Ericson Henrique Lopes Ávila, Ítalo dos Santos Silva, Luis Ricardo Fernandes de Oliveira e Emerson de Jesus Dias Santos, foragidos da Operação Intifada – Foto: Reprodução/PCES
Uma operação da Polícia Civil prendeu 28 pessoas suspeitas de integrar o Primeiro Comando de Vitória (PCV), facção criminosa que atua na região da Grande São Pedro, em Vitória. A ação, denominada Operação Intifada, foi realizada na quarta-feira (14) e mobilizou cerca de 200 policiais, além de mais de 50 viaturas, com apoio da Polícia Penal e do Núcleo de Operações e Transporte Aéreo (Notaer).
Ao todo, foram expedidos 44 mandados de prisão e 76 de busca e apreensão. Segundo a Polícia Civil, as equipes continuam nas ruas para localizar os demais alvos.
O delegado-geral da Polícia Civil, Jordano Bruno, destacou a importância da integração entre as forças de segurança no combate às organizações criminosas. Segundo ele, a estratégia busca atingir desde os responsáveis pela venda de drogas até as lideranças e os integrantes envolvidos em ataques violentos.
“Quando você tem uma região razoavelmente pequena para 27 pessoas presas, você restabelece a sensação de segurança e mostra para a população que o único domínio territorial que tem naquela região é o do Estado”, afirmou.
Investigação começou após homicídio
A apuração teve início após o assassinato de Breno, em 7 de setembro de 2025, no bairro Redenção, em Vitória. Conforme o delegado responsável pela investigação, a vítima foi morta por morar em uma região associada ao Terceiro Comando Puro (TCP) e namorar uma mulher que vivia em território dominado pelo PCV.
Segundo a Polícia Civil, um dos executores do crime havia migrado do TCP para o PCV e teria indicado a vítima aos outros envolvidos. Breno foi atingido por 12 tiros na cabeça.
A investigação permitiu identificar integrantes de diferentes núcleos da organização criminosa, incluindo pessoas encarregadas da venda e da preparação de drogas, da movimentação financeira e da coordenação de ataques contra grupos rivais.
De acordo com o delegado da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vitória, o George Zan, a apuração revelou como os integrantes se organizavam para executar os crimes.
“Existiam grupos específicos para o gerenciamento, outros responsáveis pela dinâmica da organização, recolhimento de dinheiro e reabastecimento dos postos de droga”, explicou.
Ele acrescentou que também foram identificados grupos dedicados ao planejamento de ataques armados. “Havia alguns grupos que eram responsáveis especificamente pela organização, planejamento e execução de ataques armados a rivais”, disse.
Guerra entre facções provocou ataques
De acordo com a Polícia Civil, a disputa entre PCV e TCP se intensificou em 2025, com confrontos em diferentes pontos da Grande São Pedro.
Um dos episódios investigados ocorreu no bairro Conquista, onde integrantes do PCV teriam organizado uma ofensiva armada para tomar o território de rivais. A polícia também apura um homicídio em que um homem foi encontrado morto e amarrado na região.
Posteriormente, houve um duplo assassinato no bairro Redenção, na virada de 1º para 2 de novembro de 2025. As vítimas foram identificadas como Cauã e Pedro Henrique. Segundo a investigação, o crime teria sido uma retaliação atribuída a integrantes do TCP.
Outros ataques armados foram registrados nas localidades conhecidas como Carandiru, no bairro Santa Marta, e Mangue Seco, em Andorinhos. Neste último caso, os suspeitos teriam utilizado barcos para atravessar uma área de mangue e disparado contra um grupo que vendia drogas no local.
A Polícia Civil afirma que o trabalho de investigação permitiu identificar integrantes envolvidos nesses episódios e mapear a estrutura operacional da facção.
Lideranças seguem foragidas
Entre os principais alvos que ainda não foram localizados estão três suspeitos apontados pela Polícia Civil como lideranças da organização: Emerson, conhecido como “Pesadão”; Luiz Ricardo, o “Rico”; e Erickson Henrique, chamado de “Melão Henrique”.
Conforme os investigadores, Emerson e Erickson estariam na comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro. O paradeiro de Luiz Ricardo não foi confirmado.
Outro suspeito citado pela polícia é Ítalo, conhecido como “Pocadinho”, apontado como responsável por executar integrantes de grupos rivais. Segundo a investigação, ele teria trocado tiros com policiais durante uma tentativa de prisão anterior e conseguido fugir.
A Polícia Penal também participou da operação para localizar integrantes da facção que estariam comandando ações criminosas de dentro do sistema prisional. Entre os alvos está um detento que, segundo a corporação, estava foragido havia 605 dias.
O representante da Polícia Penal ressaltou que a troca de informações com a DHPP foi importante para a ação. Segundo ele, o trabalho conjunto buscou tanto localizar o fugitivo quanto identificar outros detentos suspeitos de transmitir ordens à organização criminosa.
Drogas e dinheiro apreendidos
Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam entorpecentes, dinheiro e materiais utilizados para embalar drogas.
Em uma das residências, no bairro Nova Palestina, foram encontrados aproximadamente 120 papelotes de cocaína, além de materiais para embalagem de entorpecentes e dinheiro.
Segundo a Polícia Civil, não houve resistência durante o cumprimento dos mandados de prisão.
O Notaer participou da operação com apoio aéreo para dar cobertura às equipes em solo e reduzir os riscos de emboscadas e fugas durante a entrada dos policiais nas áreas investigadas.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam e que novas prisões poderão ocorrer nos próximos dias, já que nem todos os mandados haviam sido cumpridos até o momento da coletiva.
Fonte: Folha Vitória