Foto: Thiago Soares/ Folha Vitória
Em meio à imensidão verde dos bananais de Cariacica, onde o trabalho começa antes mesmo dos primeiros raios de Sol, agricultores que por anos enfrentaram dificuldades para vender o que produziam encontraram na união uma nova forma de fazer a banana chegar mais longe.
Criada em 2017, a Cooperativa da Agricultura Familiar de Cariacica (CAFC) nasceu em meio aos desafios enfrentados pelos produtores e abriu novos caminhos para a comercialização da produção da banana. O que antes era limitado pelas dificuldades de venda passou a ganhar escala a partir do trabalho coletivo.
Diante dos desafios da vida no campo e do desejo de permanecer na terra, produtores descobriram no cooperativismo uma forma de transformar a própria realidade. A banana, que brotava do chão e muitas vezes encontrava dificuldades para chegar ao mercado, passou a representar novas possibilidades de renda, estabilidade e futuro para as novas gerações.
Cultivada por gerações, a produção passou a chegar às escolas, a outros estados e a novos mercados por meio das fronteiras do Brasil. Por trás da fruta estão famílias que fizeram da terra um modo de vida e encontraram novas formas de fazer o trabalho no campo continuar valendo a pena.
Para muitos agricultores, produzir não era suficiente: era preciso encontrar mercado, garantir um preço justo e evitar que parte do que saía da propriedade acabasse perdida. Foi nesse espaço entre produzir e conseguir comercializar que a cooperativa passou a exercer seu papel.
O produtor rural Sérgio Boldi, de 52 anos, conhece de perto os desafios da agricultura familiar. Filho de agricultores, aprendeu desde criança a lidar com a terra e com a banana. Em 2003, a família se mudou de Guarapari para Cariacica, mas a atividade rural já fazia parte de sua história.
Desde que a gente era criança. Meus pais eram agricultores, e a gente continua nessa profissão, porque é importante. Eu gosto muito de mexer com agricultura, com o próprio alimento da gente, da família. Isso é muito importante.”
A produção cresceu, mas durante um período isso não significava necessariamente mais segurança para o produtor rural. Entre 2016 e 2017, o preço da banana estava baixo e havia dificuldade para encontrar compradores. Foi quando surgiu a ideia de enfrentar coletivamente um problema que, individualmente, parecia maior.
“A gente estava, praticamente em 2016 e 2017, o preço da banana estava muito baixo, até difícil de vender a produção. Com isso pensamos na cooperativa, porque em grupo fica mais fácil vender o seu produto”, afirmou Sérgio.
Quando vender a banana era tão difícil quanto produzir
Antes de a cooperativa abrir novas portas para os agricultores, produzir não significava necessariamente conseguir vender. O agricultor Eduardo Geraldo Facco entrou na cooperativa em 2017, ainda no início da organização, quando a comercialização dependia principalmente de feiras e atravessadores.
Não havia muita perspectiva de vendas. Mas, no momento da inserção, conseguimos abrir as portas para o mercado. Em relação à produção, podemos dizer que dobramos. Antes, os produtos eram vendidos por meio de feiras e atravessadores.“
O problema, porém, não era apenas encontrar compradores. Quando o preço estava baixo, muitas vezes o custo para retirar a fruta da propriedade não compensava. O resultado podia ser a perda da própria produção.
“No passado, cheguei até mesmo a perder mercadoria e produção por não conseguir realizar a venda, por conta do baixo preço. Muitas vezes, não compensava nem mesmo cortar ou transportar a banana”, conta o agricultor.
Com a CAFC, Eduardo passou a ter acesso a novos mercados e a uma perspectiva diferente sobre o próprio trabalho. O aumento da comercialização veio acompanhado de uma melhora na renda e da possibilidade de transformar o resultado da produção em conquistas que antes pareciam distantes.
A renda melhorou. Consegui mexer na casa, comprar carro, comprar uma moto. Graças a Deus e à cooperativa. A gente não poderia sonhar um pouco mais alto, porque ela pressiona a gente a aumentar a produção e vai ter destino certo, direcionando até mesmo o futuro.”
Eduardo Geraldo Facco, agricultor
Uma união que começou com 20 agricultores
A Cooperativa de Agricultura Familiar de Cariacica (CAFC-ES) nasceu oficialmente em 22 de agosto de 2017, por iniciativa de 20 produtores rurais que buscavam organizar a produção e melhorar o acesso ao mercado.
