Foto: Reprodução/TV Vitória
Familiares e amigos de Caio Abreu Rodrigues, de 33 anos, se reuniram na tarde desta segunda-feira (28), no Cemitério de Santa Inês, em Vila Velha, para se despedir do conferente portuário, que morreu em uma abordagem policial no bairro Ilha das Flores.
O enterro foi marcado por indignação de pessoas que estavam presentes no cemitério. Segundo Ana Luiza de Castro Silva, prima da vítima, Caio era pai de duas crianças e que a família busca por justiça.
“Caio era trabalhador e pai de família, deixa duas crianças, O que a gente quer é a justiça de saber quem fez isso, por que fazer isso. A polícia é para proteger, não é para matar. E é o que eu peço hoje, a justiça”, afirmou.
A família informou que Caio estava desarmado e fazia acompanhamento psiquiátrico. Segundo uma prima, ele passou por uma crise cerca de um mês antes e tinha medo da polícia após precisar de ajuda para ser levado a atendimento médico.
Além de trabalhar como conferente portuário, Caio já havia atuado como jogador profissional e continuava disputando campeonatos por equipes de Vila Velha. Familiares disseram que ele era conhecido na comunidade.
Protestos e queima de pneus
Moradores do bairro realizaram um protesto com queima de pneus no fim da tarde deste domingo (27), em Ilha das Flores e nas proximidades do porto de Capuaba.
Além da manifestação houve confronto com a polícia, que precisou utilizar bombas de efeito moral e gás de pimenta para dispersar os manifestantes.
Segundo o comandante-geral da Polícia Militar, Ríodo Lopes Rubim, a abordagem a Cao aconteceu após após uma denúncia de que um homem estaria causando tumulto, ameaçando pessoas em uma moto vermelha e preta e portando uma arma de fogo.
De acordo com a corporação, as características repassadas eram compatíveis com as da vítima.
A PM informou que os policiais tentaram abordá-lo e que ele correu. A corporação também afirmou que Caio teria levado uma das mãos à cintura e retirado um objeto durante a perseguição.
O comandante da PM disse que não foi possível identificar uma arma nas imagens divulgadas.
“Pelo ângulo, aparentemente não é possível identificar, mas é muito dinâmico. É fácil identificar aqui sentadinho assistindo se tem ou não tem. Dali, no momento da ocorrência, o ângulo em que cada um estava conforme aquela situação, aí eu não me atreveria a afirmar que sim ou não”, disse.
As armas dos policiais que participaram da abordagem foram encaminhadas para perícia, enquanto a PM apura a conduta dos militares. Os agentes foram ouvidos e liberados pelo delegado responsável, que entendeu inicialmente que eles agiram em legítima defesa.
*Com informações do repórter Caio Dias, da TV Vitória/Record
Fonte: Folha Vitória