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Reduzir a Lp(a) diminui o risco de infarto e AVC? Veja o que diz a ciência

Presente em cerca de uma em cada cinco pessoas em níveis elevados, a lipoproteína é considerada um fator de risco

Por Redação em 28/09/2026 às 09:00:15
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Durante os últimos anos, uma sigla que antes ficava restrita às discussões entre especialistas passou a aparecer cada vez mais nos consultórios e mídias: Lp(a), ou lipoproteína(a). Ganhou cada vez mais espaço nas discussões sobre prevenção cardiovascular.

Diferentemente de outros fatores de risco, seus níveis são determinados principalmente pela genética e sofrem pouca influência da alimentação, da atividade física ou da perda de peso. Estima-se que cerca de uma em cada cinco pessoas tenha Lp(a) elevada, condição associada a maior risco de infarto, AVC e outras manifestações da doença cardiovascular aterosclerótica.

Por isso havia tanta expectativa em torno do estudo chamado HORIZON, um grande estudo de fase 3 que avaliou o pelacarsen, medicamento desenvolvido especificamente para reduzir a produção da Lp(a). Mais de 8 mil pacientes com doença cardiovascular já estabelecida e níveis elevados de Lp(a) participaram do estudo, recebendo pelacarsen ou placebo, além do tratamento cardiovascular recomendado.

A pergunta era uma das mais importantes ainda sem resposta nessa área: se conseguirmos reduzir especificamente a Lp(a), conseguiremos também reduzir eventos cardiovasculares?

Os primeiros resultados, anunciados recentemente, surpreenderam. O pelacarsen conseguiu reduzir os níveis de Lp(a), mas o estudo não atingiu seu objetivo principal. Na população global avaliada, essa redução não se traduziu em diminuição estatisticamente significativa do conjunto de eventos que incluía morte cardiovascular, infarto, AVC e necessidade de revascularização coronária urgente.

O que o resultado significa para quem tem Lp(a) elevada?

Isso significa que a Lp(a) deixou de ser importante? Não. E esse cuidado na interpretação é fundamental.

Há evidências genéticas e epidemiológicas muito consistentes mostrando que a Lp(a) elevada é um fator de risco cardiovascular independente e causal. O que o HORIZON mostrou até agora é algo mais específico: reduzir a Lp(a) com o pelacarsen, nessa população, durante o tempo do estudo, não demonstrou o benefício cardiovascular que se esperava.

Também é importante lembrar que conhecemos apenas os resultados iniciais do estudo. Ainda não foram divulgados todos os números necessários para uma análise mais profunda, incluindo a magnitude exata da redução da Lp(a) no HORIZON, as taxas absolutas de eventos e os resultados detalhados dos diferentes grupos de pacientes. Portanto, ainda é cedo para explicar por que o estudo não alcançou seu objetivo.

Outros tratamentos para Lp(a) ainda estão em estudo

E a história da Lp(a) está longe de terminar. Outras moléculas capazes de produzir reduções muito expressivas dessa lipoproteína estão sendo estudadas, inclusive em grandes ensaios destinados a avaliar eventos cardiovasculares. Esses resultados serão fundamentais para entendermos se o que ocorreu no HORIZON está relacionado ao pelacarsen, à intensidade ou duração da redução, à população estudada ou a aspectos ainda não completamente compreendidos sobre a própria Lp(a).

Enquanto essas respostas não chegam, quem apresenta Lp(a) elevada deve continuar encarando essa informação como um importante marcador de risco. Como ainda não temos uma terapia específica com benefício cardiovascular comprovado para esse objetivo, torna-se ainda mais importante controlar agressivamente aquilo que podemos modificar: LDL-colesterol, pressão arterial, diabetes, tabagismo, excesso de peso e sedentarismo.

Talvez a principal mensagem do HORIZON ultrapasse a própria Lp(a). Na medicina, não basta fazer um número do exame melhorar. Precisamos demonstrar que essa mudança realmente protege o paciente, reduzindo infartos, AVCs e mortes.

E estudos com resultados negativos também fazem a ciência avançar. Às vezes, são justamente eles que nos obrigam a fazer as próximas — e melhores — perguntas.

Fonte: Folha Vitória

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