Segundo o presidente da cooperativa, Davi Dutra, a CAFC-ES surgiu em meio a uma crise na agricultura familiar. Apesar da tradição de Cariacica no cultivo de banana orgânica, os produtores enfrentavam dificuldades para vender a produção por preços que garantissem renda.
De 2016 para o final de 2017, a gente estava com uma crise na base da agricultura. Só que o agricultor estava sem fonte de renda, porque esse produto estava muito sem valor no campo.”
Diante desse cenário, os agricultores decidiram se unir para ampliar as oportunidades de comercialização. A banana se tornou o principal produto da CAFC-ES, que também passou a produzir derivados, como o doce de banana, e a firmar contratos com prefeituras da Grande Vitória e de outros municípios.
Em 2017 montamos a CAFC-ES e estamos até hoje trabalhando com os produtores. Nosso principal produto é a banana. Também fazemos outros produtos originados da banana, como o doce de banana. Temos contratos com algumas prefeituras da Grande Vitória e também fora do Estado.
Davi Dutra, presidente da CAFC-ES
A proposta, porém, precisou conquistar a confiança dos agricultores. No início, havia quem duvidasse que a união pudesse funcionar.
“Quando a gente começou a falar da ideia, muitas pessoas não acreditavam, tinham até uma desconfiança. Eu sempre usava uma frase: juntos somos mais fortes. Então, 20 produtores formaram a cooperativa e começamos. Hoje, a gente tem 450 produtores“, relata Dutra.
A evolução do número de produtores cooperados
? Crescimento de 22,5 vezes
Arte: Folha Vitória
A banana é o principal produto, mas não é o único. A cooperativa reúne produtores de melancia, tangerina ponkan, abacate e outras frutas. Também há agricultores em municípios como Conceição do Castelo, Venda Nova, Vargem Alta, Itaguaçu, Itarana e Laranja da Terra.
Uma cultura enraizada em Cariacica
A expansão da cooperativa acontece em um município onde a banana já faz parte da história das famílias rurais. Segundo o coordenador do escritório do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) em Cariacica, Haroldo Mascarenhas da Silva, a atividade é desenvolvida há gerações e representa uma importante fonte de renda.
A produção de banana em Cariacica é um dos grandes pilares da agricultura familiar local, ganhando enorme destaque no cenário estadual pela transição e consolidação como o maior produtor de banana orgânica do Espírito Santo.
A cultura da banana está enraizada no município e é desenvolvida há gerações pelas famílias rurais. Configura-se como uma das principais atividades agrícolas de Cariacica e representa uma importante fonte de renda para os produtores.”
A banana produzida no município chega a diferentes mercados. Parte é comercializada na Ceasa e outra parcela segue para programas institucionais, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Compra Direta de Alimentos (CDA). A produção também é comercializada por meio de associações e da Cooperativa de Agricultura Familiar de Cariacica (CAFC).
Para algumas famílias, a importância da cultura vai além de complementar o orçamento. Segundo o Incaper, a banana pode representar cerca de 90% da renda familiar. Entre os pequenos produtores, a atividade permanece relativamente estável, com a implantação de novas lavouras.
A permanência dessa produção, porém, não significa ausência de desafios. O cultivo depende de mão de obra, água e condições adequadas para o manejo das plantações, enquanto o relevo acidentado de parte do município também dificulta o trabalho no campo.
“A produção está presente em grande parte das famílias de produtores rurais e é uma atividade transmitida de geração em geração. Entre os pequenos produtores, a atividade tem se mantido relativamente estável, com a implantação de novas lavouras”, destaca o coordenador do Incaper.
O trabalho que chega à mesa na escola das filhas
A relação de Sérgio com a agricultura familiar também começa a ser construída dentro de casa. As duas filhas do agricultor, Isabela, de 14 anos, e Gabriela, de 10, ainda não trabalham na lavoura, mas já participam de algumas atividades administrativas da propriedade, principalmente quando o pai está no campo.
Uma delas estuda na EMEF Valdici Alves Baier e a outra, na EMEF Elisa Leal Bezerra, ambas em Cariacica. Entre as tarefas que ajudam a realizar está a emissão de notas e outras demandas do dia a dia da produção.
Hoje as minhas filhas não estão na roça trabalhando, mas já ajudam em outras partes, como, por exemplo, emitir uma nota. Elas estudam e fazem essa parte mais administrativa do trabalho realizado no campo.
