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Você acorda no meio da noite por causa de uma tosse que não passa? Vira para um lado, tenta beber água, volta a dormir e, horas depois, acontece de novo? Se isso tem se repetido, o sintoma não deve ser tratado apenas como uma irritação passageira: a tosse noturna pode ser um sinal de asma mesmo quando não há chiado ou falta de ar.
Com a chegada da primavera, fatores ambientais como pólen e mofo ganham atenção por poderem desencadear ou agravar sintomas em pessoas sensíveis. Mas atribuir a tosse apenas à mudança de estação pode esconder outras causas.
Segundo a pneumologista e especialista em medicina do sono Jéssica Polese, o horário em que a tosse aparece e a frequência com que ela se repete são informações importantes durante a investigação.
Tem paciente que procura atendimento porque passou a acordar tossindo, sem associar isso à asma. A ausência de chiado não significa que a respiração esteja bem.
Jéssica Polese, medicina do sono
Nem toda tosse noturna é asma
A tosse durante a noite também pode estar relacionada a condições como rinite, refluxo e infecções respiratórias. Por isso, observar o padrão do sintoma pode ajudar a direcionar a avaliação.
É importante perceber, por exemplo, se a tosse se repete durante vários dias, se aparece em determinados ambientes ou se piora quando a pessoa se deita. Aperto no peito, chiado e dificuldade para respirar também são informações que devem ser relatadas ao médico.
“Quando a tosse começa a interromper o sono, vale procurar avaliação. É preciso entender a causa antes de definir o tratamento”, explica Jéssica.
Acordar tossindo não deve virar rotina
Para quem já recebeu diagnóstico de asma, o reaparecimento da tosse durante a noite também merece atenção. O sintoma pode indicar que a doença não está adequadamente controlada e que o tratamento precisa ser reavaliado.
“O paciente não deve se acostumar a acordar tossindo. Essa informação precisa chegar ao médico para que o tratamento seja revisto, se necessário”, orienta a pneumologista.
Nesse caso, contar ao profissional de saúde quando os sintomas aparecem pode ser tão importante quanto relatar a intensidade deles.
Quarto também pode agravar os sintomas
O ambiente onde a pessoa dorme também merece atenção, principalmente quando há suspeita de participação de alérgenos nos sintomas.
Lavar regularmente a roupa de cama, evitar o acúmulo de poeira e resolver infiltrações são medidas que ajudam a reduzir a exposição a ácaros e mofo no quarto. Para pessoas com asma, esses fatores podem agravar os sintomas.
A relação entre o ambiente e a tosse também pode oferecer pistas durante a consulta.
Se o sintoma piora ao entrar no quarto ou ao se deitar, vale contar isso na consulta. Saber onde e quando a tosse aparece ajuda a identificar possíveis fatores envolvidos.
Jéssica Polese, medicina do sono
Os cuidados dentro de casa, porém, não substituem a avaliação médica. Se a tosse continua interrompendo o sono ou volta a aparecer em uma pessoa que já trata a asma, é necessário investigar a causa e verificar se há necessidade de ajustar o tratamento.
Fonte: Folha Vitória