Lorena Freire, 45 anos, pratica vôlei de praia há três anos e treina na Praça dos Namorados, em Vitória. Foto: Arquivo Pessoal Do vôlei ao beach tennis O vôlei de praia é uma das modalidades que encon
Em Vitória, praticar esporte pode começar antes mesmo de entrar em uma academia. Basta escolher uma praia, praça, parque ou espaço público e encontrar uma modalidade que combine com a rotina. Vôlei de praia, beach tennis, corrida, funcional, natação, lutas e outras atividades ocupam diferentes pontos da Capital e mostram como o esporte ganhou espaço ao ar livre.
A geografia da cidade ajuda. Para Marcos Cesar de Souza, 61 anos, personal de natação e professor de defesa pessoal, Vitória reúne características que favorecem a prática esportiva, como terreno plano, praias relativamente tranquilas e clima quente na maior parte do ano.
A percepção também aparece na rotina de quem pratica. Lorena Freire, 45 anos, joga vôlei de praia há três anos e treina na Praça dos Namorados, no CT MVK. Ela também já correu na Orla de Camburi. Para ela, começar o dia praticando o esporte que gosta em meio à paisagem da cidade é um incentivo.
“Começar o dia com o sol nascendo em uma das cidades mais lindas do Brasil e fazer o esporte que se ama é o maior incentivo”, afirma Lorena.
O vôlei de praia é uma das modalidades que encontram na orla um espaço natural para a prática. Lorena destaca a presença de centros de treinamento e a faixa de areia de Camburi, além da estrutura disponível para quem pratica o esporte.
“Porque Vitória é uma das melhores cidades do Brasil para a prática de vôlei de praia devido à sua combinação de infraestrutura pública de excelência, um exemplo, e nosso CT que é super limpo e organizado. Em Camburi também temos praias de faixa de areia larga com vários Centros de Treinamento espalhados”, comenta Lorena.
Segundo Lorena, a cidade também mantém uma forte cultura de práticas esportivas ao ar livre. Entre as opções que fazem parte desse cenário estão grupos de corrida, vôlei, beach tennis, funcional, stand up e futevôlei.
O beach tennis também ganhou espaço na rotina de quem busca atividade física e convivência. Larissa Cabral, 48 anos, pratica a modalidade há cerca de seis anos. Ela começou depois de procurar uma atividade mais aeróbica para complementar os treinos que já fazia.
“Comecei no beach tennis porque queria completar uma janela de atividade física. Eu já treinava no Vida Plus e queria uma atividade mais aeróbica. Desde a aula experimental já amei, porque além da atividade física em si, eu achei super divertido. É das coisas mais legais que faço! Por isso sigo, sem desanimar!”, conta Larissa.
Larissa já jogou em academia e atualmente pratica na praia. Para ela, o local muda a experiência, especialmente pela possibilidade de estar em um ambiente aberto. “Para aprender o jogo não há diferença estar na academia ou na praia, mas posso afirmar que o visual da praia, sentir o ambiente tão aberto é muito bom. É muito legal passar na orla e ver tanta gente praticando.”
A modalidade também trouxe novas relações para a vida dela. O grupo de amigas formado a partir do esporte passou a fazer parte da rotina, com encontros dentro e fora das quadras.
“Fiz muitas amizades e hoje considero minhas beach friends, sim, temos um grupo, parte essencial da minha vida. A gente se encontra na praia para jogar, pós-praia para brindar, churrascos na casa das amigas, aniversários compartilhados. Sempre estamos juntas”, ressalta Larissa.
Lutas também ocupam espaços públicos
As atividades ao ar livre não ficam restritas aos esportes de praia. Professor de kickboxing, Jonas Coelho, 35 anos, dá aulas na Vitória Fighter, no Alphaville e também oferece aulas personalizadas. Em alguns casos, os alunos preferem levar a atividade para fora da academia.
Segundo Jonas, as aulas podem acontecer na praia, em praças ou até mesmo no prédio onde o aluno mora. Fora da academia, porém, é necessário adaptar a atividade ao espaço e ao piso disponível.
