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Pesquisa da Ufes revela como microplásticos afetam células mamárias

Na semana em que o Outubro Rosa mobiliza a conscientização sobre o diagnóstico precoce e a prevenção do câncer de mama, cientistas da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) cha

Por Redação em 09/10/2026 às 13:00:21

Na semana em que o Outubro Rosa mobiliza a conscientização sobre o diagnóstico precoce e a prevenção do câncer de mama, cientistas da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) chamam a atenção para um fator de risco emergente: a poluição por microplásticos e nanoplásticos.

Presentes em recipientes plásticos, tecidos sintéticos, cosméticos e até na poeira do ar, essas partículas microscópicas são ingeridas, inaladas e absorvidas pelo corpo humano. A presença de fragmentos plásticos já foi detectada por cientistas em tecidos mamários e no leite materno — o que motivou pesquisadores do Programa de Extensão e Pesquisa em Genética e Biotecnologia (PEPeG) da Ufes a investigar como o organismo humano responde a essa contaminação silenciosa.

O perigo invisível à mamografia

A pesquisa é coordenada pela professora Eldamária Wolfgramm, do Departamento de Ciências Biológicas da Ufes. A cientista explica que os microplásticos não podem ser vistos em exames tradicionais de mamografia, demandando técnicas de ponta como a microespectroscopia Raman para mapear e identificar a composição química das partículas nos tecidos.

A preocupação com a saúde da mama reside na estrutura dos materiais plásticos. Muitos aditivos utilizados na fabricação do plástico funcionam como desreguladores endócrinos, substâncias químicas capazes de mimetizar ou alterar a ação dos hormônios naturais do corpo.

“O câncer de mama é uma doença multifatorial, influenciada por aspectos genéticos, comportamentais, hormonais e ambientais. Investigar como esses poluentes afetam as células é crucial para entender o cenário global da saúde feminina”, destaca a professora Wolfgramm.

O que revelam os testes em laboratório

Para compreender esses impactos, o grupo de pesquisa analisou e comparou as reações de células mamárias saudáveis (não tumorais) e de células tumorais quando expostas a diferentes tamanhos e concentrações de microplásticos. O foco do estudo analisou marcadores como:

Viabilidade e proliferação celular (velocidade com que as células se multiplicam);

Apoptose (mecanismo de morte celular programada, responsável por eliminar células defeituosas);

Estresse oxidativo, inflamação e instabilidade genômica.

Um dos principais desdobramentos dessa linha de investigação foi a dissertação da pesquisadora Gabriela Pinheiro, defendida no Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia da Ufes.

Os resultados da pesquisa demonstraram que os microplásticos alteram o equilíbrio biológico das células:

Em células saudáveis (não tumorais): A exposição aos microplásticos causou aumento da atividade metabólica e acelerou a proliferação celular, ao mesmo tempo em que reduziu os marcadores de apoptose — ou seja, as células continuaram se multiplicando quando deveriam parar.

Em células tumorais: Os resultados variaram conforme o tipo e linhagem celular, comprovando que o tamanho das partículas e a concentração influenciam diretamente a resposta biológica.

Os limites da ciência: Microplásticos causam câncer?

Apesar dos alertas acendidos pelos testes em laboratório, a professora Eldamária Wolfgramm pondera os limites das conclusões. Os resultados atuais não permitem afirmar que os microplásticos causam câncer de mama.

As evidências científicas disponíveis até o momento são estritamente experimentais, realizadas em modelos celulares (in vitro) e animais, cenários que não reproduzem totalmente a complexidade da exposição humana no dia a dia. Uma revisão publicada pelo grupo na revista científica internacional Food and Chemical Toxicology reforça que ainda há um longo caminho de investigações.

O avanço desse estudo, no entanto, é um passo estratégico. No futuro, a identificação clara dos mecanismos de danos ambientais à biologia mamária poderá subsidiar novas diretrizes de prevenção primária e embasar políticas públicas de saúde e meio ambiente para a redução do uso de plásticos no cotidiano.

Fonte: ES HOJE

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