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Oportunidades

Fim da escala 6×1 pode elevar custos das empresas capixabas em até R$ 4,5 bilhões

Findes alerta para aumento de despesas com mão de obra e defende negociação coletiva para adequação das jornadas


Foto: Thiago Soares/Folha Vitória

O fim da escala de trabalho 6×1, aprovado na quarta-feira (14), poderá elevar os custos das empresas do Espírito Santo entre R$ 3 bilhões e R$ 4,5 bilhões por ano. A estimativa consta em estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), citado pela Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) em posicionamento divulgado nesta quinta-feira (15).

Segundo a entidade, o aumento representa de 4,6% a 6,9% dos gastos atuais com mão de obra formal. O impacto dependerá da decisão das empresas de contratar mais funcionários ou pagar horas extras para compensar a redução da jornada.

No Brasil, a CNI estima que os custos adicionais poderão chegar a quase R$ 270 bilhões anuais.

A Findes também demonstra preocupação com as micro e pequenas empresas. Nos estabelecimentos com até nove funcionários, por exemplo, a elevação dos custos com pessoal poderá variar de 6,9%, com novas contratações, a 10,3%, com pagamento de horas extras, aponta o estudo.

Além disso, a federação argumenta que a indústria reúne atividades com diferentes necessidades de funcionamento, incluindo operações contínuas e trabalho por turnos. Por isso, defende que empresas e sindicatos negociem a organização das jornadas conforme as particularidades de cada setor.

O presidente da Findes, Paulo Baraona, afirma que a entidade não se opõe ao debate sobre mudanças nas relações de trabalho, mas considera necessária uma avaliação dos efeitos econômicos.

“Uma mudança dessa dimensão exige diálogo, critérios técnicos e uma análise cuidadosa das consequências para trabalhadores, empresas e para a economia”, afirma Baraona, em posicionamento oficial.

O Senado aprovou a PEC 221/2019 em dois turnos na quarta-feira (14). O texto prevê a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem corte de salários, além de dois dias de descanso remunerado.

Assim, a transição ocorrerá em etapas. Dois meses após a promulgação, a jornada máxima cairá para 42 horas semanais. Depois de um ano e dois meses, chegará a 40 horas. A proposta segue para promulgação pelo Congresso Nacional.

Folha Vitória

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