“Acho que na academia temos mais equipamentos para poder trabalhar, tipo um saco de pancadas, estepes, jump etc. Mas às vezes os alunos preferem que vamos até ele para poder fazer uma diferente, tipo tem alunos que preferem fazer na praia, praças ou até mesmo no prédio”, explicou Jonas.
A presença das aulas em locais públicos também acaba despertando a curiosidade de quem passa. Jonas conta que pessoas que observam a atividade ao ar livre costumam perguntar como funciona e até pegar seu contato para saber mais.
“Hoje em dia as pessoas procuram muito a qualidade de vida. Eu dou aula de modalidade de luta, mas a maioria das pessoas que atendo não me procuram para poder lutar e sim a qualidade de vida. Hoje temos acesso a diversas práticas esportivas, sempre falo com as pessoas que temos que estar praticando alguma atividade física, independente de qual seja”, ressalta Jonas.
Para Marcos Cesar, o crescimento das atividades de luta ao ar livre ganhou força durante a pandemia de Covid-19. Antes disso, segundo ele, a capoeira já tinha forte presença fora de espaços fechados por sua história e tradição, enquanto outras modalidades eram mais concentradas em locais próprios.
Mais de 6,5 mil alunos nas atividades da Prefeitura
A variedade de opções também aparece nas atividades oferecidas pela Prefeitura de Vitória. Atualmente, a Secretaria de Esportes e Lazer (Semesp) atende mais de 6,5 mil alunos em todos os núcleos de atividades. As modalidades com maior procura são musculação, hidroginástica e futsal.
Entre as atividades ao ar livre estão o Circuito Vix, treino funcional voltado à preparação física de atletas de futebol de areia, vôlei e ginástica noturna, além de natação, natação no mar, hidroginástica, beach soccer, futebol de campo e futebol society.
Há ainda academias populares, academias populares da pessoa idosa e multiestações para alongamento.
Algumas atividades têm locais específicos. O Circuito Vix funciona na Avenida Dante Michelini, 4561, em Jardim Camburi. O vôlei é oferecido na Avenida Saturnino de Brito, 80, na Praia do Canto. A natação ocorre no Vitória Futebol Clube e no Tancredão, enquanto a natação no mar é realizada na Curva da Jurema. A hidroginástica também acontece no Tancredão.
A ginástica noturna está espalhada por diferentes pontos da cidade. Já o Projeto Corre Vitória tem atividades no Tancredão, no Atlântica Parque e na Ufes.
A estrutura esportiva também vem sendo ampliada. Segundo a Prefeitura, são 40 campos reformados, entre espaços de areia e grama sintética, além de 14 quadras esportivas e 135 parquinhos entregues ou revitalizados.
A administração municipal identificou crescimento na prática de esportes ao ar livre, especialmente no período pós-pandemia. A avaliação é de que mais pessoas passaram a buscar atividades que também proporcionam socialização, bem-estar e convivência.
Esse movimento aparece ainda na utilização de espaços como a Curva da Jurema, a Praça da Ciência, as quadras de tênis espalhadas pela cidade e o Tancredão.
Outro indicador é o número de eventos esportivos. Em 2025, Vitória teve 54 corridas de rua autorizadas, uma média de mais de uma corrida por fim de semana.
Atividade física também na rede de saúde
Além das atividades esportivas, Vitória mantém o Serviço de Orientação ao Exercício (SOE), da Secretaria de Saúde. O programa está presente em 15 módulos localizados em praças, parques, orla e outros espaços públicos, além de 28 unidades de saúde.
Cerca de 2.500 pessoas utilizam o SOE todos os dias. Os módulos funcionam nos turnos da manhã e da noite, com orientação de profissionais de Educação Física, e oferecem aulas de circuito, ioga, ginástica, hidroginástica e alongamento.
As atividades também são realizadas nas próprias unidades de saúde. Para participar, o interessado pode procurar um dos módulos do SOE ou a unidade de saúde de referência do bairro.
Em Vitória, as Unidades Básicas de Saúde também realizam ações de educação em saúde com orientações sobre prevenção, hábitos saudáveis e prática de atividade física.
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Fonte: Rede sim Noticias - ES