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Ao acompanhar as notícias recentes sobre hyrox, vejo uma oportunidade de falar sobre algo que considero essencial: o desafio esportivo precisa caminhar junto com o cuidado com a saúde. Em 29 de setembro, o Folha Vitória explicou as diferenças entre hyrox e CrossFit. Agora, quero trazer o olhar da ortopedia para essa conversa.
Apesar de compartilharem exercícios funcionais, não são a mesma modalidade. O hyrox tem uma prova padronizada: oito trechos de um quilômetro de corrida, intercalados com oito estações. Há remo, deslocamento de trenó, carregamento de pesos, avanços e outros movimentos. O CrossFit trabalha com combinações variadas.
Essa diferença importa para o preparo. Ter experiência com cargas não significa estar adaptado ao volume de corrida da prova. Da mesma forma, correr bem não garante domínio dos exercícios com peso. Minha recomendação é respeitar essa transição, em vez de tratar um bom condicionamento geral como um passe livre para competir.
Lesões por sobrecarga merecem atenção
Um estudo publicado em setembro acompanhou 89 praticantes de Hyrox durante 12 semanas. As lesões por sobrecarga predominaram, e o joelho foi a região mais frequentemente lesionada. São dados iniciais de uma amostra pequena: não permitem concluir que o hyrox seja mais perigoso que outras modalidades.
O que considero útil nesse resultado é lembrar que uma lesão nem sempre começa com uma queda ou um estalo. Algumas queixas aparecem aos poucos, com a repetição do esforço, e merecem atenção antes de comprometer a rotina.
Preparação precisa respeitar o nível de cada pessoa
Para reduzir riscos, recomendo começar com um planejamento compatível com a experiência de cada pessoa. Aumentar rapidamente distância, frequência e intensidade pode ultrapassar a capacidade de adaptação de músculos, tendões e ossos. Não existe uma progressão única que sirva para todos.
Também valorizo a orientação profissional. No treino, cargas e movimentos precisam ser ajustados ao nível atual do praticante. A preparação deve ensinar a executar os exercícios com controle, não apenas a terminar a sequência. Se o cansaço estiver comprometendo o movimento, considero mais sensato ajustar a sessão do que insistir para acompanhar outra pessoa.
Aquecimento e calçado adequado também merecem lugar no planejamento. Recomendo preparar o corpo antes da parte intensa e escolher um tênis confortável, apropriado às exigências da atividade. Equipamento nenhum, porém, substitui uma preparação gradual.
Outro cuidado é reservar tempo para recuperação. A rotina deve incluir descanso, sono, alimentação e hidratação. Acumular corrida, musculação e treinos funcionais sem organizar o conjunto pode dificultar esse equilíbrio. Quem já tem uma lesão ou dor persistente precisa considerar isso no planejamento.
Dor não deve ser usada como medida de um treino bem-feito
E quando a dor aparece? Eu não recomendo usar dor como medida de um treino bem-feito. Dor recorrente, que aumenta durante a atividade ou altera a forma de correr e executar os movimentos, pede interrupção do exercício provocador e avaliação.
Após uma torção ou outro trauma, dor intensa, incapacidade de apoiar o membro ou dificuldade importante para movimentá-lo exigem atendimento. O retorno não deve depender apenas da vontade de competir: precisa considerar a recuperação e as exigências da modalidade.
Sou favorável ao movimento e aos desafios que estimulam uma vida ativa. Meu recado é simples: respeitar o corpo não diminui a conquista. A melhor linha de chegada é aquela que permite continuar treinando com saúde.
Fonte: Folha Vitória