram participação feminina significativamente menor, como na construção civil, que tem apenas 4,2% dos trabalhadores mulheres.

Veja a participação feminina por setor :

Indústria: 28,4%

Agropecuária: 23,6%

Construção civil: 4,2%

Juntos, esses segmentos empregam apenas 15,9% das mulheres ocupadas no Espírito Santo.

Há uma sub-representação clara das mulheres em setores que, historicamente, oferecem maior estabilidade e melhores salários. Ampliar a presença feminina nesses segmentos é estratégico para reduzir desigualdades e promover maior diversidade produtiva.”

André Spalenza, coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES

Mulheres estudam mais, mas lideram menos

Apesar das barreiras no mercado de trabalho, as mulheres apresentam nível educacional mais elevado.

Dados do Censo 2022 mostram que:

60,5% das pessoas com ensino superior no Estado são mulheres.

297.344 mulheres têm diploma universitário.

Elas também são maioria entre profissionais das áreas científicas e intelectuais, representando 58,8% do total.

Mesmo assim, essa qualificação não se reflete em posições de liderança.

Entre 2023 e 2024, houve queda de 15,3% no número feminino nessas funções.

Apenas 38% dos cargos de direção e gerência são ocupados por mulheres.

Desigualdade salarial persiste

No mercado formal, as mulheres ocupam 40,1% dos empregos com carteira assinada no estado, o equivalente a 365.415 postos.

Mesmo com maior escolaridade – 81,7% das trabalhadoras formais têm ao menos o ensino médio completo em comparação a 71,3% dos homens –, elas recebem menos em todos os níveis de instrução.

Salário médio feminino: R$ 2.773.

Salário médio masculino: R$ 3.637.

Diferença salarial: 23,8%.

Entre profissionais com ensino superior:

Diferença chega a 41,4%.

A maior qualificação feminina não tem sido acompanhada de valorização proporcional. Isso evidencia padrões estruturais de desigualdade que ainda persistem.

André Spalenza, coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES

O estudo também destacou a relevância do empreendedorismo feminino. O Espírito Santo conta com 205.833 empreendedoras, divididas entre:

28.856 mulheres empregadoras.

176.977 trabalhadoras por conta própria.

Esse grupo representa 22,9% das mulheres ocupadas no Estado. Mesmo assim, a participação feminina ainda é menor em comparação aos homens:

34,2% dos autônomos são mulheres.

28,8% dos empregadores são mulheres.

Informalidade e participação no trabalho

A informalidade é menor entre as mulheres, reflexo da presença maior em setores mais formalizados.

Informalidade feminina: 34,4%

Informalidade masculina: 41%

30,3% das mulheres empregadas trabalham sem carteira assinada.

Além disso, a participação feminina no mercado de trabalho ainda é menor:

73,3% dos homens estão ocupados.

52,4% das mulheres participam do mercado.

A análise foi elaborada com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua/IBGE), na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS/MTE), e no Painel de Informações do Trabalho Doméstico, também do Ministério do Trabalho e Emprego.

Fonte: Folha Vitória

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