Evento sediado na Aldeia Pau-Brasil reuniu lideranças, educadores e representantes do Sindiupes e da Ufes para debater o protagonismo originário na preservação ambiental e na construção de um currículo escolar plural
A Cabana Central da Aldeia Pau-Brasil, em Aracruz, foi palco no último sábado (26) da formação educacional “Povos Originários: guardiões dos saberes ancestrais e da sustentabilidade do planeta”. A iniciativa, promovida pela Secretaria de Relações Étnico-Raciais do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Espírito Santo (Sindiupes) em parceria com as secretarias municipais e estadual de Educação, reuniu professores, lideranças comunitárias e a juventude indígena do território.
O encontro teve como propósito central reafirmar a relevância histórica dos povos originários na defesa do meio ambiente, na preservação da biodiversidade e no fortalecimento da democracia brasileira. Além de se constituir como um espaço pedagógico de capacitação docente, o evento buscou debater a integração efetiva do conhecimento tradicional às práticas de ensino nas escolas indígenas e não indígenas do Estado.
A solenidade de abertura contou com uma mesa de honra composta pelos caciques Valdeir Almeida (Aldeia Pau-Brasil) e Jonas do Rosário (Aldeia Areal), pela professora doutora Patrícia Rufino, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), e por Christovam Mendonça e Gean Carlos Nunes, representando a diretoria executiva do Sindiupes e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).
A programação técnica reuniu palestrantes e pesquisadores de destaque nacional no campo da educação intercultural. As exposições foram conduzidas pelo professor doutor Antônio Carlos Seizer da Silva (indígena Terena e docente do curso de Licenciatura e Pedagogia Intercultural Indígena da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul – UFMS), pela professora mestra Andreia Cristina Almeida (educadora Tupinikim da EMEFI Ybyrapytanga) e pelo professor Wellington Îybatãtupã de Lima Ferreira (educador indígena da Aldeia Pau-Brasil, graduado pelo Prolind).
A abertura das atividades foi marcada por apresentações culturais de jovens guerreiros indígenas, que entoaram cantos tradicionais de celebração e resistência. Na sequência, o educador Wellington Îybatãtupã conduziu uma vivência coletiva voltada ao fortalecimento das raízes ancestrais. “Essas manifestações artísticas ajudaram a reafirmar a continuidade de nossas tradições, a resistência da cultura Tupinikim e o papel da juventude como guardiã viva do território e dos saberes ancestrais”, destacou Alice Araraporang, liderança da Juventude Indígena local.
A valorização da escola indígena e o respeito às suas especificidades étnico-culturais figuraram como eixos norteadores das discussões. Para a educadora Andreia Cristina Almeida, a formação pedagógica no próprio território amplia o alcance das diretrizes curriculares nacionais e reforça o compromisso ambiental dos professores. “Esta ação acerta fundamentalmente ao trazer esse debate para o centro da agenda educacional. Integrar o saber indígena ao currículo não é apenas cumprir leis, é um compromisso dos educadores com os saberes ancestrais, o território e a diversidade”, salientou a professora.
A realização da atividade no coração do território Tupinikim reafirma também a pauta dos direitos humanos e do protagonismo sindical na promoção da equidade étnico-racial na rede pública de ensino. O Sindiupes enfatizou que apoiar formações continuadas com essa temática contribui para desconstruir preconceitos e construir um projeto pedagógico inclusivo e soberano.
“Este encontro na Aldeia Pau-Brasil é um ato de afirmação política e resgate ancestral. O Sindiupes cumpre um papel histórico ao trazer a formação para dentro do território originário, fortalecendo a luta por uma escola plural e por um Brasil soberano”, destacou Salomé de Sá, diretora executiva da Secretaria de Relações Étnico-Raciais do Sindiupes.
Fonte: Aracruz Noticias