banner viana

Guerra no Oriente Médio pressiona exportações de café e pimenta do Espírito Santo

A escalada da guerra envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos aumentou a incerteza sobre o fluxo de alimentos para o Oriente Médio e colocou o agronegócio brasileiro em alerta. No Espírit

Por Redação em 05/03/2026 às 00:10:18

A escalada da guerra envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos aumentou a incerteza sobre o fluxo de alimentos para o Oriente Médio e colocou o agronegócio brasileiro em alerta. No Espírito Santo, os reflexos podem ser sentidos principalmente nas exportações de café e pimenta-do-reino – dois produtos estratégicos para a economia capixaba – além das importações de fertilizantes, que podem encarecer os custos no campo.

O setor de carnes é considerado o mais sensível no cenário nacional, mas, no caso capixaba, o peso maior está nas especiarias e no café. Segundo a Secretaria de Agricultura do Espírito Santo, o impacto potencial para o agro capixaba pode chegar a quase R$ 1 bilhão.

Acompanhe o Folha Business no Instagram

Impacto para o agronegócio capixaba pode chegar a quase R$ 1 bilhão

De acordo com o secretário de Agricultura, Enio Bergoli, cerca de 20% da pimenta-do-reino é exportada pelo Espírito Santo e 7% dos cafés têm como destino a região do Golfo Pérsico. Em 2025, o estado embarcou para o Oriente Médio aproximadamente US$ 186 milhões (cerca de R$ 967 milhões), sendo US$ 120 milhões em café – entre arábica, conilon, verde e solúvel – e US$ 56 milhões em pimenta-do-reino.

Um dos principais pontos de preocupação é a logística internacional. Possíveis restrições de navegação no Golfo Pérsico ou no Estreito de Ormuz podem alterar rotas marítimas e elevar os custos de transporte.

Além disso, o conflito tende a pressionar o preço do petróleo e, consequentemente, dos insumos agrícolas. O Brasil é o maior importador mundial de fertilizantes e depende fortemente do mercado externo, cerca de 85% dos nitrogenados são importados. Qualquer instabilidade internacional afeta diretamente o custo de produção no campo.

Comercialização praticamente parou, diz setor da pimenta

O Espírito Santo é o maior produtor e exportador de pimenta-do-reino do Brasil. A cultura é o terceiro produto mais exportado pelo agronegócio capixaba e tem papel estratégico na geração de renda e empregos.

Para Frank Moro, presidente da Brazilian Spice Association (BSA), o primeiro impacto já foi sentido na comercialização.

“A cadeia produtiva já sentiu os efeitos da guerra. Diante da insegurança e das incertezas, a comercialização mundial da pimenta praticamente parou. Quando não tem comprador e o produtor precisa vender, isso força o preço para baixo. Já estamos vendo quedas nos preços, o que impacta diretamente o bolso do agricultor”.

Segundo ele, além da retração nas compras, as companhias marítimas começaram a suspender destinos e anunciar tarifas emergenciais.

“Recebemos comunicados de companhias suspendendo embarques até para destinos que não estão diretamente no Oriente Médio, como a Índia, porque as rotas estão comprometidas. E, além disso, já estão falando em taxas emergenciais e aumento de frete. Nós temos contratos fechados considerando um valor de transporte. Quando surge uma tarifa extra inesperada, o exportador acaba absorvendo esse prejuízo.”

Frank explica que já há embarques adiados a pedido de importadores, que aguardam maior clareza sobre o cenário geopolítico.

“No primeiro momento, os compradores pedem para adiar. Se o conflito se prolongar, pode haver renegociação ou até cancelamento de contratos. E isso gera um problema grande, porque a carga já foi comprada e vendida a preço fixo. Se precisar revender no mercado atual, que já está pressionado para baixo, o prejuízo é certo.”

Ele lembra que, em crises anteriores, o valor do frete chegou a dobrar – algo para o qual o setor não está preparado.

Apesar do cenário de guerra, a expectativa do setor não é de alta imediata nos preços internacionais da pimenta. “Nesse primeiro momento, o impacto é negativo. Os produtores acabaram de sair da colheita e precisam vender. Só que não temos o suporte dos compradores, por causa da insegurança. Isso pressiona o preço para baixo”, afirma.

Segundo ele, um eventual aumento só ocorreria se o conflito se estendesse por muito tempo, gerando desabastecimento global, hipótese que, por ora, não é considerada provável.

Diversificação de mercados como estratégia

O setor já estuda alternativas para reduzir a dependência do Oriente Médio. Frank lembra que, recentemente, diante do tarifaço dos Estados Unidos, as cargas foram redirecionadas para outros mercados consumidores.

“O setor sempre busca alternativas. Assim como fizemos no caso dos Estados Unidos, podemos redirecionar as cargas que iriam para o Oriente Médio para outros destinos.”

Mas ele faz um alerta importante sobre qualidade. Parte da pimenta destinada ao Oriente Médio tem menor exigência técnica, o que dificulta a realocação para mercados mais rigorosos, como Europa e Estados Unidos.

“Quando ficamos sem esse mercado, precisamos redirecionar. Mas nem toda pimenta atende aos padrões de mercados mais exigentes. Por isso é fundamental o Espírito Santo investir em qualidade, para ter flexibilidade e atender qualquer destino, do menos ao mais exigente.”

Fonte: Folha Vitória

Comunicar erro
728x90-2

Comentários

728x90-3
×

tete

Acessar