Ricardo e Casagrande (foto: Hélio Filho)
Numa coletiva convocada para a tarde desta segunda-feira (02), no Palácio Anchieta, o governador Renato Casagrande (PSB) deu a largada para a sua pré-candidatura ao Senado Federal.
Ao lado do vice-governador Ricardo Ferraço (MDB), o socialista anunciou que irá renunciar ao cargo até o dia 4 de abril, para ficar apto para disputar as eleições. Na sequência, Ricardo assume o governo e tentará a reeleição em outubro.
O anúncio já era esperado. Primeiro por força da legislação, que determina a desincompatibilização do cargo para pré-candidatos ordenadores de despesa até 6 meses antes das eleições. E, depois, porque o próprio governador já havia dito em entrevistas anteriores que tomaria a decisão até março.
Embora tenha frisado que ainda não fala como pré-candidato, o anúncio da renúncia, em si, coloca Casagrande no jogo. Em determinado momento da coletiva afirmou que a candidatura é o “cenário número 1”. “Depois que eu sair do governo, estarei apto para disputar a eleição. A gente faz os planos da gente mas quem sabe de tudo é Deus”, afirmou.
Questionado sobre o que poderia deixá-lo de fora da disputa, respondeu: “Só um fato extraordinário que possa acontecer comigo pessoalmente, mas se Deus quiser, não vai acontecer nada não”.
Casagrande também descartou disputar outro cargo: “Se eu disputar a eleição, vai ser para o Senado”. E disse que durante este mês vai liderar a transição de governo, juntamente com Ricardo. “Agora, é arregaçar as mangas”, disse o vice.
Ao anunciar que Ricardo toma posse como governador em abril, Casagrande fez uma defesa do vice.
“Ricardo é trabalhador. Não tem medo das tarefas e dos desafios. Conhece a máquina pública, sabe como funciona. Nas funções que já exerceu na sua vida, não recai sobre ele nenhuma denúncia e nenhum fato que possa desabonar a sua conduta. Conhece todos os municípios do Espírito Santo. E ele tem compromisso de dar sequência a todo o trabalho que nós estamos fazendo, de seguir em frente com todas as ações que nós estamos fazendo no Estado”.
Ricardo retribuiu a deferência: “É uma transição que assegura a manutenção desse rumo. Se Deus quiser, ampliando ainda mais o ritmo para que os resultados possam se fazer presentes, melhorando a qualidade de vida, a cada dia, dos capixabas. Minha manifestação é de muita confiança nesse Espírito Santo que estamos construindo, sobretudo uma manifestação de agradecimento ao governador Casagrande. A casa está arrumada”.
Durante o mês de março, Casagrande e Ricardo também definirão os nomes dos substitutos que ocuparão as cadeiras dos secretários que deixam o governo para disputar as eleições.
Conforme a coluna De Olho no Poder noticiou, metade do secretariado de Casagrande é cotada para disputar as eleições. Segundo o governador, as tratativas começam a partir de hoje.
“Vamos começar hoje. Estamos anunciando essa transição e temos um mês para isso. Vamos começar a dialogar para chegar no início de abril estar com tudo organizado para tocar a vida pra frente. Passar o bastão sem perder rumo e sem perder ritmo. Se Deus quiser até ganhando mais ritmo”.
Os nomes dos substitutos ainda não são conhecidos. O que Casagrande definiu é que quem dará posse aos novos secretários será Ricardo, já no cargo de governador. “Serão pessoas que poderão dar sequência, gente que conheça a área”, arrematou Casagrande.
Ainda que já estivesse meio que programado que o governador tomaria sua decisão nesse mês, chamou a atenção – e foi objeto de perguntas durante a coletiva – o fato do anúncio ter ocorrido em meio a uma semana “sensível” politicamente para o governo.
Na última sexta-feira (27) veio à tona que a Polícia Federal pediu ao STF a abertura de uma investigação contra o governador por suposta “troca de favores potencialmente criminosos” com o desembargador federal Macário Júdice – que é capixaba e está preso desde o final do ano passado.
No celular de Macário, investigadores encontraram mensagens de WhatsApp entre Casagrande e o desembargador, a respeito de um processo envolvendo um prefeito do Norte do Estado.
Nesta segunda-feira (02), o jornal Folha de São Paulo publicou que um delegado da Polícia Civil do Estado teria sido exonerado após atuar em uma investigação contra o mesmo desembargador.
Na coletiva, Casagrande falou sobre os dois assuntos que, embora não tenham relação entre si, geraram ruídos no mercado política capixaba.
“Foi uma conversa pública, transparente, eu posso ler aqui para vocês. Foi institucional, republicana. Não tinha nenhum interesse a não ser reduzir a instabilidade política num município, pra gente continuar trabalhando”, disse, sobre o diálogo com o desembargador.
A respeito do delegado, Casagrande afirmou: “O delegado sabe por que ele foi exonerado. Ele está buscando artifícios. Foi pela incapacidade de conviver com colegas e por uso de informações, na sua função, para cumprir objetivos não republicanos”.
Questionado se os dois episódios teriam alterado o cálculo político do anúncio, Casagrande negou. E quando foi perguntado sobre o que teria pesado em sua decisão de disputar o Senado e o motivo do anúncio ter sido feito hoje, respondeu:
“Anúncio foi hoje porque eu consultei praticamente todos os gestores municipais, prefeitos, vereadores, todos muito ansiosos para que eu pudesse dar esse passo e ficar pronto, preparado para o processo eleitoral. E como findamos o mês de fevereiro com isso resolvido na minha cabeça, conversei já com a minha família, achei que seria mais natural que eu pudesse já começar o processo de transição porque tem tarefa pra cumprir de recomposição de governo, então por isso que a gente tomou essa decisão”.
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Fonte: Folha Vitória