Sérgio Boldi, produtor rural
A participação das meninas ganha um significado ainda maior porque parte da produção de Sérgio é destinada à alimentação escolar do município. Assim, a banana cultivada na propriedade da família percorre um caminho que termina, também, nas escolas onde as próprias filhas estudam.
“Eu entrego para o merendo da escola lá, onde eu produzo e levo para a escola que a minha filha estuda. Então uma parte da alimentação delas sai da minha produção”.
Para o agricultor, a situação representa mais do que uma coincidência. É uma forma de as filhas acompanharem, desde cedo, o resultado do trabalho desenvolvido pela família
A banana que deixa a propriedade de Sérgio para abastecer a alimentação escolar de Cariacica pode, dias depois, voltar a encontrar a família: desta vez, no prato das filhas. É um ciclo que conecta produção, renda, alimentação e a continuidade da vida no campo.
Fruta que faz diferença na comunidade escolar
A alimentação escolar é um dos destinos encontrados pela CAFC-ES para a produção dos cooperados. Segundo Davi, a cooperativa fornece banana in natura e produtos derivados para prefeituras da Grande Vitória, municípios do interior e no Brasil.
Quase todas as prefeituras da Grande Vitória e algumas prefeituras do interior são nossos clientes no Estado, onde entregamos o doce como a banana in natura. Também fornecemos para a Prefeitura do Rio de Janeiro e temos um contrato com Prefeitura de São Paulo, narrou Davi.
Em Vila Velha, esse caminho entre a agricultura familiar e a alimentação escolar também acontece de forma regular. Segundo a Secretaria de Educação do município, a rede recebe alimentos produzidos por agricultores familiares de Vila Velha e de diferentes municípios do Espírito Santo, entre eles bananas, biscoitos caseiros e mel.
No caso da banana, o fornecimento começou em 2017 e ocorre semanalmente. As cooperativas recebem a Autorização de Fornecimento (AF) e fazem as entregas diretamente nas 118 unidades da rede municipal.
Atualmente, a rede recebe aproximadamente 3.200 quilos de banana-prata e 1.500 quilos de banana-da-terra por semana. As frutas são oferecidas aos estudantes in natura, no desjejum e como sobremesa, além de serem utilizadas em preparações como bolos, vitaminas, trio de frutas, farofa e moqueca de banana.
A nutricionista Beatrix Belfort, responsável técnica pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) em Vila Velha, explica que a compra direta da agricultura familiar é realizada há mais de dez anos e que a banana está entre os alimentos utilizados na elaboração do cardápio escolar.
Segundo ela, a fruta tem boa aceitação entre os estudantes e pode aparecer de diferentes formas nas refeições.
A compra direta da agricultura familiar ocorre há mais de 10 anos e é feita por meio de uma licitação para facilitar a vida das associações. A gente faz um cardápio, fazemos a lista dos alimentos, entre eles está a banana, que é bem aceita pelos alunos. A banana vai no arroz, no feijão tropeiro, in natura e prata.
Beatrix Belfort, responsável técnica pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) em Vila Velha
Além da variedade de preparações, Beatrix destaca que o fornecimento por meio da agricultura familiar permite um intervalo menor entre a produção e o consumo. Para ela, esse circuito mais curto favorece a chegada de alimentos mais frescos às escolas.
Do ponto de vista nutricional, sendo um alimento produzido diretamente para as escolas do município, temos a programação e o consumo bem curto. O alimento chega mais fresco, a produção é mais fácil o ano inteiro. Em um país tropical, o valor nutricional, com o alimento de verdade, tem o valor por si, destacou Beatrix.
A rede municipal atende aproximadamente 56 mil estudantes. De acordo com a Secretaria de Educação, a banana entregue apresenta boa aparência, casca firme, bom grau de maturação e sabor agradável, além de boa aceitação entre os alunos.
Em 2026, 42 itens provenientes da agricultura familiar foram incorporados à alimentação escolar de Vila Velha. Para a Secretaria, a compra desses produtos contribui para oferecer alimentos mais frescos, sazonais e menos processados, além de fortalecer a economia local e regional e gerar renda para agricultores.
Banana é presente na cultura do Espírito Santo
De acordo com o Censo Agropecuário de 2017, levantamento oficial mais recente disponível, também divulgado pelo Incaper, o cultivo de banana estava presente em 21.339 estabelecimentos agropecuários do Espírito Santo.
