O companheiro do professor Ricardo André de Costa, de 37 anos, foi preso em flagrante suspeito de provocar o incêndio que matou a vítima dentro de um apartamento na Praia do Morro, em Guarapari, na tarde de terça-feira (3). A informação foi confirmada pela Polícia Civil, que investiga o caso como homicídio qualificado.
Ricardo foi encontrado já sem vida dentro do banheiro da suíte do imóvel. De acordo com o Corpo de Bombeiros, o fogo atingiu principalmente essa área do apartamento, e a vítima teria morrido após inalar grande quantidade de fumaça tóxica.
Informações apuradas pela repórter Nathalia Munhão, da TV Vitória/Record, apontam que o casal teria discutido pouco antes do incêndio. Durante a briga, um isqueiro teria sido jogado sobre o colchão.
Em nota, a Polícia Militar informou que, ao chegar ao local, uma testemunha relatou ter visto um homem sair do apartamento em estado de desespero, afirmando que, após a discussão com o companheiro, teria ateado fogo no colchão e empurrado a cama contra a porta do banheiro, onde Ricardo estava.
Ainda segundo o relato inicial, o suspeito conseguiu deixar o imóvel, mas a vítima teria se trancado no banheiro para se proteger. Com o avanço do incêndio e da fumaça, o professor acabou inalando gases tóxicos e morreu no local.
Quando a guarnição da PM chegou ao endereço, o companheiro de Ricardo já estava sendo atendido por uma equipe do Samu, pois também havia inalado fumaça. Ele foi encaminhado a um hospital da região e permanece internado sob escolta policial. Assim que receber alta médica, deverá ser levado à delegacia para prestar depoimento.
Apesar das tentativas de resgate feitas pelo Corpo de Bombeiros, não foi possível salvar o professor. A perícia foi acionada para analisar o apartamento e ajudar a esclarecer as circunstâncias do incêndio.
Autuação por homicídio qualificado
Após receber alta médica, o suspeito foi conduzido à Delegacia Regional de Guarapari e preso em flagrante. A Polícia Civil informou que ele foi autuado por homicídio qualificado praticado com emprego de fogo e meio que resultou em perigo comum.
De acordo com a corporação, o enquadramento legal considera que o crime foi cometido “com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum”. Após os procedimentos de praxe, o homem foi encaminhado ao sistema prisional, onde permanece à disposição da Justiça.
A Polícia Civil também informou que o corpo de Ricardo foi levado ao Instituto Médico-Legal (IML) para realização de necropsia e, posteriormente, será liberado aos familiares.
Ricardo André era professor do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes). Em nota, a instituição lamentou profundamente a morte do servidor e informou que ele atuava no Campus Centro-Serrano, mas estava em mobilidade para o Campus Cariacica. Segundo o Ifes, o docente retornaria para a unidade de Santa Maria de Jetibá no início deste ano letivo.
A Polícia Civil informou que o caso segue em investigação e que todas as informações estão sendo analisadas para confirmar a dinâmica dos fatos e a responsabilidade pelo incêndio.
*Com informações da repórter Nathália Munhão, da TV Vitória/Record.
Folha Vitória