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Apoio cruzado: Gilson Daniel indica Evair, mas Podemos está com Casagrande e Rose

Presidente estadual da legenda apoia Ricardo Ferraço para governador, mas aparece em combinação eleitoral com


Divergência atinge Casagrande e Rose

Presidente estadual da legenda apoia Ricardo Ferraço para governador, mas aparece em combinação eleitoral com Evair de Melo, candidato ao Senado por outro grupo político

O deputado federal Gilson Daniel, presidente estadual do Podemos no Espírito Santo, abriu uma contradição política dentro da própria legenda ao associar sua campanha à candidatura de Evair de Melo, do Republicanos, ao Senado.

Uma publicação divulgada nas redes sociais apresenta a seguinte combinação eleitoral: Gilson Daniel, número 2000, para deputado federal; Evair de Melo, 100, para senador; e Ricardo Ferraço, 15, para governador.

“Gilson Daniel 2000. Senador 100. Governador é Ricardo 15.”

A indicação chama atenção porque o Podemos integra oficialmente a aliança de Ricardo Ferraço e apoia Renato Casagrande, do PSB, e Rose de Freitas, do MDB, para as duas vagas em disputa no Senado.

Evair, por sua vez, pertence ao grupo liderado por Lorenzo Pazolini, candidato do Republicanos ao Governo do Espírito Santo. A chapa também conta com Maguinha Malta, do PL, na disputa pelo Senado.

Apoio cruzado provoca questionamentos

A aproximação pública entre Gilson e Evair não significa, por si só, que o presidente do Podemos tenha aderido à candidatura de Pazolini. Na combinação divulgada, Gilson mantém o voto em Ricardo Ferraço para governador.

Mesmo assim, o pedido de voto para um candidato ao Senado de outra chapa produz um sinal político contraditório, principalmente porque parte de quem comanda o partido no estado.

“Uma combinação de campanha pode caber na urna e, ainda assim, exigir explicação de quem dirige o partido.”

Evair também pediu votos para Gilson durante um evento realizado em Cariacica. O presidente do Podemos agradeceu publicamente a amizade e o apoio do parlamentar.

A troca pode beneficiar eleitoralmente os dois deputados, mas gera dúvidas entre prefeitos, vereadores, candidatos e lideranças municipais que trabalham pela chapa oficialmente apoiada pelo Podemos.

Nas eleições de 2026, cada eleitor poderá escolher dois candidatos ao Senado. Por isso, o apoio de Gilson a Evair pode, em tese, ser combinado com um voto em Renato Casagrande ou Rose de Freitas.

A publicação, entretanto, não informa qual seria o segundo voto de Gilson. Também não esclarece se ele continua apoiando um dos dois candidatos indicados pela aliança partidária.

Não é possível afirmar que o apoio tenha retirado votos de Casagrande ou Rose. O que existe é uma disputa direta por uma das duas escolhas disponíveis ao eleitor.

“Dois votos para o Senado permitem a combinação, mas não eliminam a concorrência por cada voto.”

Peso político de Gilson Daniel

A manifestação ganha relevância porque Gilson Daniel não é apenas candidato à reeleição. Ele também preside o Podemos no Espírito Santo e possui uma rede política construída ao longo de sua trajetória em Viana e no governo estadual.

Gilson foi vereador e prefeito de Viana por dois mandatos, presidiu a Associação dos Municípios do Estado do Espírito Santo e ocupou as secretarias de Governo e de Planejamento durante a administração de Renato Casagrande.

Em“ 2022, foi eleito deputado federal com 74.215 votos. Atualmente, além de disputar a reeleição, exerce a função de ouvidor-geral da Câmara dos Deputados.

“O dirigente partidário fala por si, mas nunca é ouvido apenas como indivíduo.”

Não há rompimento formal

A indicação de Evair não representa automaticamente desfiliação, perda de mandato ou irregularidade eleitoral. Também não há elemento que permita afirmar que Gilson tenha rompido formalmente com o Podemos ou abandonado o apoio a Ricardo Ferraço.

Politicamente, contudo, permanece uma diferença clara: o Podemos apoia Casagrande e Rose para o Senado, enquanto seu presidente estadual divulgou uma combinação eleitoral com Evair.

Entre as perguntas que ainda precisam ser respondidas estão: qual será o segundo voto de Gilson para o Senado? Ele continua apoiando Casagrande ou Rose? A direção partidária foi informada previamente? O gesto é uma escolha pessoal ou uma orientação que poderá ser seguida por outros integrantes da legenda?

Até que Gilson apresente essas respostas, a combinação continuará produzindo ruídos dentro da aliança.

“A lei pode delimitar eventuais sanções, mas não resolve sozinha a coerência política de quem dirige um partido.”

Jornalista, publicitário e estrategista de marketing político. Diretor do Consórcio de Notícias do Brasil, apresentador do CNBCAST e autor do livro “Manual do Candidato Vencedor”, referência em narrativas e estratégias eleitorais.

consorciodenoticias.com.br

Cariacica Noticias

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