Desse total, 14.256 tinham 50 pés ou mais, perfil que representa melhor as plantações voltadas à comercialização. Em 2025, os municípios capixabas com maior produção de banana foram:
Alfredo Chaves: 44.800 toneladas;
Iconha: 38.577 toneladas;
Domingos Martins: 36.285 toneladas;
Linhares: 35.296 toneladas;
Laranja da Terra: 33.750 toneladas;
Itaguaçu: 31.625 toneladas.
Quando a banana ganha uma segunda vida
Entretanto, toda banana que sai do campo chega ao consumidor in natura. Frutas que apresentam algum dano, mas continuam próprias para o consumo, ou que amadurecem antes de serem comercializadas, também podem ganhar um novo destino dentro da cooperativa.
O presidente da cooperativa, Davi Dutra, explica que, as bananas são aproveitadas na produção de doces. A alternativa surgiu justamente da necessidade de evitar perdas quando a fruta perde o padrão exigido pelo mercado ou quando uma venda é adiada e o amadurecimento acontece antes do esperado.
O mesmo acontece quando a banana amadurece antes da comercialização. Segundo o representante da cooperativa, o beneficiamento permite aproveitar a produção mesmo diante de imprevistos no mercado. “A gente não deixa essa fruta se perder, a gente manda ela para fazer doce, que aí a gente tem um segundo aproveitamento”.
O aproveitamento da banana foi além do doce. A cooperativa passou a testar diferentes formas de beneficiamento, criando produtos que permitem prolongar a vida útil da fruta e, ao mesmo tempo, agregar valor à produção.
Entre as alternativas estão farinha de banana, banana-passa e bombom, além do doce. A cooperativa também já realizou testes com macarrão produzido a partir da banana, com a intenção de, futuramente, ampliar as possibilidades de fornecimento para a alimentação escolar.
A banana dá para se fazer muita coisa. Então, a gente quer também tentar agregar o máximo de produtos possível, originados da banana.”
Davi Dutra, presidente da CAFC-ES
O beneficiamento também envolve outros produtos da agricultura familiar, como aipim descascado e farinha de mandioca. Há ainda a participação de uma associação de mulheres na produção de biscoitos, ampliando o número de pessoas que podem gerar renda a partir da transformação dos alimentos.
Para a cooperativa, a estratégia faz parte de um projeto maior: fazer com que a produção agrícola gere mais valor antes de chegar ao consumidor.
Mais valor para quem produz a banana
A próxima etapa é ampliar a estrutura de beneficiamento. A cooperativa pretende criar uma fábrica voltada à produção de doces e derivados, aumentando a capacidade de transformar a banana e outros alimentos em produtos com maior valor agregado.
A nossa ideia é fazer uma fábrica do doce para agregar mais valor, que é o doce de banana, que a gente já trabalha, não só o doce de banana, que é um produto conhecido, mas outros produtos da banana
Davi Dutra, presidente da CAFC-ES
A proposta está ligada também a um desafio que vai além da comercialização: garantir que a atividade continue sendo uma alternativa de renda para as próximas gerações de agricultores em Cariacica e no Espírito Santo.
“A gente quer também tentar agregar o máximo de produto possível, originado da banana e até de outros produtos de segmentos, para tentar fazer a grande sucessão rural”, ressaltou o presidente Davi Dutra.
Assim, aquilo que poderia terminar como uma fruta fora do padrão comercial passa a representar uma nova possibilidade de renda. A banana que não chegou à mesa como fruta fresca encontra outro caminho e continua gerando valor para quem a produziu.
Como a banana in natura se transforma em outros alimentos
Arte: Folha Vitória
Produção ganha escala com união entre cooperativas
A união entre os produtores também ampliou a capacidade de comercialização da agricultura familiar. Atualmente, a entidade movimenta entre 50 mil e 60 mil quilos de produtos por semana. Desse total, a banana representa cerca de 2 mil caixas semanais, o equivalente a aproximadamente 40 mil quilos.
Para alcançar mercados maiores, a estratégia não se limita à atuação individual de cada cooperativa. A produção também é articulada por meio de organizações como a Federação das Cooperativas Capixabas (Unicaf) e a Cooperativa dos Agricultores Familiares da Região Serrana do Espírito Santo (CAFC-Serrana).
