“Eu tenho 33 anos de profissão e eu vivo, vivi, dedicada à minha carreira”, diz Cristiane
Cristiane Amorim atriz“Eu tenho costume de consultar os oráculos”AT2 — Acredita em videntes? Já se consultou com uma?Cristiane Amorim — Acredito sim. Já me consultei. Gosto muito, inclusive. Eu acredito que tem pessoas que possuem essa mediunidade, essa sensibilidade de acessar outros tempos, outros planos, outras dimensões. E sempre que eu estou passando por uma situação difícil ou alguma situação de dúvida, de conflito, eu gosto de fazer umas consultas para clarear a minha cabeça, para fazer boas escolhas. Eu tenho costume de consultar os oráculos.Teria coragem de ser nômade, como os ciganos?Essa pergunta é muito interessante, porque, antes de fazer a novela, eu pesquisei, vi documentários, eu me interessei por esse povo cigano, pela cultura deles. E eu entendi que eles não são nômades por uma escolha. Eles viraram nômades pela discriminação e pelo preconceito. Eles sempre eram expulsos dos lugares. E eu não teria um talento para essa vida nômade. Eu prefiro uma rotina previsível, porque a vida artística já é uma vida louca. A gente está sempre recomeçando. Já é muito instável. Então, eu já passo por isso na vida artística.É sempre chamada para fazer comédia...Realmente, na TV, no cinema, no audiovisual, eu sou bem vista como uma atriz comediante. Mas nem sempre foi assim. No início da minha carreira, em Salvador, em toda a minha trajetória de teatro lá, minha primeira peça foi “A Falecida”, de Nelson Rodrigues. Fiz Nelson Rodrigues, fiz Shakespeare, fiz “Macbeth”, fiz drama, fiz um musical.Seu currículo no teatro é gigante. O que o palco representa para você?É tudo. Eu tenho 33 anos de profissão e eu vivo, vivi, dedicada à minha carreira. E eu iniciei no teatro. Então, o teatro, para mim, é a minha casa, é o meu tempo, é a minha religião, é a minha vida. É onde eu comecei, onde eu me descobri.Vale tudo por um personagem? O que você não faria?Essa resposta mudou muito ao longo dos meus 33 anos de carreira. No início, eu diria sim. Mas hoje eu respondo diferente. Não, não vale tudo, não. Por exemplo, eu não arriscaria minha vida, não faria nada que, para mim, seria perigoso, como, por exemplo, andar a cavalo.Cabelo, posso cortar, posso pintar; posso engordar, posso emagrecer. Eu me entrego completamente, mas, algo que tivesse algum risco para mim, eu hoje já faria diferente. Não acho que vale tudo não, acho que as propostas têm que ser bem analisadas sim.Se não fosse atriz, seria…Eu seria uma pessoa frustrada, triste. Porque ser artista não é uma questão de escolha. Acho que você já vem com esse destino, essa sensibilidade, essa vocação. E não precisa só de talento, de vocação.É difícil conseguir trabalho fora do eixo Rio-São Paulo?Sim. É ainda muito difícil. As coisas foram mudando, mas eu posso fazer uma comparação, um paralelo com a minha própria história. Na década de 90, lá em Salvador, tinha uma efervescência muito grande do teatro baiano, surgindo pessoas, talentos, produtoras, grandes espetáculos.Foi nessa época que surgiram esses grandes atores que hoje estão aí e até mesmo fora do Brasil, como Wagner Moura, Vladimir Brichta e Lázaro Ramos. Todos são crias do teatro baiano dessa época. Hoje em dia, o teatro na Bahia morreu, praticamente.
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