Na prática, a parceria permite reunir produtos de diferentes cooperativas em uma mesma operação logística. Assim, alimentos produzidos em diferentes regiões do Espírito Santo podem seguir juntos para mercados dentro e fora do Estado.
A gente se junta através de outras cooperativas. Hoje, a Federação Unicaf, que é a Federação das Cooperativas Capixabas, junta várias cooperativas para também criar uma logística melhor para o produto chegar onde tem que chegar, como eu falei, fora do Estado
Davi Dutra, presidente da CAFC-ES
A lógica também ajuda a aproveitar o espaço disponível nos caminhões. Se uma cooperativa tem determinado produto e outra possui itens diferentes, as cargas podem ser reunidas para formar uma operação conjunta.
“Vamos supor, a CAFC-Serrana tem legume, mas não tem a banana. A gente junta no mesmo caminhão e faz isso chegar até mesmo em estados como Rio de Janeiro e São Paulo“, narrou Davi.
Para o presidente, a articulação entre as cooperativas fortalece o cooperativismo capixaba e cria condições para buscar novos compradores.
Então, a gente tem essa parceria dentro do cooperativismo capixaba. O Espírito Santo tem várias cooperativas que estão fazendo um excelente trabalho e a gente se junta com uma estratégia para buscar outros mercados específicos.
Davi Dutra, presidente da CAFC-ES
Do bananal de Cariacica para o mundo
O que começou com a união de agricultores de Cariacica também ganhou espaço fora do Brasil. No centro de distribuição da cooperativa, onde a produção é recebida, beneficiada e preparada para a comercialização, o supervisor de vendas da CAFC-ES, Ronaldo Monteiro Barcelos, acompanha de perto essa transformação.
O espaço que hoje concentra parte da operação da cooperativa nem sempre teve essa função. Antes da instalação da sede, o terreno estava sem produção. A mudança veio a partir da mobilização dos agricultores da comunidade e da criação da organização.
Temos o Centro de destribuição da cooperativa. O espaço estava sem uso e surgiu a possibilidade de adquirir a propriedade para o beneficiamento da banana in natura e a produção.”
A estrutura ajudou a produção a alcançar mercados cada vez mais distantes. Em 2024 e 2025, a cooperativa realizou três carregamentos de banana-da-terra para a Argentina. Agora, a aposta está em levar também produtos beneficiados para outros países.
CanadáPolôniaJapãoPeruChileArgentina
O próximo passo é a internacionalização do doce de banana orgânico, produzido sem açúcar e a partir de bananas orgânicas. Segundo a cooperativa, já existem conversas com possíveis compradores no Japão, Chile, Polônia, Canadá, Argentina e Peru.
Nós estamos com uma previsão de, no final deste ano ou no início do ano que vem, fazer a nossa primeira exportação do doce de banana orgânico. Então vai ser realmente continuar sendo sucesso da CAFC de Cariacica para o mundo.
Ronaldo Monteiro Barcelos, supervisor de vendas da CAFC-ES
Renda para ficar e futuro para continuar
Para Sérgio Boldi e outros agricultores, permanecer no campo deixou de ser apenas uma tradição familiar. A possibilidade de receber melhor pela produção também passou a ser um incentivo para continuar trabalhando na propriedade.
Eu não tenho intenção de mudar de profissão. E como agora, sendo melhor remunerado aqui na roça, então a gente pretende continuar a produção. Se a cooperativa não existisse? A banana estaria se perdendo e estaríamos desanimados.”
Sérgio Boldi, produtor rural
Para ele, a renda gerada pela agricultura tem efeito direto sobre a decisão das novas gerações. “Quanto mais a atividade consegue garantir condições de vida, maior é a possibilidade de os jovens enxergarem o campo como um lugar do futuro.”
A história de Sérgio se conecta a um dos principais desafios da agricultura familiar: garantir que o campo continue sendo uma opção para quem nasceu nele.
Na cooperativa, o presidente Davi afirma que já percebe mudanças entre os produtores mais jovens. Segundo ele, a melhora nas condições de comercialização e a abertura de novos mercados ajudam a construir uma perspectiva de longo prazo.
“Hoje a gente está conseguindo! Agricultores jovens estão ficando no campo, com as oportunidades, com a expectativa diferente e vemos o produtor otimista, acreditando no fututo do campo“, comemora Davi.
Fonte: Folha Vitoria